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Entrevista exclusiva com cientista brasileiro na Holanda sobre o uso de “quinino” (HCQ) no tratamento da Covid-19

Thaís Garcia

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Imagem: Arquivo pessoal/ Itamar Braga Dias

A HCQ é da família da cloroquina, medicamento para tratamento da malária autorizado por Trump para tratar pacientes infectados pelo coronavírus chinês nos EUA

Em entrevista exclusiva ao Conexão Política, Itamar Braga Dias, bacharel em Biotecnologia pela Universidade Estadual Rutgers de Nova Jérsei nos EUA, traz uma análise sobre os possíveis tratamentos para ajudar a inibir a mortalidade e disseminação do coronavírus chinês.

Atualmente, o brasileiro Itamar Braga Dias está no último semestre de seu mestrado em Medicina Molecular e Inovações Terapêuticas (MMIT) na Universidade de Groningen, na Holanda. Ele desenvolve uma pesquisa sobre os efeitos da radiação na formação de grânulos de estresse e como esses grânulos de estresse podem iniciar o processo de agregação proteica em neurônios. Sua área de interesse é a medicina regenerativa, especificamente no uso de terapias com células tronco. Segundo Itamar, a capacidade de pluripotência dessas células abrem os horizontes para desenvolver novas terapias ou melhorar as já existentes.

A Hidroxicloroquina (HCQ)

O cientista Itamar Braga diz que o medicamento Hidroxicloroquina (HCQ) é usado para combater a malária e reumatismo desde os anos 50, está disponível nacionalmente no Brasil, é seguro (com pouquíssimos efeitos colaterais), e é muito barato.

Na verdade, há 400 anos, os índios já usavam o quinino contra a malária, segundo Itamar.

“Não era o mesmo material que temos hoje, sintético, mas era o mesmo composto. Eles tiravam da casca da árvore e faziam xaropes”, explicou Itamar.

Segundo Itamar, a HCQ é um derivativo sintético com efeitos menos tóxicos do que o encontrado no Quinino natural extraído da árvore Cinchona, um membro da família Rubiáceas. Esse produto é conhecido como forte agente imunoregulador, e a indicação inicial dele é como produto antimalárico, mas também é indicado para outras doenças como artrite reumatoide (AR), síndrome de Sjogren (SS), e lúpus eritematoso sistêmico (LES).

“Nos últimos anos, a HCQ tem sido usados em diversos experimentos anticâncer. Foi demonstrado recentemente que o pré-tratamento de pacientes com glioblastoma, o mais agressivo dos canceres no cérebro, aumentou a sobrevivência dos pacientes”, disse Itamar ao Conexão Política.

HCQ e a Covid-19

Itamar explica que o coronavírus chinês ainda é desconhecido aos cientistas, assim como seus mecanismos de ações também precisam ser investigados para saber exatamente como tratá-lo. Contudo, outros países como a Coreia do Sul já estão utilizando esse fármaco para controlar a disseminação e também tratar os casos severos.

De acordo com o cientista Itamar Braga, os testes clínicos da eficácia dessa droga ainda estão pendentes, mas já estão registrados para serem feitos. O único teste clínico feito até o momento foi conduzido na França pelo doutor Didier Raoult, do hospital l’Institut Hospitalo-Universitaire (IHU). Contudo, esse teste não segue o rito de testes clínicos normais.

“Didier Raoult fez um teste clínico não-randomizado [estudo com grupos experimentais e de controle escolhidos a partir de critérios de disponibilidade ou conveniência] e aberto, onde o paciente sabe o que vai receber e os efeitos esperados. Por isso, esse teste não é considerado um teste clínico perfeito”, explicou Itamar Braga.

No entanto, Itamar diz que o professor francês obteve resultados excelentes; e apesar de não estar publicado em revista cientifica, está sendo aceito como possível tratamento.

Segundo esse estudo, Itamar explica que os pacientes já estavam infectados com alguns já apresentando sintomas como febre e tosse. A dose usada foi de 600 mg por dia, segundo o site Connexiofrance.

