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ARTIGO: Por que um socialista não pode ser um bom cristão

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Por Antonio Nunes Barbosa Filho

Antes de prosseguirmos na apresentação dos argumentos que demonstrarão, de modo inconteste, o que o título do presente expressa, cabe, relativamente a este – antes que possam se apresentar pretensas dúvidas – alguns esclarecimentos, a saber:

– Primeiro: Este é um título afirmativo, não é um questionamento. Não cabe, portanto, imaginá-lo sendo concluído por um sinal de interrogação;

– Segundo: A posição relativa entre os qualificativos importa – e muito. Sobretudo, porque para muitos cidadãos de diversos países do mundo, parece que estes têm muito mais certeza de serem socialistas do que serem cristãos. Creio que, para seu efêmero júbilo, lhes importa mais serem alinhados aos primeiros do que aos segundos. Então, ainda que esta não seja a pretensão, talvez este texto possa servir-lhes para uma concreta tomada de posição;

– Terceiro: Como já afirmado, explicitaremos, apenas a título exemplificativo, já que a lista de incompatibilidades certamente vai muito além do que caberia nesta simples folha de papel. Creio que o espírito colaborativo de outros cristãos convictos ajudará a expandi-la e a registrar incongruências entre advogar pelo socialismo e pretender, a qualquer título, afirmar ser cristão. Se não, vejamos:

1) Nós, cristãos, acreditamos firmemente em um Ser superior, que nos guia e nos impele a vivermos em retidão, respeitar valores, que nos foram impostos, pois Mandamentos, dos quais não devemos nos afastar, sob pena de acertamos contas com Ele. A crítica socialista, não raro, tentar incidir e insiste em afirmar que esta é a nossa maior fraqueza, porque não reconhecemos sequer a supremacia sobre a nossa própria vida e nos reconhecemos tão pequenos diante de Sua infinita grandeza;

2) Talvez, por isso, recorremos frequentemente à nossa consciência e julgamos os nossos atos com tanta intensidade, pelo que, em especial em nossa infância, nos questionamos em remorsos e, justamente por isso, aprendemos a medir os nossos gestos, palavras, pensamentos e omissões, o mal que possamos fazer abater sobre outrem, suas famílias e vidas. Perder a sensibilidade para o sentimento alheio, no tocante ao sentir e às necessidades do outro, nos esvazia a dimensão humana. “Educai as crianças e não será necessário punir os adultos”, afirmou há muito Pitágoras (que viveu em idos de 570 a 495 a.C.). E estes valores devem ser formados em tenra idade, no seio da família, formando, assim, cidadãos comprometidos com o justo, com a Justiça, sendo-lhes ensinado a limitar a maldade que insiste em habitar os corações humanos, que quando e se dominante nos reduziria a não mais do que bestas bípedes;

3) Reconhecendo que temos sempre muito o que aprender, inclusive quanto ao modo de pensar e de agir daqueles que professam outras ideologias ou crenças, nós cristãos nos lançamos costumeiramente a estudar, porque somente por intermédio do conhecimento do mundo que nos cerca e do nosso mundo interior – o autoconhecimento – poderemos verdadeiramente evoluir como indivíduos e como integrantes da humanidade.Por isso, não nos atrevemos a ousar recomendar a quem quer que seja que ele precise estudar. Sabemos que precisamos fazê-lo e o fazemos com dedicação e irrestrito espírito de aprendizado. Do contrário, ficaremos estagnados, absortos, mergulhados na ilusão da plena e inigualável sabedoria, que a vida se encarregará de não confirmar, pelo menos para aqueles que tiverem a capacidade de recolher no cotidiano esta insofismável lição;

4) Para nós, cristãos, todas as vidas importam, desde o momento da concepção até o último sopro de vida. Todas estas devem ser preservadas, protegidas, notadamente, em suas etapas mais frágeis, indefesos: quando feto, durante a infância e na velhice. Em razão disso, abominamos toda forma de agressão implícita ou explícita contra estes, seja pelo abandono, seja por qualquer forma de exploração ou violência, pelo que as combatemos com todas as nossas forças, veementemente;

