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Análise

Nuances de uma eleição decisiva

Carlos Júnior

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Nuances de uma eleição decisiva
Jonathan Drake/Reuters

Chegamos ao ano de 2020, ano de eleição presidencial nos Estados Unidos. Em um país historicamente dividido em dois partidos e com eleições ajustadas, qualquer previsão com ares de certeza absoluta sobre o que irá acontecer é imprudente. O passado recente confirma isso ao mostrar que na última disputa as pesquisas, os jornais e os ditos comentaristas políticos erraram feio ao darem como certa uma vitória de Hillary Clinton – o The New York Times precisava em 90% as chances de um triunfo democrata.

Donald Trump é o atual presidente e partirá para uma reeleição. Em meio a um processo de impeachment movido por interesses políticos pelo Partido Democrata – já deixei isso claro em outro artigo – ele larga com vantagem sobre os demais concorrentes. E com a provável escolha dos democratas entre Joe Biden e Bernie Sanders, a sua vitória começa a ser desenhada – ainda que não possa ser dada como patente.

Explico: Trump foi eleito com uma plataforma política conservadora, nacionalista e antiglobalista. Sua vitória foi um tapa na cara do globalismo, do esquerdismo chique e de todos os inimigos da América. Representou a conquista definitiva do Partido Republicano pelos eleitores conservadores que desprezam a ideia do governo mundial, da intervenção americana em outros países e da submissão dos EUA à ONU e outras organizações supranacionais. Não à toa os neocons – conservadores adeptos da exportação da democracia americana na base do porrete – votaram em Hillary Clinton em 2016.

O resulto prático desta plataforma política de Trump veio em novos acordos comerciais, volta de fábricas americanas para os EUA e o enfrentamento do problema chinês através da sobretaxa de produtos chineses. Embora o último ponto seja discutível pelos impactos inicialmente negativos, é certo que Trump conseguiu fazer o prometido na campanha eleitoral com o lema America First. Ao deixar o Acordo do Clima de Paris e dissolver o NAFTA, o governo Trump devolveu aos EUA parte da soberania perdida com as políticas globalistas das gestões anteriores. Ainda é pouco para derrubar os planos dos Rockfellers, Soros e Rothschilds, mas é um bom começo.

Na economia, Trump conseguiu números fantásticos. O desemprego é o mais baixo em 50 anos. O crescimento da economia americana também é satisfatório ao longo do mandato: em 2017 foi de 2,2% e em 2018 de 2,9%. Os salários das famílias americanas aumentaram 2,9% de setembro de 2017 para o mesmo mês de 2018. Isso se deve a reforma tributária do governo aprovada em 2017, que estabeleceu o maior corte de impostos e regulações da história dos EUA. Embora desde a sua vitória as previsões apocalípticas de recessão econômica sejam constantes, Trump entregou crescimento e melhorias significativas para o american people. Uma economia sólida e em expansão é um fator nada desprezível para um triunfo eleitoral.

O aspecto cultural também não passou despercebido pela atual gestão. Donald Trump colocou dois juízes conservadores na Suprema Corte, algo festejado pela base eleitoral do Partido Republicano. Neil Gorsuch e Brett Kavanaugh são constitucionalistas, ou seja, defendem a interpretação original da Constituição americana e o direito natural, em clara oposição ao ativismo jurídico e ao direito positivo – ambos progressistas. Com isso, o presidente Trump conseguiu uma maioria por 5 a 4 de juízes conservadores, algo que pode mudar o entendimento da Suprema Corte em questões como aborto, união civil homossexual e a defesa da segunda emenda – que trata do direito de portar armas. Sem sombra de dúvidas o legado de Donald Trump passará em grande medida pelo conservadorismo na mais alta instância do judiciário americano.

Um bom termômetro para a eleição nacional é a opinião do povo americano em relação ao trabalho dos governadores estaduais. Uma pesquisa da Morning Consult mostra que os dez governadores mais populares dos EUA são todos republicanos. Em contrapartida, dos dez mais impopulares, oito são democratas. O resultado é um forte indicativo do que pode acontecer na eleição presidencial.

Com todos esses aspectos mais relevantes a apontar uma boa presidência de Donald Trump, o republicano está fortalecido para conquistar mais quatro anos na Casa Branca.

Mas o Partido Democrata não está morto. Joe Biden e Bernie Sanders, prováveis candidatos nesta eleição, são nomes interessantes e não desprezíveis. O primeiro é tido como moderado e muito popular em estados tradicionalmente azuis, mas que votaram com os republicanos na última eleição. O segundo é um socialista com forte apelo no eleitorado jovem, progressista e de grandes cidades.

Ambos representariam um retorno à era Obama na entrega da soberania americana ao globalismo, no desmonte da Constituição americana, no crescimento gigantesco da máquina burocrática do Estado americano e na destruição dos valores morais que formaram os EUA. Uma vitória azul em 2020 será o fim das conquistas civilizacionais de Donald Trump e os progressos de sua ótima presidência.

Mais: pode ser o prenúncio de um novo crescimento da esquerda no mundo – depois de vitórias esmagadoras da direita. Sob todos os aspectos, a eleição presidencial americana deste ano será emocionante e decisiva.

Referências:

  1. https://www.foxnews.com/opinion/gop-establishment-trump-revolution-steve-hilton
  2. https://www.gazetadopovo.com.br/mundo/trabalhadores-americanos-tem-o-maior-aumento-salarial-em-uma-decada-5ne1yg5ldkr1lcqkq6iocedir/
  3. https://thehill.com/opinion/finance/477923-a-gop-led-edge-red-states-see-less-unemployment-more-economic-growth
  4. https://www.usnews.com/news/best-states/articles/2019-07-19/the-most-popular-and-least-popular-governors
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Jornalista. Escreve sobre politica brasileira e americana, com análises não vistas na grande mídia.

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