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No Ipiranga, às margens do mimimi

Francisco Teodorico

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No país do mimimi a última polêmica é o pedido de cumprimento voluntário do MEC de que as crianças cantem o Hino Nacional nas escolas de ensino fundamental, com o objetivo de defender o patriotismo nas escolas.

A carta, como informa o Conexão Política [02], diz:

“Brasileiros! Vamos saudar o Brasil dos novos tempos e celebrar a educação responsável e de qualidade a ser desenvolvida na nossa escola pelos professores, em benefício de vocês, alunos, que constituem a nova geração. Brasil acima de tudo. Deus acima de todos!”.

No e-mail em que a carta foi enviada, pede-se ainda que, após a sua leitura, professores, alunos e demais funcionários da escola fiquem perfilados diante da bandeira do Brasil, se houver na unidade de ensino, e que seja executado o Hino Nacional.

Desde minha infância até meus 14 anos, cantei o hino nacional na escola pública onde estudava, com hasteamento da bandeira e sempre torcia para ser o aluno escolhido para hasteá-la (está aí uma ideia: o aluno destaque da semana pode ser o homenageado com essa honra). Não cresci traumatizado, pelo contrário, sempre me emocionei ao ouvir nosso hino.

Em que outro lugar no mundo cria-se polêmica por seguir uma lei? Sim, é lei!!! E o mais irônico disso tudo é ver quem são os nomes ao final do documento (o vice-presidente à epoca, da chapa do PT, e… Fernando Haddad!). Confira.

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Confesso que por alguns instantes eu cheguei a ficar em dúvida se ainda é um evento cívico cantar o hino nacional (perdemos o hábito, infelizmente), afinal, o alvoroço que foi criado é desproporcional ao fato. Porém, de fácil entendimento quando vemos quem são os acusadores…

Ouvi diversas críticas à inciativa sobre a filmagem das crianças (até sobre estarem perfiladas!) como se o Governo quisesse instalar um Big Brother, que obrigasse todos a utilizar esse protocolo, mas bastou ler a mensagem do Ministro (o que muitos jornalistas famosos do establishment parecem não ter feito) para que, desde que tenha uma mínima condição de interpretação de textos simples, se notasse que fizeram uma tremenda tempestade em um copo d’água.

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O MEC fez um pedido e não uma ordem para filmar os alunos cantando! Fica a critério das escolas e dos pais atender ao pedido. Ricardo Vélez disse que “os diretores que desejarem atender voluntariamente o pedido do ministro” deveriam enviar os vídeos para a assessoria de imprensa do MEC e para a Secretaria Especial de Comunicação Social (Secom) da Presidência da República, como informado pelo site Renova Mídia. [01]

O establishment dissemina a informação como se soldados fossem se posicionar na porta das escolas averiguando se a ordem estava sendo seguida. Essas atitudes infantis são lamentáveis e um desserviço ao país. Entretanto para atingir essa meta é necessário ter amor ao país e não ao poder, a interesses próprios, mas enfim, continuemos…

O duplo padrão moral dos esquerdistas é inacreditável e devem acreditar que ainda vivemos na época onde não tínhamos a informação por demanda, onde elas chegavam pré-formatadas em nossas casas:

1) Filmar criança tocando homem pelado em museu, alegam (inclusive as mídias impregnadas de esquerdistas) ser arte; quem discorda é fascista;

2) Filmar criança cantando hino nacional em escola alegam ser abuso; quem discorda também é rotulado de fascista.

A indignação do establishment é curiosamente seletiva, pois não consideram o fato muito mais grave de crianças Sem Terrinha cantarem a Intenacional Socialista em suas escolas ao invés do Hino Nacional de nosso país. Fingem não ver que o certificado fornecido pelo MST da campanha de alfabetização “Sim, eu posso!” trazer impressa a bandeira de Cuba e não trazer a do Brasil. E que não me venham argumentar que o motivo é que o método é cubano (já imaginamos o que é ensinado à essa massa de manobra) porque dá-me preguiça mental só de pensar em desconstruir esse argumento.