5) Dê-nos exemplos de sabedoria duradoura que possam representar a mínima consistência da doutrina que defendem e as contribuições irrefutáveis de seus pensadores para a evolução da humanidade! De outra parte, de nosso lado, não precisamos ir além de poucos, sejam aqueles inscritos nos escritos da Bíblia, no Antigo ou no Novo Testamento, cujo saber consolidado nos é transmitido há milhares de anos. Tudo não passa de lenda, de ficção, de gente e de fatos que provavelmente nem existiram, insistem em negar aqueles que acreditam apenas em si mesmos e em algo irrefutavelmente inconsistente como o pensamento e ações dos socialistas, nas comunidades em que se inserem em caráter local, ou em espectro mais amplo, em prol da humanidade;

6) Pois bem, sendo impossível negar a existência de pensadores cristãos como Agostinho de Hipona (354 – 430 d.C.) e Tomás de Aquino (1225 – 1274), dentre muitos outros nomes que poderíamos colecionar e suas inegáveis contribuições à evolução do mundo em que estamos inseridos, desde as distintas e já remotas épocas em que viveram, comprovam a perenidade e a excelência deste pensar que, cada vez mais se consolida, posto que se comprova solidamente a cada embate. O pensar cristão que não se dedica a desconstruir nada, nem ninguém, porque a sua essência é a criação, é a fraternidade, a distribuição e a não acumulação, notadamente por parte de uma liderança que subjugando, se locupleta do sofrimento alheio e, hipocritamente, se beneficia das fragilidades amplas das populações de onde conseguem se estabelecer e fazer vigorar o sistema das desigualdades plenas e intransponíveis;

7) Bem afirma Sir Roger [Vernon] Scruton (1944-2020), inegavelmente um dos mais brilhantes pensadores dos últimos 100 anos em todo o mundo – o que, mais um vez, comprova e reafirma a perenidade do pensamento cristão, que “conservadores não estão motivados a aniquilar aquilo que odeiam, mas sim dispostos a preservarem o que amam”. Neste sentido, nós cristãos, sempre estaremos a postos em defesa da doutrina cristã, da família, da pátria, da honra e todo o conjunto de valores sobre os quais estes se assentam;

8) Nós, cristãos, sempre ou a qualquer tempo, saberemos explicitar, sem titubear minimamente, para que servem os valores que tanto defendemos. E você, leitor, que porventura possa ainda estar em dúvida sobre uma possível compatibilidade entre professar-se ser socialista e cristão, responda-nos, sem titubear, seria isto realmente possível? Temos certeza de que não. Diga-nos, em que se sustentam pretensos valores… Bom, é melhor deixar para lá. Vai ser impossível demonstrar, não é verdade?

Resta claro, portanto, que a doutrina cristã é, pois, imiscível com a socialista. Há uma divisão muito clara entre ambas, diferenças entre verbo e ação. São água e óleo!


Antonio Nunes Barbosa Filho é membro do Movimento Docentes Pela Liberdade (DPL), possui graduação em Engenharia Mecânica pela Universidade Federal da Paraíba (1991), mestrado em Engenharia de Produção pela Universidade Federal da Paraíba (1994) e doutorado em Engenharia de Produção pela Universidade Federal de Pernambuco – UFPE (2005), bacharelado em Direito (2009) – área de concentração: Direito do Trabalho.

Ele é professor da Universidade Federal de Pernambuco, desde 1993. Tem experiência na área de Engenharia de Produção, com ênfase em Ergonomia Aplicada, atuando principalmente nos seguintes temas: pessoas com deficiência, condições de trabalho, projeto de produto, segurança do trabalho e acessibilidade.

O professor Antonio Nunes foi Coordenador de Transferência de Tecnologia da UFPE e é autor de livros nas áreas de Segurança do Trabalho e Gestão Ambiental, Segurança do Trabalho na Construção Civil, Segurança do Trabalho na Agropecuária e na Agroindústria, Saúde e Segurança Ocupacional em Arqueologia e Projeto e desenvolvimento de Produtos, publicados por editora de caráter nacional.

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