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O falso canto do comunismo

Adam Starski

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Divulgação | Conexão Política

Há algumas semanas, o escândalo envolvendo o então Secretário Especial da Cultura, Roberto Alvim, chamou minha atenção para o discurso sobre o comunismo no Brasil.

Tudo começou com a renúncia de Alvim, depois que ele postou um vídeo no qual parafraseava uma citação de Joseph Goebbels, Ministro da Propaganda na Alemanha nazista. Alvim naturalmente negou ter citado Goebbels conscientemente, mas o fato de ter usado uma música no vídeo composta por Richard Wagner, o compositor favorito de Adolf Hitler, fez com que sua declaração não parecesse credível.

Como resultado, o Presidente Bolsonaro comunicou rapidamente o desligamento de Alvim e o seu repúdio às ideologias totalitárias e genocidas, como o nazismo e o comunismo, bem como qualquer tipo de ilação às mesmas. O caso rapidamente levou ao debate sobre o nazismo que alguns dos críticos esquerdistas do presidente o acusaram.

Os apoiadores de Bolsonaro apontaram que esses críticos muitas vezes condenavam o nazismo, mas estavam cheios de elogios ao comunismo, a segunda maior ideologia totalitária do século 20, que matou cerca de 100 milhões de pessoas.

Eu mesmo acabei me envolvendo nesse debate, por causa de Nilce Moretto – a YouTuber da comunidade de games com 1,4 milhões de seguidores no Twitter e mais de 10 milhões de inscritos no canal que ela e o marido, Leon Oliveira Martins, gerenciam no YouTube – que argumentou que o nazismo era pior que o comunismo porque a matança de pessoas era mais organizada.

Moretto pareceu dar grande importância ao fato das pessoas serem mortas em câmaras de gás, mas não à fome artificial criada pelo comunismo, na qual os alimentos eram confiscados e pessoas eram impedidas pelas tropas da NKVD de colocarem comida sobre a mesa.

Uma usuária do Twitter disse à Nilce Moretto que ela preferia a maneira polonesa, a saber, se opor tanto ao nazismo quanto ao comunismo.

Moretto reagiu de uma maneira típica para muitos comunistas e apologistas comunistas, escrevendo que a Polônia está cheia de nazistas.

Essa afirmação era falsa em 1944, quando a União Soviética tentou usá-la para justificar sua ocupação da Polônia, e é falsa hoje também.

A Polônia possui um cenário neonazista de algumas centenas de pessoas confusas, mas é como uma gota no oceano ao considerar que é uma nação de quase 40 milhões de habitantes.

Tentei explicar à Sra. Moretto que ela está divulgando a Falsa História, mas sem sucesso.

Então, gravei um vídeo explicando a ela que a Polônia teve 6 milhões de habitantes assassinados durante a guerra, dos quais 3 milhões eram cidadãos poloneses não-judeus. Os poloneses lembram das atrocidades e barbáries nazistas alemãs, mas também nos lembramos dos crimes dos comunistas, especialmente considerando que as forças soviéticas colocaram no poder um partido comunista que controlou o país por quase 45 anos após a guerra.

45 anos de comunismo

A União Soviética deportou cerca de 1 milhão de poloneses para campos e assentamentos desumanos na Sibéria e no Cazaquistão durante a guerra. Centenas de milhares deles foram mortos: escravizados, famintos, congelados ou espancados até a morte dentro de alguns meses ou anos.

Também nos lembramos do Massacre de Katyn, a decisão dos comunistas soviéticos em 1940 de executar quase 25.000 prisioneiros de guerra poloneses (metade de todo o corpo de oficiais) com uma bala na nuca e enterrá-los em segredo, sem identificação e em valas comuns.

Após a guerra, os comunistas fizeram o que fazem de melhor. Os soviéticos roubaram quase todas as indústrias e recursos naturais que a Polônia possuía, transportando estes recursos para a União Soviética enquanto os comunistas poloneses – que eles colocaram no poder – roubavam o resto, nacionalizando estas indústrias que frequentemente administram tão mal.

