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Jesus era de esquerda, direita ou de centro?

Pastor Jaaziel Marcelo

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Imagem: Divulgação/Conexão Política

Nestes tempos de resgate de ideologias, vemos um debate interessante surgir. Vez por outra um defensor da esquerda chama Jesus para dentro do debate. Logo a seguir, vemos um conservador ou liberal esclarecer a questão.

Mas afinal de contas: Jesus era um revolucionário de causas esquerdistas? Um socialista ou comunista? Ou seria Jesus um liberal, um conservador de direita? Ou talvez um moderado de centro-direita?

Bem, vamos lá. Para começar, devemos entender que Jesus viveu num arranjo geo-político totalmente diferente do que vemos na atualidade. E talvez uma situação difícil de se ajustar ao espectro político dos nossos dias.

A partir de 63 d.C., o império romano chegava ao Oriente Médio com a conquista de Jerusalém pelo general Pompeo. A terra de Canaã era estrategicamente importante e agora estava sob domínio romano. Apesar deste domínio, havia uma flexibilização em relação aos israelitas. Eles podiam continuar cultuando ao seu único Deus, o sistema religioso, a língua sagrada (hebraico) e demais costumes foram permitidos. Inclusive os pequenos tribunais de justiça e a suprema corte judaica continuavam funcionando e com jurisdição para resolver as questões relativas ao povo e sua observância dos mandamentos judaicos. Apenas não governavam e deveriam pagar os altos impostos para Roma.

É neste contexto político social que Jesus vem ao mundo. Filho de um carpinteiro e uma jovem dona de casa (estou analisando aqui do ponto de vista humano e não espiritual. Eu sei que Ele era filho de Deus!)

Era costume que o filho seguisse os passos do pai e herdasse sua profissão. Com Jesus não foi diferente. Os judeus tinha um ritual de passagem para a vida adulta onde os meninos eram apresentados no Templo diante dos anciãos e, a partir daí, poderia participar das atividades ao lado do pai no espaço reservado para os homens. Esse ritual se dava aos 12 anos de vida.

Quando Jesus foi ao Templo para este fim, vemos o adolescente debatendo com os sábios de sua época de igual para igual. Após este evento, os Evangelhos vão narrar os acontecimentos a partir dos seus 30 anos aproximadamente. E ele surge fazendo discípulos e milagres que chamaram a atenção do povo para seus ensinos. Jesus começa a ensinar, viajar, curar, libertar e a discursar nas sinagogas. Não poucas vezes foi questionado sobre o ambiente político de sua época.

Podemos ver 4 grupos ou seitas político-religiosas que eram reconhecidos com assentos no Supremo Tribunal de Justiça judaico, o Sinédrio.

1) Os Fariseus – (ala direita conservadora). Era o grupo mais numeroso e com forte apelo
popular. Com uma mentalidade político-religiosa, eram defensores do cumprimento literal dos mandamentos judaicos com exacerbadas ampliações. Mas esta “capa” de santidade era apenas uma fachada que muitas vezes ocultava uma profunda hipocrisia que foi severamente denunciada por Jesus em seus discursos.

2) Os Saduceus – (ala liberal). Eram o grupo dos sacerdotes aristocráticos, leigos e
proprietários de terras. A elite empresarial da época de Jesus. Defendiam o pacto com o império romano e no aspecto religioso eram pouco propensos a dogmas ou observância complexa da lei de Moisés.

3) Os Herodianos – (ala minoritária monárquica). Eram amigos dos reis descendentes de
Herodes e contrários à dominação romana.

4) Os Zelotes – (movimento de resistência armada). Eram patriotas ardentes e nacionalistas.
Uma espécie de MST ao contrário. Lutavam clandestinamente contra a dominação romana através de guerrilhas e ataques. Eram uma espécie de terroristas religiosos da época.

Em Mateus 22.17-21 questionam o Mestre sobre pagamento de impostos. Se considerarmos sua resposta “… dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus.” soa meio centro-isento, alguém que não quer se envolver muito com política mas não prega a desobediência às leis de sua época.

