ARTIGO: Tudo é arte ou não?

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O monopólio artístico pauta a arte tal qual suas pautas

Arte é a “ferramenta” pela qual o homem aprendeu a guardar seus sentimentos – dúvidas, um fato que reverbera ou apenas uma história puramente fictícia -, para deixar como um ponto de reflexão e saciar sua fome espiritual de conhecer as contingências. E assim o homem tem a chance de deixar para posteridade o imaginário de sua geração, ou parte de si próprio.

Recentemente, no Brasil – e talvez no mundo -, essa perspectiva mudou. Vê-se, agora, como um simples projeto, totalmente imanente e idealista; diferente de outrora, que arte era um signo de toda uma cultura complexa — ou seja, algo orgânico e natural.  A problemática daquela, em detrimento desta, é que há, ao mesmo tempo que se quer defender um ponto, uma paixão etc., um relativismo de todos os pontos que se possa ter.

Quando se proclama que tudo é arte, e que a mesma é apenas uma questão de ponto de vista, a dedução óbvia é que pode fazê-la por qualquer meio (lixo, filmes nazistas, pedofilia, barro, voz, redes sociais, dentre tudo mais que existe). Será que isso deve ser aceito? Decerto, uma sociedade passiva a qualquer ideário panfletário não é uma sociedade saudável cultural e moralmente. Há de haver, porém, a liberdade para se expressar. O que não proíbe em nada a escolha individual de se manifestar em repúdio ao vulgar.

Tudo é arte ou não?

Na grécia antiga, Apolo era considerado o deus da harmonia, da beleza e também da perfeição, e estava demasiadamente ligado à natureza. Isto é, já há muito se sabe que as normas do belo, bom e moral, tem uma ligação com fatores universais. Mas mesmo com todos esses poderes, Apolo não era o mais poderoso — estava contido ao deus da ordem (referente a ordem universal; arranjo) e justiça, Zeus.
Se, porém, todos elementos existentes são dotados das qualidades de Apolo, logo, são ordinários naquilo que teriam proeminência. Em verdade, o que faz a arte não ser generalizada, e sim exclusiva às coisas com sentido para tal, é sua essência universal, isto é, a capacidade de abarcar os fragmentos primários do mundo sensível e até a transcendência. A percepção humana não diz, ontologicamente, o que é ou não é, mas averigua, conhece, apoiando-se a princípios lógicos; seja com qual perspectiva possa ver o mundo, sabe-se que o ser humano é contingente e em nada pode tirar ou dar a algo a priori. Não é por nós, é para nós. Mas, do contrário, com a ideia do homem-molde, caso tenha-lhe um conjunto de princípios doente, perverso, a arte que sairia daí é certa? Ou: Por que a perspectiva humana poderia encher o vazio com significado? Do mais puro e medíocre banal não há o que tirar ou pôr, continuará sendo o que é — vulgar —; nada tem-se a fazer, pois não se pode moldar a realidade a ponto de pô-la valores que são anteriores ao ser humano. Tal tentativa em nada alteraria o mundo, senão apenas o próprio homem: — apenas na cabeça de um louco, desde sempre, é sabido que tudo pode ser tudo. É o papel próprio da sanidade manter os pilares para não haver a destruição do próprio ser.

Mesmo os contos de fantasias não destroem a realidade para criar coisa com coisa; J. R. R. Tolkien, por exemplo, faz uma enorme referência às coisas que constituem o real, em meio de seus mundos mágicos, para ali ficar explicitado a ideia de verossimilhança.

Haja visto que a mente humana, em sua forma natural, trabalha com princípios verossímeis. Motivo pelo qual uma criança, até certo ponto, pode entender Tolkien — e gostar! — sem deixar de “palpar” o que lhe é familiar, ou sem estranhar o familiar por falta do fantástico.

A linguagem, parte principal de qualquer tipo de obra, seja verbal ou não, é constituída por signos (sinais gráficos ou simplesmente sons), todos ligados a respectivas ideias.

Há, pois, um problema grave em dar múltiplos significados às coisas: o  de destruir a conexão que tem de haver entre as pessoas, que flexionam uma ideia sólida para se comunicar; não que criam outras e outras, e que por final acabe relativizando, não só as próprias ideias, mas também até a linguagem, jogando tudo no mesmo lugar, à venda.

Deve-se, porém, indagar: Se arte é coisa pura e unicamente subjetiva, portanto, esvaziada de valores morais e/ou objetivos, por que então tem de ser só a elite artística a pautá-la?

Sendo que esta mesma elite tem um sedento objetivo de socializar à maioria tais obras: é um absolutismo cultural, na qual o rei vive no Projaquistão. Como se o bobo da corte tivesse dado um maluco golpe no verdadeiro rei.

Poder-se-ia dizer, se a arte tem um limite — e a tem porque cumpre com conceitos derivados do mundo real, utilizando-os no mesmo —, é dever de todos explaná-lo para assegurá a frágil estabilidade da coisa verdadeira ou da própria segurança de outrem. Em outras palavras: A manifestação intelectual deve ser penalizada quando pôr a vida de outrem em risco, e é, daquilo que concerne à saúde humana, dever moral não propagar tudo que faça um juízo deturpado das formas genuínas. A arte verdadeira é feita a partir da realidade e para ela, não como instrumento idealista de ideologias jacobinas ou reacionárias. Sem dúvida, tudo não é arte; quando for, será chata e truculenta — as coisas vis não podem ter um aval artístico para existir.

Se tudo for arte, nada é artístico; tudo é banal e nós, loucos.

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