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Estudiosos estrangeiros também são contra o ‘lockdown horizontal’ no combate ao Corona Vírus

Bruno Lustosa

Publicado

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Visão e Efeito do Problema

Em diversas partes do mundo estudiosos alertam para o perigo do isolamento além de 15 dias pois entendem os efeitos negativos na economia.

O lockdown horizontal sem um prazo determinado, sem planejamento pode causar uma crise sem precedentes na economia mundial e no caso do Brasil os efeitos podem ser catastróficos.

Bolsonaro vem defendendo energicamente o retorno às atividades econômicas da população que não se encaixa em grupo de risco e como ninguém conhece como nosso país funciona.

 Situação dos trabalhadores no Brasil

Apenas 23% dos brasileiros que trabalharam ou procuraram emprego (PEA – IBGE) em 2019 tinham CLT.

Segundo Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua.[1]

  • 11,6 milhões desempregados;
  • 38,3 milhões de trabalhadores sem carteira ou CNPJ;
  • 19,3 milhões de trabalhadores por conta própria;
  • 4,5 milhões de empregadores.

Os autônomos, os que possuem CNPJ, motoristas de aplicativos como Ifood, Uber, 99 e outros que não podem deixar de trabalhar um dia pois é um dia sem pão na mesa.

No Lockdown Vertical a medida de confinamento deve ser apenas para o grupo de risco (pessoas acima de 60 anos, gestantes, com baixa imunidade, com problemas cardíacos, diabéticos, com câncer e etc.) e o restante das pessoas iriam retornar às suas atividades de trabalho normais tomando os devidos cuidados e precauções.

O país por exemplo tem muitos problemas como: 48% de saneamento básico, condições de moradia difíceis, renda média de R$ 1.438,67 (segundo IBGE) e portanto não tem estrutura para ter um lockdown horizontal por menor que seja.

Antes de as pessoas sairem postando na redes sociais o quanto está sendo doloroso ficar em casa, deveriam estudar e acompanhar os dados e compreender a realidade do seu país. Essas pessoas devem ter consciência que no Brasil nem todo mundo pode exercer o poder de escolha sobre suas vidas em situações como essa, ou seja, trabalha ou morre de fome.

Radicalismo não podem ser adotado contra quem precisa da renda diária para levar o pão pra casa e contra o empresário pois este tem gastos com matéria prima, com produção e contratação de mão de obra gerando riqueza para o país.

O país ainda muitos quesitos abaixo da média da OCDE como segurança, moradia, renda, escolaridade. Dados levantados pelas OECD Better Life.[2]

Estudiosos e especialistas tem a mesma opinião que Bolsonaro

Dr. John P.A. Ioannidis, epidemiologista e co-diretor do Meta-Research Innovation Center de Stanford, apontou em um ensaio de 17 de março no statnews.com, que ainda não se tem dados precisos e confiáveis da taxa de mortalidade de coronavírus em toda a população. Uma análise de algumas das melhores evidências disponíveis atualmente indica que pode ser de 1% e até menor.

 “Os dados coletados até agora sobre quantas pessoas estão infectadas e como a epidemia está evoluindo não são totalmente confiáveis. Dados os limitados testes realizados até o momento, algumas mortes e provavelmente a grande maioria das infecções por SARS-CoV-2 estão sendo perdidas. Não sabemos se não conseguimos capturar infecções por um fator de três ou 300. Três meses após o surgimento do surto, a maioria dos países, incluindo os EUA, carece da capacidade de testar um grande número de pessoas e nenhum país possui dados confiáveis sobre a prevalência do vírus em uma amostra aleatória representativa da população em geral.

Esse fiasco de evidências cria uma enorme incerteza sobre o risco de morte do Covid-19. As taxas relatadas de casos fatais, como a taxa oficial de 3,4% da Organização Mundial da Saúde, causam horror – e não têm sentido. Os pacientes que foram testados para SARS-CoV-2 são desproporcionalmente aqueles com sintomas graves e maus resultados. Como a maioria dos sistemas de saúde tem capacidade limitada de teste, o viés de seleção pode até piorar no futuro próximo.