“Contudo, de acordo com um consenso do grupo multicêntrico de colaboração da China, eles indicam 500mg duas vezes ao dia por 10 dias. A dose de 400mg de HCQ duas vezes ao dia, seguida de 200mg duas vezes ao dia por mais 4-6 dias pode ser considerada”, explica o cientista Itamar.

Itamar diz que segundo o teste Clinico do Prof. Didier Raoult, todos os pacientes, com e sem sintomas do coronavírus chinês, estavam livres do vírus após 6 dias.

“Então, assim que testado positivo para o novo corona vírus, esse tratamento já poderia ser iniciado. O medicamento também pode ser usado nos casos graves que ainda não necessitam do ventilador médico”, afirma o cientista Itamar Braga.

Efeitos

Itamar explica que em termos simples, o coronavírus chinês (SARS-covid-2) é da mesma família do vírus SARS-covid, que causou a epidemia da Síndrome Respiratória Aguda Grave (geralmente abreviada SARS, do inglês Severe Acute Respiratory Syndrome).

“Mesmo que o processo de internalização e proliferação do novo corona vírus ainda seja desconhecido,  é muito provável que os mecanismos sejam os mesmos do seu ‘irmão’ SARS-covid”, diz Itamar Braga ao Conexão Política.

Segundo Itamar, vários artigos científicos já mostraram que o zinco intracelular inibe o trabalho de uma das enzimas responsáveis (RNA polimerase RNA-dependente, RdRp) de fazer cópias do genoma para a formação de novos vírus.

“Um dos efeitos da HCQ é justamente abrir as portas das células (Ionóforo de zinco) para a entrada de zinco nas células, aumentando assim os níveis intracelulares de zinco. Esse aumento de zinco inibe a proliferação do vírus dando tempo ao sistema imunológico de agir e destruir as células infectadas e criar anticorpos contra o vírus”, explica o cientista Itamar Braga.

“A HCQ tem vários componentes de Nitrogênio que ao entrar nas células, sequestram os hidrogênios aumentando a alcalinidade das células. Isso faz com que os íons de zincos sejam importados, mas há evidências de que essa alcalinidade também inibe a proliferação do vírus”, acrescentou Itamar.

HCQ no Brasil

De acordo com Itamar, para que o Brasil faça o uso da HCQ, é preciso apenas autorizar os médicos a prescreverem essa droga para a doença Covid-19.

“Como essa droga nunca foi utilizada para essa indicação, os médicos possivelmente precisarão de uma autorização da ANVISA para que ela seja empregada para tal”, explica Itamar.

Itamar diz que a HCQ também está disponível comercialmente nas farmácias por meio de prescrição médica (Reuquinol).

Há muitos anos, a HCQ é disponibilizada gratuitamente pelo Estado Brasileiro através do SUS. No meu entender falta apenas autorização da ANVISA e do governo federal para o uso de HCQ contra o corona vírus”, diz Itamar Braga ao Conexão Política.

Coreia do Sul, China, França e EUA

Itamar nos conta que a Coreia do Sul foi o primeiro país a utilizar a droga, já no início da pandemia no país.

“Ela incluiu no guia de tratamento da pandemia para o país. A província de Guangdong, na China, adotou o mesmo procedimento algumas semanas depois da Coreia”, diz Itamar.

Segundo Itamar, na França, o Prof. Didier Raoult está utilizando desde o início das infecções, nas cidades do Sul da França, que se inscreveram no programa de testes dele.

“Ainda não tenho conhecimento se já está sendo adotado o mesmo tratamento por todo o país”, afirmou Itamar.

Nos Estados Unidos, hoje (19), como o Conexão Política já havia noticiado, o presidente americano Donald Trump fez uma declaração autorizando o uso de cloroquina para o tratamento do SARS-COVID-2 nos EUA.

