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Poema de professora expressa a triste realidade das universidades públicas do Brasil

Thaís Garcia

Publicado

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Imagem: Sandra Ramos/Arquivo pessoal

Sandra Ramos, professora da Universidade Federal do Piauí descreveu em forma de poema a triste realidade da universidade onde leciona. Realidade esta que tem sido vivenciada por muitos professores e alunos do ensino público em todo o Brasil.

Sandra é pedagoga, psicopedagoga, mestre e doutora em Educação. A professora tem 35 anos de experiência como docente, tendo passado por todos os níveis de ensino, da Educação Infantil à Pós-Graduação. Lecionou na rede pública e privada e ministra aulas nos cursos de formação de professores há 20 anos.

“Amo a educação, mas me entristece demais ver o que tem se tornado a Universidade Pública”, disse Sandra em entrevista ao Conexão Política.

Abaixo o poema escrito pela professora Sandra Ramos. A leitura do poema nos leva a conhecer as consequências catastróficas que os anos de esquerda no poder proporcionaram à Educação Pública do Brasil.

AMOR DA JUVENTUDE
Sandra Ramos – Professora da Universidade Federal do Piauí – 20/07/2019

Me enamorei de ti, era menina ainda… 17 anos!
Meu coração não cabia no peito, emocionada por te conhecer
Você cheirava a natureza, verde e virgem ao meu olhar
Caía a noite… cada sala era uma aventura
Em teus corredores e salas, gente, muita gente!
Gente nova, gente velha, gente linda
Gente boa, cheia de sonhos, gente sedenta de saber
Vez ou outra avistava alguém que não combinava com o cenário
Chinelos rasteiros, corpo tatuado
Desleixo, cabelos desgrenhados
Camisas do Che ou com foice e martelo
Pareciam em um mundo paralelo
Já estavam lá… à espreita “Como um leão, buscando a quem pudesse tragar”
Não me enredaram… tive medo deles
Meus olhos buscavam o encanto do conhecimento
Você era pública… nossa, vossa, minha
Minha não pra eu destruir e depredar, mas pra usar a meu favor
Teus laboratórios cheiravam a ciência, não a indecência!
As paredes brancas, quadros com tabelas
Sem pichações ou palavrões
Fórmulas, números, tabela periódica… Ciência pura, essa era a ótica!
Tive aulas de anatomia, vegetal e humana
Nada de anatomia da nudez explícita
A gente não usava farda
Mas escolhia a melhor roupa pra ir ao teu encontro
Os cadernos eram escolhidos com cuidado
E cada coisa que a gente escrevia trazia um contexto:
Você conseguiu chegar até aqui! Vitória!
Hoje… 38 anos se passaram
Não mais aluna… professora!
Ando por teus corredores e te vejo agonizar
Quase posso ver teus olhos
Lacrimejando… olhar de desespero!
Tuas paredes imundas, gritam sujeira e abandono
Outro dia mudei de caminho, para não atrapalhar dois alunos homens fazendo sexo
Os seguranças? Não serão acusados de homofobia
Os eventos de agora? São cheios de fumaça
Dos cigarros de maconha… Sem nenhuma vergonha!
Professores coniventes, são convincentes em suas aulas de “balbúrdia”
O conhecimento parece ter batido em retirada
Se negou a permanecer em tuas salas
Arrumou as malas e partiu
O que vemos hoje? Um circo de horrores!
Que saudade de você… meu amor da mocidade
Do tempo em que o universo cabia na palma da tua mão
Hoje… tuas mãos estão sujas, imundas
Teus corredores fétidos
Das camisas de vênus pelo teu chão
Do sangue feminista de menstruação
Dos brownies de haxixe vendidos nas bancas de lanche
Das genitálias escancaradas pintadas em tuas paredes
Um sentimento de enorme tristeza me abate.
Quisera poder te ajudar
Quisera alguém te injetasse o soro da verdade
E te libertasse, amor da minha mocidade!
Quisera ver a ciência voltar a habitar em ti
Quisera poder gritar, bem alto:
Tenho orgulho de te pertencer, querida UNIVERSIDADE!

“Sede sóbrios; vigiai; porque o diabo, vosso adversário, anda em derredor, bramando como leão, buscando a quem possa tragar” – 1 Pedro 5:8

O poema foi originalmente publicado no Jornal Pequeno de São Luíz do Maranhão, em 21 de julho de 2019.

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