[…]Essa enorme variedade afeta marcadamente a gravidade da pandemia e o que deve ser feito. Uma taxa de mortalidade de casos em toda a população de 0,05% é menor que a influenza sazonal. Se essa é a verdadeira taxa, trancar o mundo com conseqüências sociais e financeiras potencialmente tremendas pode ser totalmente irracional. É como um elefante sendo atacado por um gato doméstico. Frustrado e tentando evitar o gato, o elefante acidentalmente pula de um penhasco e morre.[3]

 O Dr. Steven Woolf, diretor emérito do Centro de Sociedade e Saúde da Virginia Commonwealth University descreveu: “A resposta da sociedade ao Covid-19, como fechar negócios e bloquear comunidades, pode ser necessário coibir a disseminação da comunidade, mas pode prejudicar a saúde de outras maneiras, custando vidas. Imagine um paciente com dor no peito ou acidente vascular cerebral em desenvolvimento, onde a velocidade é essencial para salvar vidas, hesitando em ligar para o 911 por medo de pegar o coronavírus. Ou um paciente com câncer que precisa adiar a quimioterapia porque a unidade está fechada. Ou um paciente com enfisema avançado que morre por falta de uma instalação com um ventilador…o estresse e as doenças mentais de nosso fechamento da economia, provocando demissões em massa.”

“A renda é um dos preditores mais fortes dos resultados de saúde – e de quanto tempo vivemos”, disse Woolf. “Os salários perdidos e as demissões estão deixando muitos trabalhadores sem seguro de saúde e forçando muitas famílias a renunciar aos cuidados de saúde e medicamentos para pagar por comida, moradia e outras necessidades básicas[…]Trabalhadores de baixa renda que conseguem economizar para comprar mantimentos e chegar à loja podem encontrar prateleiras vazias, deixadas para trás por compradores em pânico com os recursos acumulados. ”[4]

 Dr. David L. Katz, diretor fundador do Centro de Pesquisa em Prevenção de Yale-Griffin, financiado pela Universidade de Yale, e especialista em saúde pública e medicina preventiva também escreveu um artigo no NYT sobre este delicado tema.

Na sua visão Katz definiou 3 objetivos:salvar o maior número de vidas possível, garantir que o sistema médico não fique sobrecarregado – mas também garantir que, no processo de alcançar os dois primeiros objetivos, não destrua a economia americana e mundial e como resultado trágico disso, ainda mais vidas:

 “Estou profundamente preocupado que as conseqüências sociais, econômicas e de saúde pública desse colapso quase total da vida normal – escolas e empresas fechadas, reuniões proibidas – sejam duradouras e calamitosas, possivelmente mais graves do que o número direto do próprio vírus. O mercado de ações voltará no tempo, mas muitas empresas nunca o farão. O desemprego, o empobrecimento e o desespero que provavelmente resultarão serão flagelos de saúde pública de primeira ordem.

 Pior, temo que nossos esforços façam pouco para conter o vírus, porque temos um sistema de saúde pública com recursos limitados, fragmentados e com subfinanciamento permanente. Distribuir esses recursos limitados de maneira tão ampla, superficial e ao acaso é uma fórmula para o fracasso. Você tem certeza das melhores maneiras de proteger seus entes queridos mais vulneráveis? Com que facilidade você pode fazer o teste?

 […]Sim, em cada vez mais lugares, estamos limitando as reuniões de maneira uniforme, uma tática que chamo de “interdição horizontal” – quando as políticas de contenção são aplicadas a toda a população sem considerar o risco de infecção grave.

Mas, como a força de trabalho é demitida em massa (nossa família já tem um filho adulto em casa por esse motivo) e as faculdades fecham (temos mais dois jovens adultos por esse motivo), jovens de status infeccioso indeterminado estão sendo enviados casa para se reunir com suas famílias em todo o país. E como nos faltam testes generalizados, eles podem estar portando o vírus e transmitindo-o aos pais com 50 e poucos anos e avós com 70 ou 80 anos. Se existem diretrizes claras para o comportamento nas famílias – o que eu chamo de “interdição vertical” – eu não as vi.”

