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O depoimento de uma mãe que luta há 4 anos contra o câncer infantil e suas sequelas

Thaís Garcia

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O depoimento de uma mãe que luta há 4 anos contra o câncer infantil e suas sequelas 20
Iamgem: Arquivo/ Mariana Diniz

Em 2016, Caroline, aos 5 anos, apresentava sinais incomuns para a idade e após a realização de exames, foi diagnosticada com um tumor raro e agressivo no córtex da glândula suprarrenal. O câncer logo se espalhou para o pulmão. Aos 6 anos, o câncer entrou em remissão, deixando como sequela, a insuficiência suprarrenal.

O tipo do tumor encontrado na Carol foi de grau IV. Em fevereiro de 2016, Caroline foi submetida a uma cirurgia para a retirada do tumor, mas foi diagnosticada com metástase pulmonar, em julho de 2016. Ela passou por cirurgias e quimioterapias endovenosa e oral.

Ainda hoje, ela faz um tratamento com medicamentos para a reposição hormonal da glândula suprarrenal com um endocrinologista e tem um acompanhamento trimestral com um oncologista.

Segundo o Dr. Cristiano Túlio Maciel Albuquerque, endocrinologista e pediatra de Caroline, a mãe, Mariana Diniz, de 32 anos de idade, está sempre presente e comprometida com o tratamento, seguindo corretamente todas as orientações.

Carol conseguiu superar os momentos difíceis da batalha contra o câncer infantil. Mas, a luta pela sua saúde ainda não foi completamente vencida. Hoje, a pequena Carol depende de um acompanhamento para manter a doença sob controle.

Gravidez não planejada

A doce Caroline nasceu em 19 de julho de 2010, de uma gravidez não planejada e sem a presença do pai. Sua mãe, Mari, passou os nove meses aflita e sozinha, sem o acompanhamento do pai durante a gestação. Na época, o apoio veio de seu pai, seus irmãos e de sua grande amiga, Samira.

Mari não pôde contar com o apoio de sua mãe, que faleceu em 2006, quando ela tinha apenas 19 anos. A mãe de Mari sofreu de um câncer que se iniciou na mama, foi tratado, mas voltou de forma agressiva no estômago e depois no pâncreas. Mari recebeu muito apoio de seu pai e irmãos. Mas não era o mesmo tipo de apoio, daquele que só uma mãe pode dar.

Inicialmente, foi muito difícil para Mari cuidar da pequena Caroline, sem o pai da criança estar presente e sem sua mãe.

“Cuidar de um recém-nascido foi um desafio bem grande. Mas tive a ajuda de uma grande amiga, Samira, que me levou para a casa dela. A Samira e a mãe dela me ajudaram a cuidar de Caroline, ensinaram-me a amamentar, a dar banho, trocar fraldas e curar umbigo. Após os primeiros meses, passei a ter mais segurança para cuidar de minha filha. Ela foi crescendo, e fui aprendendo a ser mãe, a cuidar dela da melhor forma que eu podia”, disse Mari Diniz.

Outra perda
Em 2012, o pai de Mari foi diagnosticado com um câncer no esôfago. Em julho de 2014, ele faleceu.

“Foi também um período difícil, doloroso. Saber que nunca mais veria meu pai foi uma dor indescritível. Quando ele morreu, Caroline tinha 4 anos. Para ela, também foi difícil, pois a referência dela era o avô, já que o pai dela era bem ausente”, disse Mari.

A luta de Mari e Carol
Aos 5 anos, Caroline apresentava alguns sinais que não eram comuns para a idade. Tinha odor debaixo do braço, acne na região da testa e pelos pubianos. No início, a mãe achava que podia ser um descontrole hormonal, mas não um câncer, pois ela não reclamava de dor. Tinha febre, mas sempre relacionada a alguma dor de garganta ou de ouvido.

Caroline fez ultrassom em janeiro de 2016 e logo foi diagnosticada uma massa suspeita do tamanho aproximado de uma laranja, entre o baço e o rim. Ela foi encaminhada por um endocrinologista para um hospital em São Paulo. Em fevereiro do mesmo amo, retirou o tumor. A biópsia revelou um câncer no córtex da suprarrenal (glândula localizada acima do rim) – um tipo de câncer raro.

Em junho de 2016, exames de controle mostraram que o tumor havia voltado, dessa vez para o pulmão e com múltiplos nódulos (esse tipo de câncer dá metástase para o pulmão, cérebro e ossos). Não seria possível a cirurgia, pois eram vários, e estavam na base dos dois pulmões dela. Em julho, ela iniciou as quimioterapias.

“Aí, tirei força de onde não tinha. Ajoelhei, pedi a Deus pela vida dela, entreguei a vida dela em Suas mãos e pensei, Deus me deu ela, Deus me tira. Em oração, apenas relatei a Ele que achava que eu não suportaria viver sem meu anjo, sem Caroline”, disse Mari Diniz.

