Governo Temer quer incentivar criação de um polo digital no Rio

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Imagem: Facebook Michel Temer

Após a intervenção na segurança, o governo federal passou a estudar saídas para a crise econômica do Rio de Janeiro. Sem caixa para incentivar novos setores para combater a dependência do petróleo, o Palácio do Planalto começou a desenhar um projeto, batizado de “Eixo”, para tentar fazer do estado o polo de inovação do país. De acordo com fontes ouvidas pelo GLOBO, a ideia inicial é montar um centro de pesquisa, desenvolvimento e treinamento no Porto Maravilha.

O governo busca parcerias com gigantes da área de tecnologia e bancos privados. O foco é estimular a criação de empresas, formar pelo menos 10 mil novos programadores das favelas da capital fluminense por ano, além de começar a ensinar linguagem de programação nas escolas públicas.

“Essa é uma indústria rápida e de instalação barata, mas que o Brasil ainda não dá a devida atenção. A indústria de games, por exemplo, já vale mais que toda a produção de cinema e musical juntas”, salientou um dos empreendedores a par dos bastidores.

Em busca de uma sede, o governo levanta os imóveis vazios que poderiam sediar o novo projeto. Já articula com o setor privado quais empresas iriam para lá para prestarem cursos de programação, dar consultorias, mentorias e incubar startups. O objetivo é resolver questões sociais e soluções para o setor financeiro, que sente falta de profissionais capacitados na área de proteção cibernética. Hoje, há uma estimativa de que há vagas de empregos abertas para 200 mil programadores em todo o país.

Uma das diretrizes é incentivar a criação de fintechs (startups financeiras). O sistema bancário nacional está atento às soluções que essas novas empresas podem desenvolver não só para a segurança para meios de pagamento. O Brasil tem avançado nessa área. A startup NuBank (que oferece cartão de crédito), por exemplo, passou a ser considerada uma “unicórnio” nesta semana, quando atingiu o valor de R$ 1 bilhão após rodada de investimento.

Inicialmente, a ideia era uma parceria com a Caixa Econômica Federal, mas o projeto se arrastou em meio à confusão do banco com troca de vice-presidentes envoltos em suspeitas de corrupção. O projeto chegou a circular até com uma logomarca onde o X de eixo era o mesmo usado pelo banco. Com a urgência imposta pela crise da segurança pública, a saída foi procurar parceiros privados para tocar o assunto.

De acordo com o documento, ao qual O GLOBO teve acesso, serão selecionados 100 projetos de SocialTechs e FinTechs, que receberiam a estrutura necessária para desenvolver o negócio, mentorias, networking e acesso a investidores. O governo ainda quer montar uma plataforma social de colaboração e voluntarismo para resolver pequenos problemas com impacto social. Ela deve juntar projetos sociais e pessoas que queiram ajudar de alguma forma.

A ideia é estimular que os cariocas pensem soluções para os próprios problemas. Um dos exemplos usados nas reuniões é a startup Saladorama, que passou a fornecer saladas orgânicas para moradores de comunidades pobres, teve reconhecimento e investimentos internacionais. O estado tem outros casos de startups de sucesso como o aplicativo 99, que rivalizou com o Uber e tornou-se a primeira startup unicórnio do Brasil.

Segundo fontes do mercado, na semana passada, o secretário de comunicação digital e inovação do Planalto, Wesley Santos, teve uma rodada de reuniões com o setor privado e várias empresas se mostraram interessadas. No governo, a empreitada é vista como um trunfo político do governo Temer em pleno ano eleitoral. Além de ser parte de uma resposta para a crise, o presidente Michel Temer quer encampar uma agenda de inovação pela primeira vez em seu governo. Com uma única tacada, atende ainda uma parcela importante do eleitorado: os jovens.

“Esses jovens vão ser treinados para ser o topo da pirâmide social. Não é mais um projeto social utópico que tenta achar um atleta bom entre mil meninos. É garantir um futuro e rapidamente”, falou uma fonte a par do assunto.

O projeto está no gabinete do ministro-chefe da Secretaria Geral da Presidência da República, Moreira Franco. Foi encampado pela Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), que ajudou a fazer a ligação do Palácio do Planalto com o setor privado. Procurado, o secretário Santos informou apenas que há um projeto em discussão, mas não deu detalhes.

Reprodução: O Globo

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