“Confirmar que os indivíduos estão totalmente recuperados, realmente imunes e incapazes de transmitir é um elemento crucial para proteger nossos entes queridos mais vulneráveis ​​a infecções graves”[5]

  Além do lockdown horizontal outra medida também não se mostrou eficaz para o enfrentamento ao Covid-19 e foi duramente criticada que é a imunização de grupo ou efeito rebanho.

Imunidade de grupo ou efeito rebanho são expressões usadas na infectologia que fazem referência aos benefícios da aplicação de vacinas recebidos por pessoas que não as tomaram. O efeito acontece de modo indireto. Indivíduos que recebem vacinas com vírus atenuados se transformam em vetores desses parasitas. Como essas vacinas são produzidas a partir de partículas enfraquecidas, a resposta imunológica da pessoa afetada é mais eficaz. A transmissão dos vírus atenuados pode ser feita por via oral e fecal. Além disso, ao reduzir o número de doentes, reduz a chance de transmissão de seus agentes causadores, beneficiando indiretamente toda uma comunidade, inclusive aqueles que não tiveram acesso à vacinação.[6]

 Jaap van Dissel chefe do National Institute for Public Health and the Environment (RIVM) esteve reunido com deputados do parlamento holandês no dia 25/03/2020 e disse o seguinte:

“A imunidade de grupo não é absolutamente um objetivo em si”, disse Van Dissel em uma reunião com os parlamentares antes do debate de quarta-feira à tarde. A abordagem holandesa tem sido amplamente categorizada como focada na imunidade de grupos ou rebanhos, e tem enfrentado muitas críticas na mídia internacional. No entanto, a vantagem de desenvolver imunidade é que ela fortalece o impacto de outras medidas.”

Enquanto isso, uma vacina pode ser desenvolvida para proteger todos. Esse, ele disse aos deputados, é o objetivo final. “Trata-se de combater o vírus e proteger grupos vulneráveis: idosos e pessoas com problemas de saúde”, disse Van Dissel. Ele precisa encontrar um equilíbrio entre o bloqueio total e uma abordagem na qual você tenta controlar o vírus o máximo possível.”[7]

Na Holanda também aconteceu o lockdown horizontal e como visto também não demonstra eficácia.

Conclusão

 A posição de muitos estudiosos e especialistas da saúde demonstram que Bolsonaro não é inconsequente.

E demosntra que o país pode saltar na frente com todas as medidas tomadas aqui divulgadas no Conexão Política, além de iniciar Brasil inicia testes com cloroquina em pacientes infectados pelo COVID-19 em estado grave.

Além de zerar impostos sobre a azitromicina, cloroquina e mais 61 produtos farmacêuticos e médico hospitalares utilizados no enfrentamento da doença.

É claro que o enfrentamento de Bolsonaro junto ao stablishment para o desbloqueio horizontal foi mal interpretado por alguns mas assim que vencer essa batalha contra o Covid-19 sairá ainda maior do que entrou porque sua gestão é pautada na transparência e no desenvolvimento do país, na valorização da vida e na manutenção dos direitos e instituições do povo brasileiro.

[1]https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2020-02/informalidade-cai-em-janeiro-com-aumento-de-trabalhador-com-cnpj

[2]http://www.oecdbetterlifeindex.org/pt/paises/brazil-pt/

[3]https://www.statnews.com/2020/03/17/a-fiasco-in-the-making-as-the-coronavirus-pandemic-takes-hold-we-are-making-decisions-without-reliable-data/

[4]https://www.reuters.com/article/us-health-life-expectancy/u-s-life-expectancy-declining-due-to-more-deaths-in-middle-age-idUSKBN1Y02C7

[5]https://www.nytimes.com/2020/03/20/opinion/coronavirus-pandemic-social-distancing.html

[6]https://www.youtube.com/watch?v=4HJQY7rz-3c

[7]https://www.dutchnews.nl/news/2020/03/group-immunity-not-main-aim-of-dutch-anti-corona-measures-says-health-chief/

Brasileiro. Escrevo sobre história e política internacional.

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