Caroline tomava três tipos de drogas diferentes (cisplatina, doxorrubicina, e etoposídeo). Ela recebia essas drogas durante 7 dias – o chamado ciclo quimioterápico – e tinha um intervalo de 21 dias entre um ciclo e outro. Além de sete comprimidos de 500 mg (mitotano/lisodren) que ela tinha que tomar diariamente, o medicamento ficava em torno de R$ 3.000. O hospital de São Paulo não pôde fornecê-los. Nesse período, a Prefeitura de Santo Antônio do Amparo-MG comprou os medicamentos orais para ela.

“O cabelo da minha filha começou a cair, e o meu coração a se despedaçar também, porque ela trazia lembranças de minha mãe”, disse Mari.

Nesse período, Mari se hospedou em uma casa de apoio em São Paulo. Mas, quando o tratamento estava na metade, precisou lutar por um tratamento melhor. Pois, o hospital em São Paulo estava em crise. Caroline tomava uma droga que se chamava cisplatina, a medicação causava dores de cabeça e, no hospital, não tinha dipirona, devido às crises financeiras. O tratamento era feito pelo SUS.

No meio do tratamento, Mari conseguiu transferir Caroline para o convênio e foi para o hospital São Lucas, em Belo Horizonte-MG. O tratamento foi bem melhor, completo, com um médico bem-conceituado e empenhado pela causa de Caroline.

Em fevereiro de 2017, Carol concluiu todas as quimioterapias com a doença em remissão. Mas, como foi um tratamento bem agressivo, Caroline não se alimentava bem e tinha dificuldades para tomar o medicamento oral (mitotano). Após as sessões das quimioterapias endovenosas, ela teve uma desidratação intensa e chegou em choque hipovolêmico, no hospital São Lucas.

“Nesse dia, meu coração apertou mais uma vez e senti que iria perdê-la. Pedi a Deus força e ajuda”, disse Mari.

Caroline ficou um dia no CTI. O caso foi revertido e, aos poucos, ela foi melhorando. Os remédios orais quimioterápicos foram suspensos. Durante o tratamento, Caroline também precisou tomar soro algumas vezes e de transfusões de sangue.

Em junho de 2017, mãe e filha foram para uma consulta de retorno em Belo Horizonte, e os exames estavam todos bons. Caroline estava limpa! Ela ainda precisaria de um controle com exames de sangue (o SDHEA, que é um exame de sangue hormonal específico que pode determinar, juntamente com outros, se ela tem ou não a presença do câncer do córtex da suprarrenal) e exames de imagem durante um bom tempo.

Controle e acompanhamento
Desde o início das quimioterapias, Caroline precisou iniciar o uso de dois medicamentos: o fludrocortisona e o prednisolona, que são corticoides para controlar a insuficiência adrenal, decorrente da retirada da glândula suprarrenal esquerda e das quimioterapias que afetaram a adrenal direita. Ela ainda usa esses medicamentos e faz controle com o médico endocrinologista.

Como o convênio é participativo, isso gerou altos custos para Mari.

“Minha irmã estava me ajudando a pagar, mas os boletos vêm altos demais durante alguns meses. Como minha renda é o benefício que recebo de Caroline (LOAS) e a pensão – que é baixa – é bem difícil manter as contas em dia. Daí decidi lançar algumas campanhas para pedir ajuda e conseguimos quitar um dos boletos que vieram mais altos. Agora, o desafio será manter o plano de saúde, já que transferir a Caroline para o SUS não será viável no momento”, disse Mari Diniz.

Campanha
Caroline ainda precisa de tratamento e acompanhamento médico. No Twitter, foi lançada a campanha #todosjuntospelacarol. Segundo sua mãe, a campanha é muito importante para o tratamento de sua filha.

A campanha #todosjuntospelacarol no Twitter (@MariDiniz086) serve para ajudar na continuidade do tratamento da filha, com os gastos diários, já que Caroline requer um cuidado maior, devido a doença que teve e com as despesas do tratamento.

É possível doar qualquer quantia através deste link ou simplesmente dar um RT para ajudar na divulgação da campanha, com a tag #todosjuntospelacarol.

Doações: Caroline Diniz Moscardini – Bradesco Agencia 6564-1 – Conta/Poupança: 1001166-3. Banco Bradesco. CPF 128877196-70.

Para Mari, mãe solteira e órfã de pai e mãe, lutar sozinha é um pouco pesado. Mas, a solidariedade ainda é o maior tesouro dos brasileiros.

 

Neste link estão as cópias dos relatórios médicos. E abaixo, outros mais recentes.

O depoimento de uma mãe que luta há 4 anos contra o câncer infantil e suas sequelas 21

Relatório médico de Caroline de 06 de setembro 2017.

O depoimento de uma mãe que luta há 4 anos contra o câncer infantil e suas sequelas 22

Receituário médico de 27 de maio de 2019.

O depoimento de uma mãe que luta há 4 anos contra o câncer infantil e suas sequelas 23

Custos de 2019, do plano de saúde de Caroline Diniz.

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Correspondente Internacional na Europa. Cristã, casada, mãe e bacharel em Relações Internacionais. Lutando pelos verdadeiros direitos humanos e pela Igreja Perseguida.

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