“Os EUA acabaram de autorizar o uso de um medicamento da mesma família da HCQ, o fosfato de cloroquina. Esperamos que o Brasil também autorize o uso desse medicamento o quanto antes”, diz Itamar esperançoso com a boa notícia.

Leia também: EUA aprovam remédio antimalária em tratamento contra coronavírus

Outros medicamentos contra a Covid-19

De acordo com o cientista Itamar Braga, há vários estudos sendo conduzidos com antivirais que já estão no mercado ou em testes clínicos.

“Como é conhecido de todos, não existe uma droga ou antiviral que seja especifico para a infecção pelo novo coronavírus. Contudo, os medicamentos mais promissores são o fármaco cloroquina, e os antivirais Remdesivir, Lopinavir/Ritonavir, Favipiravir. Porém, os antivirais são caros e na maioria importados. A Cloroquina ou HCQ temos produção interna no Brasil, há muitos anos, como genéricos”, diz Itamar.

Sistema imunológico alto

O cientista Itamar Braga recomenda manter o sistema imunológico sempre alto.

“Antes de tomar qualquer vitamina, eu aconselharia as pessoas a dormirem o melhor que puderem. Está comprovado que dormir pouco afeta o sistema imunológico. Complexos vitamínicos naturais não exigem prescrição médica, portanto, também acho válido – nesse momento especifico – tomar pelo menos suplemento de zinco. Não vai resolver, mas pode ajudar. E consulte seu médico ou nutricionista se for possível”, aconselha o cientista Itamar Braga.

Itamar explica que a água tônica tem em média entre 40 a 60mg de quinino por litro, ou seja 3 latinhas água tônica com quinino por dia podem aumentar os níveis intracelulares de zinco acima do normal, e não faria mal a ninguém.

Brasil e a produção de HCQ

Questionado a respeito da capacidade do Brasil em produzir a HCQ para o tratamento da Covid-19, o cientista brasileiro explicou que a patente do HCQ já expirou há muito tempo. Portanto, o fármaco é de livre produção.

“Não sei se seria bom indicar nomes comerciais, mas os compostos mais comuns são hidroxicloroquina (Reuquinol, Plaquinol). Uma Indústria Brasileira, a EMS Farmacêutica, fabrica comercialmente um derivado chamada sulfato de hidroxicloroquina, mas tenho certeza que poderiam fabricar o HCQ também. Com certeza, o Brasil tem todas as condições de produzir esse fármaco em grande escala”, diz Itamar Braga.

Governo Bolsonaro

O cientista Itamar Braga diz estar satisfeito com a competência do Governo Bolsonaro no combate ao coronavírus chinês no Brasil.

“O Brasil tem um ministro da saúde extremamente competente”, afirma Itamar.

“No intuito de somar no momento, aconselharia o governo a autorizar a indicação de HCQ para o tratamento de pessoas que apresentem os sintomas do SARS-COVID-2, através de prescrição médica, e montar uma plano para as empresas Brasileiras começarem a produzir o medicamento em grande quantidade”, diz Itamar Braga.

“Se não houver suficiente para suprir a demanda, poderia fazer planos de importar de empresas que já produzem o medicamento como a Sanofi e a Bayer o quanto antes”, afirma o cientista brasileiro.

Ao final da entrevista ao Conexão Política, Itamar analisa a experiência dos países no combate ao coronavírus chinês até o momento e sugere um caminho para o Brasil seguir.

“A Coreia do Sul mostrou que esse tratamento é efetivo, e junto aos outros cuidados, conseguiram mitigar o impacto do coronavírus na população. A Coreia tem um dos menores índices de mortalidade e o maior em recuperação da infecção. A Itália, por sua vez, concentrou o tratamento com antivirais e esses não parecem estar sendo muito efetivos. Nesse momento, toda alternativa é válida, esse fármaco [HCQ] já é utilizado há muitos anos e seus efeitos são conhecidos. Portanto, temos nele uma excelente esperança nesse momento de desespero”, concluiu o cientista Itamar Braga.

 

 

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