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Trabalhe direito e esqueça Bolsonaro, João Doria

Carlos Júnior

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em

Reprodução / Internet

O presidente Jair Bolsonaro foi eleito com uma plataforma política conservadora, antiglobalista e anti-establishment. Isso é o que importa no fim das contas. Discussões sobre formalismos e conceitos pragmáticos como democracia, ordenamento jurídico, reformas administrativas e questões econômicas são importantes também na análise do seu governo e das suas ações, porém sem a mesma importância. Ele, como qualquer ser humano e qualquer político, está sujeito a erros e declarações infelizes. Mas ainda assim se deve dar prioridade ao conjunto das suas ideias e influências intelectuais para julgamentos corretos de qualquer natureza a seu respeito.

Vivemos em um país com uma massa de intelectuais orgânicos – no sentido gramsciano do termo – e políticos corruptos a rodo. A simbiose entre os dois grupos produziu os resultados mais desastrosos possíveis: últimos lugares nos testes educacionais, mar de corrupção assolando a ‘’nossa’’ República, crise econômica e fiscal sem fim – em uma conta que será paga por nós e pelas próximas gerações. Jair Bolsonaro foi eleito para mudar todo esse quadro. E foi colocado na mais alta posição do país por um movimento popular espontâneo, fato que deve incomodar muitos almofadinhas pertencentes à velha ordem das coisas.

A luta para ocupar o posto do anti-Bolsonaro é grande entre os membros do estamento burocrático. O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), parece estar vencendo a disputa – e como tal recebe da população todo o ônus do posto desejado. Mas ele não está sozinho. Além do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), o governador de São Paulo, João Doria, resolveu entrar na briga e perder de vez o que ainda restava de bom senso e algum amor pela coerência.

Antes de mais nada, é bom lembrar como João Doria chegou ao Palácio dos Bandeirantes. Ele foi eleito em uma disputa acirrada com o então governador Márcio França, e só conseguiu tal proeza porque colou sua imagem a do então candidato à presidência Jair Bolsonaro. Mal acabou o primeiro turno – marcado por severas derrotas da velha política e também do candidato presidencial do seu partido, Geraldo Alckmin – e Doria já foi logo anunciado apoio a Bolsonaro. Usou ainda da hashtag #BolsoDoria para conquistar os votos dos simpatizantes do atual presidente, e fez inúmeros comícios com uma camiseta contendo a hashtag. Tudo para ser eleito governador de São Paulo e um ano depois dizer que nunca foi bolsonarista ou coisa do tipo. Isso já seria suficiente para conhecermos o caráter de João Doria.

Mas ele não cansa de mostrar o quanto a baixeza e o oportunismo fazem parte da sua atuação como político. Primeiro foi aquela resposta sobre a declaração do presidente Bolsonaro sobre uma suposta fraude nas eleições de 2018. Doria falou que se o presidente não confia na própria eleição, que participe de outra, ou seja, que a sua vitória seja colocada em xeque. Ou Doria foi muito burro sem saber, ou foi um péssimo oportunista. Ora, Bolsonaro contestou o resultado do primeiro turno e afirmou que a sua vitória deveria ter sido lá. Se um time de futebol ganha por quatro a zero e reclama da arbitragem ao alegar que a vitória seria por oito a zero, desde quando o jogo teria de ser jogado novamente? Doria não conhece a lógica elementar das coisas.

Depois afirmou ter se arrependido do voto em Bolsonaro. Ao fazer isso, Doria afirma também que deveria ter votado em Haddad. Ou seja, endossar a quadrilha petista que assaltou os cofres públicos, destruiu a educação brasileira, entregou nosso dinheiro a países amigos e montou um esquema supranacional de poder para a implementação do comunismo latino-americano – o Foro de São Paulo – é menos grave do que escolher um presidente que fala o que pensa e não tem postura politicamente correta. Senso das proporções não é mesmo o forte do sr. Doria.

Alguns poucos como o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) têm a coragem de falar a verdade sem temer a cólera dos imbecis. Eduardo falou algo óbvio sobre a pandemia COVID-19: que a ditadura comunista chinesa fez vista grossa ao coronavírus – sabe-se lá por qual motivo. As evidências não mentem: oito médicos foram levados à polícia de segurança da China e obrigados a assinar um documento admitindo “espalhar mentiras”, ao simplesmente comentarem sobre a possibilidade da epidemia. Isso foi em 30 de dezembro de 2019, pouco antes da epidemia assolar a China e chegar nos quatro cantos do planeta.

O que fez João Doria e todos os almofadinhas da sua trupe? Repreenderam o deputado e pediram desculpas à embaixada chinesa. De quebra, mostraram seu total descompromisso com um deputado brasileiro frente a uma potência estrangeira e ignoraram convenientemente o crime contra a humanidade da ditadura chinesa.

Doria ainda alfinetou o presidente Bolsonaro na mesma questão e contestou o trabalho do governo federal no enfrentamento ao COVID-19, pois, segundo ele, quando Bolsonaro faz alguma coisa, faz errado. Ah, claro. Certo é defender o establishment corrupto, arrumar confusão desnecessária com o presidente da República, dar apoio a uma potência estrangeira em detrimento de um parlamentar brasileiro e usar o nome de alguém para obter alguma vantagem e depois criticá-la a todo momento.

João Doria não é o novo, é o velho. O velho político da geração de 1968, que aceita como único padrão moral o que a esquerda frankfurtiana dominante em seu partido diz. O velho político aliado de Rodrigo Maia e tantos outros com problemas na Justiça envolvendo corrupção e práticas criminosas. É o velho que tem medo do novo, representado por Jair Bolsonaro. Que ele governe São Paulo e esqueça o presidente. Cale a boca e trabalhe direito, João Doria.

Referências:

  1. https://politica.estadao.com.br/noticias/geral,nunca-fui-bolsonarista-diz-joao-doria,70003035427
  2. https://www.agazeta.com.br/brasil/joao-doria-eu-me-arrependo-de-ter-votado-no-bolsonaro-0320
  3. https://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/politica/2020/03/10/interna_politica,833360/doria-se-bolsonaro-nao-confia-na-eleicao-antecipemos-as-eleicoes.shtml
  4. https://politica.estadao.com.br/noticias/geral,eduardo-bolsonaro-envergonha-brasileiros-com-declaracao-sobre-china-diz-doria,70003239617
  5. https://foreignpolicy.com/2020/02/15/coronavirus-xi-jinping-chinas-incompetence-endangered-the-world/
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Jornalista. Escreve sobre politica brasileira e americana, com análises não vistas na grande mídia.

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