A Polônia teve o crescimento econômico mais lento da Europa entre 1950 e 1990, deixando-nos muito atrás de países que tinham um nível semelhante de riqueza com o nosso antes da guerra, como Portugal, Espanha e Grécia. Nessas décadas, houve protestos constantes do povo, na maioria das vezes contra a má administração econômica e política do país. Tais protestos foram brutalmente reprimidos em 1956, 1968, 1970, 1976 e 1981, com várias centenas de poloneses mortos nas ruas por forças policiais e militares controladas pelos comunistas.

Os comunistas também operavam esquadrões da morte da polícia secreta que sequestrou, torturou e assassinou dissidentes políticos, como o caso mais famoso do padre Jerzy Popieluszko em 1984; um padre católico que era querido por milhões de poloneses por seus sermões anticomunistas e pró-soberania.

Visita do Presidente Bolsonaro na Polônia

Nesta terça-feira (4), o Presidente Bolsonaro se reuniu com o Ministro polonês de Relações Exteriores (que foi um dos poucos políticos ocidentais a participar da cerimônia de posse do Presidente Bolsonaro), Jacek Czaputowicz, em Brasília. Após a reunião, o presidente anunciou que visitará a Polônia este ano. A mídia de esquerda brasileira havia revelado horas antes que o presidente provavelmente visitaria a Polônia e a Hungria em abril para construir uma “Aliança Conservadora”.

A decisão do presidente de visitar a Polônia é uma boa notícia para a nova e crescente aliança nacional-conservadora mundial, representada por Kaczyński na Polônia, Orbán na Hungria, Trump nos EUA e Bolsonaro no Brasil (com a expectativa de Salvini estar no poder na Itália em breve).

Os laços entre os conservadores europeus e seus pares latino-americanos têm sido muito fracos por décadas, especialmente os europeus não apreciando o quanto os une e a importância da América Latina para a construção de uma comunidade ocidental transatlântica mais ampla, que será crucial para a civilização ocidental sobreviver à guerra e competição que enfrentará no leste da Ásia e na China, especialmente no século XXI.

O Presidente Bolsonaro certamente aproveitará a troca de conhecimento com os líderes conservadores da Polônia e Hungria sobre como derrotar o comunismo e como desmascarar suas tentativas de renascer em novos disfarces, muitas vezes se escondendo atrás de causas com nomes mais aceitáveis, como antirracismo, feminismo , ambientalismo, LGBT e direitos dos imigrantes.

O novo comunismo

O caso de Nilce Moretto ressaltou uma tendência que é observável há anos. O movimento comunista internacional sabe que suas antigas versões leninistas, stalinistas e até trotskistas não são capazes de atrair grandes massas de jovens.

Em vez disso, os comunistas tentam atrair os jovens por subversão e apresentando as novas ideologias que mencionei algumas frases anteriormente e usam diferentes canais que parecem apolíticos para entrar em contato com eles.

Além dos canais mais conhecidos, como Hollywood, a indústria da música, o mundo da moda e o “mundo das celebridades”, que eu também gosto de chamar de “o mundo da cultura MTV/ Instagram”, também há a o mundo dos jogos, comunidade na qual Nilce Moretto está trabalhando.

A comunidade de jogos nos EUA sofre com a infiltração da esquerda há anos,desde que as forças de esquerda a identificaram como uma esfera de “masculinidade tóxica”, porque cerca de 80% das pessoas que jogam jogos de computador e TV são do sexo masculino.

Por felicidade, essa tentativa de infiltração foi interrompida pelo chamado escândalo “Gamer Gate”, durante o qual jovens jogadores de direita lutaram contra o que eles acreditam ser um ataque feminista à sua comunidade.

Felizmente, por meio de laços mais estreitos, os jovens conservadores poloneses, húngaros, americanos e brasileiros poderão desenvolver contra-estratégias às tentativas dos comunistas de subverter a mente dos jovens.

A visita do presidente Bolsonaro à Polônia e Hungria e seus planos para construir uma aliança conservadora internacional podem ser o primeiro passo nessa direção.

Adam Starski | @BasedPoland

Tradução: Thaís Garcia/ @thaisgarciacp

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