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O movimento revolucionário e os gays na Palestina

Carlos Júnior

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O movimento revolucionário e os gays na Palestina
Reprodução | Al Jaazeera — Enforcamento aconteceu no Irã, país do Oriente Médio

Os conservadores em geral acreditam estar a lutar contra a esquerda: comunistas, progressistas e social-democratas. Buscam estabelecer conceitos fechados, identificar o nascimento de ambas as subdivisões do pensamento esquerdista e combatê-las intelectualmente. Perdem de vista que o real inimigo não é a esquerda em si, mas algo contido nela: a mentalidade revolucionária.

A mentalidade revolucionária é um estado psicológico expresso em ações políticas na qual o indivíduo ou o grupo acredita ser o portador de um futuro perfeito e idealizado, sendo, portanto, a classe perfeita e sem defeitos destinada a materializar tal futuro. Com isso, toda sorte de crimes e monstruosidades morais perfeitamente condenáveis na situação anterior da antiga ou atual sociedade serão julgados pela própria sociedade resultante do processo revolucionário, a ser o tribunal da história. Como tal sociedade só é atingida e alardeada pela própria casta revolucionária, o acerto de contas moral é postergado para o dia de são nunca, pois ela é atingível somente quando os seus indivíduos mais evoluídos atestam a sua existência. Isso explica a gama de assassinatos, roubos e genocídios protagonizados por movimentos revolucionários, no qual a sede de sangue e poder é insaciável e justificada em nome de um futuro idealizado.

Em todos os movimentos messiânicos de cunho revolucionário a crueldade, a baixeza e o assassinato estão presentes. Tudo em nome das mais lindas pretensões morais. Um breve paralelo histórico mostra como tudo começou.

O movimento revolucionário como tal tem suas raízes na Europa do século XII, com o advento dos cátaros – um grupo herético que distorceu as bases do Cristianismo e representou séria ameaça à Igreja Católica. As bases da civilização ocidental começam a ser colocadas em xeque. No século XV os revolucionários ganham corpo e a partir de então a metamorfose do movimento começa a ser observada. A Reforma Protestante, por mais que tenha produzido bons resultados em determinadas nações, foi a gota d’água para o transbordamento de movimentos messiânicos subversivos. Suas implicações não foram tão profundas até o surgimento do liberalismo e, consequentemente, do secularismo. Com a secularização da cultura, os intelectuais e teóricos políticos passaram a pensar o mundo, a sociedade e a política fora das tradições cristãs que fincaram raízes civilizacionais concretas.

A desgraça não tardaria a acontecer. A Revolução Francesa não começou na Assembleia Nacional Constituinte, nem na queda da Bastilha. Começou nos livros. Começou com o ódio fulminante ao Cristianismo de pensadores como Voltaire e Diderot. Começou com uma nova visão da natureza humana de Rousseau. Não por acaso, a Igreja Católica foi a instituição que mais sofreu ataques dos revolucionários franceses: padres e freiras foram assassinados, bispos foram guilhotinados e as terras da Igreja foram tomadas. O livro ‘’Reflexões sobre a revolução na França’’ de Edmund Burke mostra a estupidez do caso francês.

Eis que surge o comunismo. De todas as facetas do movimento revolucionário, é a mais assassina, cruel, covarde e sanguinária. Onde foi colocado em prática, o comunismo matou mais de 100 milhões de pessoas – entre assassinatos políticos e mortes por desnutrição causadas pela fome e pela miséria. O ateísmo antirreligioso também é uma de suas marcas. Só que aqui há uma diferença crucial: enquanto os outros estágios do movimento revolucionário tinham modos e objetivos bem definidos, o comunismo joga no lixo tal rigidez ao introduzir a dialética como fundamentação teórica de seu modus operandi. O paradoxo e a contradição passam a ser não apenas consequências inevitáveis, mas desejáveis.

Isso explica, por exemplo, o porquê da ambiguidade em relação ao nacionalismo. Se no começo o comunismo era internacionalista para combater a identidade nacional atrelada ao reacionarismo burguês, ele passou a apoiar o nacionalismo no Terceiro Mundo como resistência ao imperialismo americano capitalista. Se antes a homofobia era traço inegável dos primeiros comunistas em reação à decadência do modo de vida burguês, a defesa dos homossexuais passou a ser pauta dos partidos comunistas como legítima resistência ao moralismo burguês. A duplicidade moral é inegavelmente o modus operandi comunista.

Vejam o último caso. A esquerda faz um escarcéu dos diabos se alguém faz piada com gay ou coloca a homossexualidade em posição inferior à heterossexualidade – fato comprovado há tempos. Exige leis restritivas à opinião nos países ocidentais e promovem verdadeiros assassinatos de reputações aos que teimam em não dizer amém ao ativismo politicamente correto em relação ao movimento LGBT. Demonizam a civilização cristã e a própria religião como fatores motivacionais a uma perseguição inexistente.

Porém, toda essa indignação não é vista quando homossexuais são perseguidos, espancados e até mesmo executados em países islâmicos. O Estado Palestino, por exemplo, é o queridinho da grande mídia e do esquerdismo chique ocidental por fazer contraponto em relação a Israel – país que também não é santo, pois é bastante progressista. Lá a perseguição aos homossexuais é severa e muitos deles fogem para Israel, uma vez que lá a homossexualidade não é crime.

A militância esquerdista tem verdadeiro ódio ao Ocidente e quer destruí-lo dia e noite. Por isso abraça o multiculturalismo, que em suma é nada mais que um modo de eliminar os valores cristãos e patrióticos ocidentais. Em nome dele, vale tudo, até ignorar a militância LGBT e claros exemplos daquilo que no Ocidente inexiste – ou se existe, é limitado.

Paradoxo é a cara da esquerda. Ela é a facção política abrigadora do movimento revolucionário, que para atingir seus objetivos tem uma duplicidade de valores próprio da mentalidade revolucionária. Enquanto os conservadores não aprenderem de uma vez por todas que a hipocrisia e a volatilidade são traços comuns ao inimigo, continuarão sem entender nada.

Referências:

  1. https://pt.gatestoneinstitute.org/12555/palestinos-gays
  2. https://www.bbc.com/portuguese/noticias/story/2003/10/031022_palestinosml.shtml
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Jornalista. Escreve sobre politica brasileira e americana, com análises não vistas na grande mídia.

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