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O que dizer então do Caderno de Educação do MST?

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O surrealismo é tanto que tenho a sensação que Barcelona é aqui…

Filmamos nossas crianças dançando quadrilha, fazendo apresentação no dia das mães, qual o problema de filmar cantando o hino e hasteando a bandeira???

Em estádios de futebol, em quadras de vôlei quantas vezes não vemos nossas crianças cantando o hino, em nossas tvs? Será que elas devem também ser proibidas? Se tomarmos esse caminho onde vamos parar? Chegaremos ao tempo em que teremos receio até de cumprimentar (ou não fazê-lo) quem passa ao nosso lado pois não saberemos se é um legalista ou não.

Há quem contra-argumente que os filmes feitos em eventos festivos nas escolas são para arquivo pessoal e que quando a escola filma para enviar ao governo caracteriza-se uma situação diferente.

Também argúem que se tivermos um outro Governo totalitário como os anteriores que seu representante poderia pedir essa gravação.

Ora, uma simples análise desconstrói facilmente esses argumentos:

1) não é difícil encontrar em sites de escolas vídeos e fotos de eventos comemorativos para o livre acesso do internauta;

2) se o Governo fosse usar esse tipo de ferramenta, certamente não seria um vídeo, onde nossos filhos podem aparecer por alguns segundos, que faria com que eles obtivessem a informação que desejam. Solicitar a ficha do aluno à secretaria da escola (com os dados do aluno) seria mais eficiente, não? Isso já começa a chegar no limite da paranóia.

O direito dos pais de não desejarem que a imagem dos filhos seja exposta é justo, mas nosso Ministro já abordou o assunto em sua mensagem original, como você pode observar na cópia, impressa neste artigo.

Qualquer um que queira se precaver, pode entregar, de próprio punho, um documento redigido solicitando que a imagem de seu filho não seja usada sem sua autorização. E vou até mais longe, as escolas poderiam manter um requerimento pré-formatado, com fornecimento de número de protocolo, para que os pais interessados apenas o assinassem.

Resumindo: é muito fácil encontrar uma solução pacífica para esse pseudoproblema, mas o objetivo dos acusadores não é caminhar rumo à solução, mas tumultuar (eles usam o eufemismo “resistir ao”) o governo até seu último dia de mandato, todos nós sabemos disso.

“Cantar o hino nacional não é constrangimento, é amor à pátria. Slogan de campanha foi um erro. Já reconheci. Foi um erro e retirei imediatamente. Quanto à filmagem, só será divulgada com a autorização da família.”
(Ministro Ricardo Vélez Rodríguez)

Quanto ao “slogan de campanha” entramos numa questão de interpretação.

Somos um país predominantemente cristão (católico) e patriota, logo, o slogan nos representa como povo. Mas como isso dá margem a mais mimimi, sabiamente o Ministro recuou e retificou a orientação dada pelo MEC. E claro, o establishment não poderia deixar de tripudiar sobre uma decisão que deveria ser, na verdade, enaltecida. Gostaria de poder acreditar que o costume adquirido pelos últimos governos autoritários que tivemos fosse o causador dessa estranheza, mas nem com muito esforço eu conseguiria.

Resumindo: a obrigatoriedade (que é legal) é que o hino seja cantado uma vez por semana. Se continuarem reclamando, vamos propor que seja todos os dias, com meninos vestindo azul e meninas vestindo rosa. E se persistirem com o mimimi, vamos nós, os pais nos perfilarmos atrás das crianças para cantarmos juntos.

 


[01] MEC retira slogan e dá mais detalhes sobre execução do hino
[02] Ministério da Educação envia carta à todas as escolas do Brasil

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Pai, casado, católico, matemático, analista de sistemas, pós-graduado em Gestão de TI (USP), enxadrista, karatedoka, especialista em Gestão do Tempo.

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