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Por que ter medo da Brasil Paralelo? 

Carlos Júnior

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Por que ter medo da Brasil Paralelo? 

Em países com debates plurais e verdadeiramente democráticos, visões políticas e históricas são levantadas em uma briga de foice por lados opostos do espectro político. Todas elas são embasadas a gosto de seus respectivos defensores, mas são debatidas, analisadas, dissecadas por seus oponentes e só então rebatidas.

No Brasil não é bem assim. Um dos lados da política tomou de assalto a cultura e monopolizou as narrativas históricas brasileiras, a colocar ao público como as únicas aceitáveis. Tanto é que, por exemplo, qualquer crítica à narrativa de 1964 ser um golpe reacionário promovido pelo governo americano logo cai no ostracismo por ser tachada de ‘’produto de revisionismo histórico direitista’’. É nada mais que espiral do silêncio: tachar o oponente com um algum adjetivo indesejável e incômodo para dar um ‘’cala a boca’’ nele e ser dispensado de tentar refutar as suas ideias.

É justamente isso que estão a fazer com a Brasil Paralelo, uma produtora de documentários que ganhou destaque por sua série ‘’Brasil – A Última Cruzada’’, que retrata a história do Brasil sob um ponto de vista diferente da dita historiografia oficial. A produtora cedeu seu conteúdo para a TV Escola, canal ligado ao Ministério da Educação. Tal fato está a despertar a ira da grande mídia e dos historiadores esquerdistas.

Aí que quero chegar: por que tanto medo da Brasil Paralelo? Por que só os historiadores de esquerda podem usar e abusar dos espaços públicos e das universidades para perpetuarem narrativas que a luz dos fatos não se sustentam?

Ambas as respostas estão com um filósofo italiano que ditou a política brasileira sem nunca ter pisado em nosso país e sequer é falado pelos tagarelas da grande mídia: Antonio Gramsci.

O dito teórico marxista é o mentor da revolução cultural e da mudança de estratégia comunista na busca pelo poder. Enquanto a estratégia soviética ortodoxa era a de organizar o proletariado, tomar o poder mediante um golpe de Estado violento e depois mudar a mente e a consciência da população, Gramsci propõe exatamente o contrário. Para ele, um regime comunista não teria menor chance de dar certo e sobreviver sem chegar no poder com uma hegemonia cultura sólida e bem estabelecida. A disputa política não é nada mais que subproduto da guerra cultural, onde é ali que o poder realmente está. A esquerda comunista deveria então promover uma tomada dos espaços culturais de forma gradual, a derrubar os valores conservadores da sociedade e substituir pelos novos valores do partido, o ente máximo incontestável. Dopada e controlada, a sociedade entregaria toda a sua liberdade e o poder ao partido, sem ter a mínima percepção do processo ocorrido. Com o controle cultural, mental e político nas mãos, aí sim a esquerda poderia agir contra seus inimigos – com a diferença de que agora não haveria mais oposição as suas ações.

É justamente isso que a esquerda brasileira fez desde a derrota de 1964 e a humilhação nas guerrilhas e na vida pública. Com a generosa ajuda dos militares, ela conseguiu tomar as escolas, as universidades e as redações de jornal sem a mínima resistência – qualquer dúvida basta conhecer o que pensava o general Golbery do Couto e Silva. Através dos ditos intelectuais, poderia mudar as ideias do povo com uma autoridade acima de qualquer contestação. E assim se deu a vida brasileira, com esse processo cristalizado na Nova República com a Constituição de 1988.

A direita política foi aniquilada durante o período. E quando voltou, tomou ciência da situação. É nesse contexto que a Brasil Paralelo está inserida. Contar a nossa história sem os cacoetes marxistas da luta de classes que ignora nossos verdadeiros heróis. De Padre Anchieta a Carlos Lacerda, passando por José Bonifácio e Carlos Gomes, o Brasil tem heróis. O Brasil tem um legado. O Brasil tem na sua formação as sementes da civilização ocidental com a bandeira da catequização dos nossos nativos, a salvação das almas pela Igreja Católica. Todo esse peso cultural deve ser devolvido aos brasileiros – e é precisamente isso que a Brasil Paralelo faz.

Eliminar e derrubar de vez as narrativas da historiografia politicamente correta e mentirosa é um trabalho difícil, mas não menos honroso. Jogar luz no reino da escuridão provoca reações histéricas, calúnias sórdidas e caretas de indignação, mas como diria Aristóteles, a palavra ‘’cão’’ não morde.

De marxistas uspianos a comentaristas políticos da Globo News, o medo das convicções incontestáveis de gerações inteiras virarem pó frente a realidade dos fatos e da boa historiografia é fator preponderante para jogar tomates na Brasil Paralelo. Que joguem. A verdade ignorada tem que ser contada a um povo de memória curta. No passado, historiadores talentosos como João Camilo de Oliveira Torres, Eduardo Prado, Oliveira Lima e Oliveira Viana foram desprezados por não comungar com a dita historiografia oficial. Hoje é a vez de Rafael Nogueira e Thomas Giulliano sentirem a bílis do beautiful people acadêmico e midiático. Sinal de que estão certos – como a Brasil Paralelo.

Referências: 

  1. https://epoca.globo.com/guilherme-amado/olavo-de-carvalho-no-horario-nobre-na-estatal-tv-escola-24127613
  2. http://olavodecarvalho.org/que-e-hegemonia/
  3. https://g1.globo.com/globonews/estudio-i/video/tv-escola-exibe-serie-com-olavo-de-carvalho-8157693.ghtml
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Jornalista. Escreve sobre politica brasileira e americana, com análises não vistas na grande mídia.

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