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Escândalo

Francisco Teodorico

Publicado

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Imagem: Divulgação | Conexão Política

Brasília e Washington estão mais perto do que imaginamos.

Scandal (2012-2018) é uma série de TV de Shonda Rhimes que mostra os bastidores do poder americano. É uma das séries mais inteligentes e surpreendentes que eu já assisti e despertou em mim sentimentos antagônicos.

A personagem principal é uma advogada chamada Olivia que tem o auxílio de uma equipe de “gladiadores” que a ajudam de forma magistral a resolver os escândalos que envolvem os agentes do poder, algumas vezes com o uso de artifícios questionáveis que colocam em xeque nossos princípios.

É um exemplo perfeito de engenharia social que faz com que as pessoas deixem de enxergar o errado como tal, agregando-o à protagonista e coadjuvantes carismáticos… Isso sem entrar no mérito dos inúmeros conceitos progressistas contidos na série.

Olivia tem princípios morais, como vamos percebendo na construção da personagem ao longo dos episódios. E desde os primeiros, a história é estruturada de forma a nos aproximar dos personagens que têm em cada caso a ser resolvido uma missão a ser cumprida. As temporadas são condimentadas com eficazes músicas temáticas de fundo, sofrimento dos personagens, roteiros extraordinariamente inteligentes, atores sensacionais, etc. Uma produção extremamente envolvente.

E justamente aí é que mora o perigo.

Somente um olhar atento, crítico, fará com que você perceba como a Janela de Overton é utilizada nesta produção (Revenge, é outra ótima série que eu poderia usar como exemplo). Olivia vai, gradativamente, ganhando nossa empatia e confiança (a atriz é carismática e muito talentosa) e não percebemos como somos dirigidos para a aceitação da destruição de nossos valores conservadores.

Na terceira temporada, por exemplo, a personagem da Vice-Presidente americana, que é cristã e com princípios religiosos, até então, muito sólidos, vê-se diante de uma situação onde, para aproveitar uma oportunidade de ganhar a eleição, muda sua opinião sobre o aborto e chega até mesmo a negar sua fé!

Vemos temas como o adultério, mentiras, união homoafetiva (com adoção de criança), sexo casual, traições, fraude eleitoral, fragilização de personagens masculinos, dissimulação, manipulação, homens dominados por mulheres, relativização de diversos tipos de crimes, etc. sendo associados a personagens envolventes fazendo com que deixem de ter o impacto negativo que deveriam. Qualidades relacionadas com personagens antipáticos e que agem de forma correta também são ingredientes utilizados que confundem o telespectador.

Outros valores caros para nós também são alvos de ataque na produção.

O relativismo, na série, é usado de forma sutil para que sejamos mais “compreensivos” com as ideias que querem que sejam aprovadas. E todos nós conhecemos a linha ideológica de Hollywood…

E um olhar diante do espelho ao final dos episódios faz com que tenhamos dificuldades de nos reconhecermos.

O que fazer então? Deixar de assistir séries, filmes, etc.?

Não acredito que seja essa a solução (se bem que temos a alternativa dos bons livros). Vivemos neste mundo e devemos aprender a combater os males que nele existem de forma sábia e com reconhecimento de nossos limites.

Uma sugestão é colocarmo-nos na posição dos personagens em questão e nos perguntarmos: como eu reagiria numa situação como essa? Será que pela minha meta eu sacrificaria meus valores? Que legado quero deixar meus filhos: o financeiro ou o moral? Será que preciso ser rico e famoso? Uma vida modesta, mas honesta, é o suficiente para mim?

Alimente seus valores diariamente e esteja sempre alerta para evitar que, na sua “Series Finale”, você tenha perdido a capacidade de se espantar com escândalos.

Pai, casado, católico, matemático, analista de sistemas, pós-graduado em Gestão de TI (USP), enxadrista, karatedoka, especialista em Gestão do Tempo.

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1 Comentário

1 Comentário

  1. Avatar

    Adriel

    17.04.2019 at 09:18

    Excelente reflexão. Nunca assisti Scandal, mas já assisti (muito) outras séries da Shonda Rhimes — Grey’s Anatomy e How to get away with murder” —, que são extremamente progressistas e chegam até mesmo a serem anti-conservadoras em alguns momentos. Cheguei a assistir 11 temporadas de Grey’s Anatomy e vi o progressismo sair de algo sutil e eventual para ser uma propaganda explícita quase todo episódio. Ficou insuportável. A gota d’água para mim foi o episódio 1 da temporada 12. Abandonei a série definitivamente ali. Já a outra série dela, How to get away with murder, já começa bem mais progressista, até porque a janela de Overton já foi bastante deslocada em Greys Anatomy ao longo de mais de uma década. Também abandonei depois da temporada 3 por motivos parecidos.

    Embora as narrativas — extremamente inteligentes e bem elaboradas das duas séries — sejam envolventes e prendam o telespectador, os elementos progressistas o envenenam ao ponto da intoxicação. Na minha opinião, são peças de pura propaganda ideológica muito bem feitas justamente com este intuito. Mudar a Janela de Overton de lugar, além de irem destruindo os valores conservadores, especialmente nas gerações mais novas, pois a maioria dos consumidores das séries de Shonda são jovens e adolescentes. Os enredos atraem os jovens.

    Não há dúvidas do inegável talento de Shonda Rhimes. Pena que é usado para o mal, atacando os valores conservadores e exaltando toda a agenda progressista de forma escancarada e desonesta enganando os telespectadores incaltos e fazendo os esquerdistas e afins pularem de alegria a cada lacração que se passa em suas telas de TV, smartphones, tablets ou computadores/notebooks.

    É triste ver que bons conteúdos de entretenimento tem que vir completamente intoxicados de veneno progressista que só tem uma finalidade que já sabemos. Acho que nem preciso dizer algo tão óbvio.

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