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Golden Shower: a análise que precisa ser feita, doa à quem doer

Alain Ibrahim

Publicado

em

Divulgação: Conexão Política

Existem 4 aspectos importantes que devem ser analisados no episódio do ‘Golden Shower’ bestialmente protagonizado por duas soturnas entidades durante o Carnaval deste ano.

O primeiro é o político, da relevância estratégica que poderia existir na interposição presidencial sobre mais um de tantos tristes episódios de nossa maior festa popular. Antes de mais nada, é imprescindível deixar muito bem esclarecido ao leitor que a minha visão como eleitor e cidadão é que o presidente da república tem não apenas o direito mas o dever de posicionar-se sobre assuntos e questões do dia a dia cultural do país, principalmente aqueles que tem origem na deterioração moral da sociedade brasileira, que foi uma das principais bandeiras do presidente durante a campanha eleitoral – ao contrário de outros analistas, eu não acredito que a guerra cultural tenha sido vencida em definitivo. Essa é a minha forma de observar a questão enquanto eleitor e cidadão.

Agora, analisando o acontecimento como analista político, não consigo compreender quais benefícios ou vantagens o presidente poderia extrair manifestando-se diretamente sobre o episódio deplorável que chamam de Golden Shower. O governo vive o primeiro de muitos momentos críticos para sua articulação, diante do imenso desafio de conseguir aprovar no congresso a tão necessária reforma da previdência com um texto o mais próximo possível do projeto original enviado pela equipe econômica do Palácio do Planalto. Qualquer questão polêmica neste momento evidentemente converter-se-ia em questionamentos naturais da base oposicionista que naturalmente utilizará o caso para sustentar o discurso de que o presidente não está completamente focado nas soluções dos principais problemas do país. Ao dar o chicote ao carrasco para reclamar do açoite, o governo demonstra uma certa fragilidade em sua assessoria estratégica, o que causa preocupação quando constatamos o nível de habilidade política que será exigida desta equipe para viabilizar as reformas estruturais no congresso nacional. É preciso que aqueles que fornecem suporte estratégico ao presidente, sejam os ministros mais próximos como Paulo Guedes, Onyx Lorenzoni e General Heleno, ou quaisquer assessores especiais, tenham em mente que não existe espaço para lapsos de atenção quando se trata de estratégia e articulação política em nível executivo.

O segundo aspecto que deve ser discutido neste tema é o jornalístico. Na tentativa deliberada de desgastar a imagem do governo, a ‘grande mídia’ é capaz de utilizar sem qualquer constrangimento a tática dialética da inversão de valores. Ao invés de discutirem o lamentável estado de deterioração moral o qual se encontra a sociedade brasileira, os ‘analistas’ dos canais que formam este grupo da mídia dominante invertem a discussão e condenam a atitude do presidente de questionar o comportamento obsceno daquelas criaturas, elevando-as ao patamar de vítimas de uma superexposição, ignorando completamente o fato de que os indivíduos realizaram sua performance em local público, em plena luz do dia, e que suas nojentas imagens já estavam circulando na internet muito antes do perfil presidencial mencioná-las. Tão desprezível quanto o ato pornográfico em si é a tentativa destes jornalistas de vitimizar o criminoso e culpabilizar a vítima para tentar manter o monopólio da narrativa.

O terceiro aspecto é o suposto impacto sobre a imagem do Brasil internacionalmente, que estaria sendo prejudicada com a disseminação da verdade sobre o que é o estado de degeneração moral ao qual se encontra nossa sociedade, em especial durante o período do Carnaval quando uma grande parte dos ‘foliões’ parece crer que a data permite o despejo de dejetos comportamentais goela abaixo daqueles que não apreciam a incivilidade explícita. É inacreditável que essa conversa fiada de que o presidente estaria denegrindo a imagem do Carnaval brasileiro frente ao mundo ao compartilhar o tal vídeo ainda seja encarada como algo sério por quem quer que seja. O Brasil, terra de belezas naturais incomparáveis, terra do próprio Carnaval, não consegue receber sequer 6 milhões de turistas estrangeiros. O Brasil perde neste índice para o número de estrangeiros que visitam, especificamente, a torre Eiffel em Paris. O Brasil inteiro recebe menos de 1/3 dos turistas que recebe a cidade de Lisboa em Portugal, recebe menos turistas do que Santiago do Chile. O nível caótico de violência e insegurança que foi providenciado por décadas de governos socialistas tratou de dizimar completamente a imagem do Brasil como destino para turistas internacionais, principalmente os europeus. Os poucos turistas que podem ser observados no Rio de Janeiro durante o Carnaval, ou são pessoas que já estavam no Brasil por ocasião de outros compromissos, muitas vezes profissionais, ou são verdadeiros desbravadores que submetem-se aos mais variados riscos que a falta de segurança pública da cidade oferece como principal atrativo. Isso não é novidade para ninguém, vestir fantasia de indignação por finalmente um presidente deste país reconhecer publicamente a verdade que está derramada nas ruas de nossas cidades todos os dias é não mais do que uma tentativa risível de enganar-se à si mesmo e outros pobres coitados que preferem crer em qualquer coisa do que analisar os problemas com seus próprios olhos.

Aproveitando essa deixa, o quarto tópico de discussão deste assunto é o mais importante e o que concerne a razão mesma de toda essa discussão: o aspecto cultural. O vídeo do tal Golden Shower deve ser encarado com expressa indignação sim, mas jamais como surpresa. Para qualquer um que já esteve em meio aos blocos de Carnaval, seja no Rio de Janeiro, seja em Salvador ou em qualquer cidade deste país, sabe perfeitamente o nível de barbarismo que é comumente encontrado nos dia de folia. Não que seja usual observar pessoas urinando umas nas outras, isso é talvez o ápice da barbárie propriamente, mas deparar-se com ‘cidadãos’ urinando em local público e aberto, vagando deploravelmente sob o efeito de injeções letais de toda a sorte de drogas, libertinagem explícita e violência generalizada são decorações deprimentes de um espetáculo fúnebre que ano após ano agrava-se nas folias de Carnaval.

Não é uma regra, é evidente que boa parte das pessoas procuram nos blocos de rua um divertimento saudável, e muitos destes tentam da maneira que lhes é possível manter o mínimo de civilidade que é esperado de um cidadão normal. Mas da mesma forma que o nível de asquerosidade de um ser humano urinando sobre a cabeça de outro não pode ser tomado como lugar comum da falta de educação presente nas comemorações carnavalescas, o fato de existirem muitas pessoas que tentam participar destes eventos munidas de comportamento aceitável não anula o abrutamento e a imbecilidade comportamental com que muitos impõe como lazer no mesmo período. Se não discutirmos profundamente a incivilidade crescente do brasileiro agora, como não foi discutido há 10 anos atrás, quando um espetáculo patético como esse Golden Shower era impensável, o que estaremos discutindo daqui há outros 10 anos?

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3 Comentários

3 Comments

  1. Henri

    09.03.2019 at 14:57

    Analise excepcional expoe com clareza como a midia nacional inverte o merito dos acontecimentos de acordo com seus interesses

  2. Adauto Meireles

    08.03.2019 at 20:58

    Parabéns, sua análise foi perfeita. Essa barbárie só está sendo discutida, graças ao presidente, ter compartilhado em seu twitter.

  3. Adgefeson Rodrigues

    08.03.2019 at 16:14

    Excelente matéria jornalistica. .

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