Mas isso não faz de Jesus um isento ou apolítico. Ele sempre combateu a corrupção, os desvios e a desigualdade social de sua época. Jesus está mais pra Sérgio Moro que para Gilmar Mendes.

Havia corrupção naquela época? Sim e em muitos meios. Os cobradores de impostos, por exemplo, eram chamados Publicanos, ou seja, funcionário público. Eles poderiam facilmente cobrar mais do que o exigido por Roma e acumular para si estas riquezas.

Outro que era a representação da corrupção da época era o Sumo-sacerdote. Ele era também o presidente do Supremo Tribunal, o Sinédrio. Aquele mesmo que condenou Jesus sem provas. Só que sem provas mesmo!

E como funcionava o mecanismo da época de Jesus? Simples. Todas as vezes que os judeus vinham ao Templo para os sacrifícios rotineiros, deveriam trazer animais considerados puros ou autorizados para o sacrifício. Quem faria o exame para ver se o animal era mesmo puro (conforme a lei mosaica mandava)? Bingo! Os sacerdotes. O esquema era o seguinte: o sacerdote recusava o animal trazido pelo fiel. Apontava um erro aqui, uma falha ali, outra acolá. O fiel então via-se obrigado a adquirir com mercadores que faziam a maior feira com animais em frente ao Templo.

Obviamente eles pagavam propina para os sacerdotes e os lucros assim eram divididos. O Sumo-sacerdote certamente recebia o seu quinhão. Jesus revoltou-se tanto com esta situação que chegou a partir pra violência contra os mercadores do Templo.

“E, entrando no templo, começou a expulsar todos os que nele vendiam e compravam, Dizendo-lhes: Está escrito: A minha casa é casa de oração; mas vós fizestes dela covil de salteadores. E todos os dias ensinava no templo; mas os principais dos sacerdotes, e os escribas, e os principais do povo procuravam matá-lo. E não achavam meio de o fazer, porque todo o povo pendia para ele, escutando-o.” (Evangelho segundo Lucas 19:45-48)

Podemos ver que o que salvou Jesus de uma morte precoce e o fim de sua carreira foi o apelo popular. O texto acima ainda foi bem “light”. O de Marcos diz que Ele derrubou as mesas dos cambiadores e as cadeiras dos que vendiam pombas.

Seria então Jesus um esquerdista revolucionário pregando uma revolução armada? Se lermos o que Ele disse em Mateus 10.34: “… não vim trazer paz mas espada.” Parece que sim. Mais tarde vemos Jesus pregando o estabelecimento do Reino de Deus de forma pacífica ao dizer: “Não será assim entre vós; mas todo aquele que quiser entre vós fazer-se grande seja vosso serviçal.” (Mateus 20:26)

Então qual seria a ideologia política atual mais próxima das ideias de Jesus? Talvez a resposta seja mais simples se mudarmos a pergunta: Qual a ideologia política atual NÃO se aproxima e nem se parece com os ideais pregados e defendidos por Jesus inclusive com o sacrifício de sua própria vida? Agora fica mais fácil de responder.

Sem dúvida alguma nenhuma ideologia de esquerda (seja ela socialista, comunista ou a famigerada social-democrata) se parece com os ideais judaico-cristãos.

Em nenhum momento você verá Jesus apregoando o inchaço e a super-valorização do controle do Estado (ou governo) sobre o homem. Jesus jamais estimulou a multiplicação da pobreza ou exaltou a destruição de valores como justiça, família, honestidade, fidelidade e nobreza.

Concluo dizendo que Jesus estava mais para um conservador nos valores e estimulador de políticas de amparo aos pobres, órfãos e viúvas. Parcelas mais desfavorecidas de sua época e até hoje o são.

Se você pretende levar o conteúdo deste artigo em consideração na hora de escolher em quem votar, pergunte-se a si mesmo: o meu candidato poderia convidar Jesus para sua administração ou mandato legislativo? Se a resposta for sim ou próxima de sim, então você está pensando em votar na pessoa certa. Shalom!

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