Pseudobolhas

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Imagem: Divulgação | Conexão Política

Vivemos em bolhas nas redes sociais?

Antes de responder a essa pergunta, vamos a uma que a antecede: você sabe o que é uma bolha social?

Esse parece ser o termo da moda que as pessoas repetirão como argumento até cansar e substituí-lo por outro. É utilizado para criticar de forma suave àqueles que, ao menos aos olhos do rotulador, não aceita o contraditório.

Numa definição um pouco mais formal, “Bolha é tudo aquilo que nos limita, mas, ao mesmo tempo, nos protege. Bolha é tudo aquilo que nos ilude sobre a natureza da realidade e ao mesmo tempo, serve como apoio para prosseguirmos vivendo.” [1]

Empresas, por exemplo, vivem em bolhas se considerarmos seus clientes como uma. Há quem questione dizendo que quando procuram novos clientes, além dos já captados, estariam saindo dela. Ao analisar com mais cuidado percebemos que não. O que fazem, é suscitar essas pessoas que não fazem parte de sua bolha para dentro dela, nem que para isso seja necessária a mudança de suas características (aderindo às “modinhas”) para atraí-las.

Meus pais me ensinaram a viver em bolhas: não me permitiam que andasse em más companhias, incentivaram que eu pertencesse ao grupo dos bons alunos, dos que respeitavam os mais velhos, dos que sabiam que o direito do próximo começava onde terminava o meu, etc.

Notamos, portanto, que permanecer em sua bolha não é necessariamente ruim. [1]

Outro dia, questionei-me internamente se eu vivia numa bolha ou não, devido ao fato de diariamente bloquear perfis inconvenientes em minhas redes sociais.

Ao refletir, percebí que pertenço a diversos grupos de interesse: xadrez, catolicismo, política, cinema, etc. Todos estes grupos são caracterizados pela heterogeneidade. Há enxadristas que são católicos e outros não, tenho amigos que gostam do mesmo tipo de filmes/séries que eu e são, ao contrário de mim, esquerdistas, entre outros inúmeras combinações que eu poderia aqui fazer para exemplificar.

Continuando em minha auto-análise, cheguei à conclusão de que essa afirmação é uma grande falácia (e para chegar a ela basta usar a lógica). Não existe essa realidade de vivermos em bolhas de forma a falarmos apenas para convertidos, exceto se fôssemos monotemáticos!

Os críticos das pseudobolhas (passarei a usar esse termo, por acreditar ser mais próximo da realidade) afirmam que você deve ouvir o contraditório, pois pregar para convertidos não acrescentará nada à sua cultura.

Faço algumas ressalvas a essa afirmação.

Há um provérbio que diz que “os barcos estão seguros se permanecem no porto, mas não foram feitos para isso”, a ele acrescento a ressalva que antes de sair a navegar, pois navegar é preciso, é preciso aprender a fazê-lo. É preciso ter conhecimento das possíveis tempestades que encontrará e como enfrentá-las. Sem esses cuidados, a chance do naufrágio aumenta exponencialmente.

Antes de permitir que outras pessoas, que pensam diferente, entrem em sua pseudobolha, você deve estar bem fundamentado em seus conceitos para evitar que seja desviado de seus valores por causa da retórica envolvente.

Um exemplo prático disso é, sendo cristão, envolver-se em discussões com esquerdistas que criticam a Inquisição e afirmam que a era Medieval foi a Era das Trevas (ambas repetidas insistentemente nas escolas por militantes esquerdistas travestidos de professores). Um estudo mais profundo do assunto desconstrói essa afirmação que enfrentamos com muita frequência.

O escritor italiano, Umberto Eco, certa vez disse que “a internet deu voz aos idiotas”. [1] E ele está certo, pois ao invés de popularizar a cultura, o que vemos é que isso foi feito com a imbecilidade, daí decorrendo o fato de que cada vez mais vamos limitando os que fazem parte de nossas listas. E nossas grandes mídias estão incluídas nesta crítica, pois perderam de forma surpreendente a conexão com a realidade, com a verdade e com a coerência.

Respondendo então à pergunta inicial: talvez até vivamos em bolhas, mas elas interceptam-se umas às outras, minimizando os efeitos da limitação que tanto nos induzem a pensar que estamos presos.

Em tempo: para escrever esse artigo, usei fontes de fora de minha bolha.

Ploft!

Minhas redes
Gab
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[1] “Bolhas sociais”: uma crítica ao conceito vulgarizado

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