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Análise

Direita X Esquerda: distinção ideológica ou moral?

Se é verdade que uma árvore é reconhecida pelos seus frutos, como nos ensina o Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo, podemos facilmente descobrir que tipo de “árvore” é a Esquerda.

Anderson Feitosa

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Direita X Esquerda: distinção ideológica ou moral? 15
Reprodução / Internet

Desde o fim do século XVIII, com o advento da Revolução Francesa, os termos Direita e Esquerda tornaram-se parte essencial do debate político em todo o mundo, tamanha foi a força divergente entre as bancadas Girondina e Jacobina que marcaram o ano de 1789 na França. De lá para cá, houveram mudanças importantes nos conceitos desses dois grupos políticos, digamos assim. Mas para entendermos a guerra intelectual entre eles, é necessário rebuscarmos um pouco a história e descrever o surgimento de cada um.

Relembrando muito brevemente o quadro da época, sabemos que a Assembleia Nacional Constituinte, criada em 1789 na França, foi dividida entre duas grandes bancadas de pensamentos distintos para discutir, junto à corte, os problemas sociais do país e o seu futuro político. Os Girondinos, sentados à direita do rei, que eram influenciados pelo pensamento que veio a ser o Conservadorismo Clássico, defendiam mudanças moderadas no sistema político e a manutenção da monarquia, mas com uma limitação maior dos poderes do monarca, numa tentativa de se distanciar o regime absolutista, que trouxe muito prejuízo ao povo francês. Já à esquerda, sentavam os Jacobinos, grupo de pensamento radical e revolucionário, influenciados pelo que veio a ser o Liberalismo Clássico, que defendia mudanças drásticas no sistema político e, por influência iluminista, queriam o fim da monarquia.

Dado esse contexto histórico, podemos perceber que há muita distinção dessas definições com as definições atuais dos termos Direita e Esquerda. Mas alguns pilares ainda permanecem. A Direita prossegue seguindo uma linha conservadora, promovendo mudanças moderadas, defendendo uma limitação do poder estatal, mas com uma manutenção dos sistemas estáveis da política. A Esquerda distanciou-se do liberalismo, aderindo a posições cada vez mais radicais e mais revolucionárias no século XX, e passando a defender estados totalitários e concentrados, que promovessem uma suposta igualdade social. E o pensamento liberal sofreu alterações significativas, sendo dividido entre liberalismo político e liberalismo econômico, tomando distância tanto da visão de estado tradicional como da visão de estado totalitário, alcançando uma posição central entre Direita e Esquerda e colocando a liberdades individuais como causa máxima da luta política.

Mas o ponto que quero discutir hoje é o porquê da guerra entre Direita e Esquerda, que envolve também os liberais, ser um conflito moral, e não apenas um conflito ideológico. Pois bem, deixando o liberalismo de lado, por enquanto, podemos afirmar que a Esquerda tem caráter revolucionário, visando modificar modelos sociopolíticos, ao passo que a Direita tem caráter conservador, visando preservar os modelos sociopolíticos existentes. Isso não significa dizer que os conservadores não toleram mudanças sociais, mas apenas que eles possuem uma postura sempre cética e prudente com relação a qualquer alteração, uma vez que seus princípios morais, éticos e políticos, enraizados profundamente na história (simbolismo com Jerusalém, Atenas e Roma, respectivamente), têm valores significativos para eles. Os conservadores desejam mudanças feitas de forma moderada, cautelosa e pontual, apenas quando necessário para corrigir problemas sociais que surgem com o passar das gerações. Já os revolucionários possuem um pensamento totalmente distinto, defendendo que toda e qualquer mudança que venha a ser feita em nome de sua causa ideológica, do seu sonho ideal, é válida, não importando as consequências sociais que esses meios venham a provocar.

É nesse ponto que podemos observar uma enorme contradição moral entre os grandes pensadores e influenciadores da Esquerda, em comparação com os pensadores da Direita. Os esquerdistas não medem esforços para implantar a revolução que tanto sonham na sociedade, fazendo o que for preciso para isso: seja matar, roubar, estuprar ou torturar. Em seu artigo “ A autoridade religiosa do mal”, publicado em 2007, o filósofo e escritor Olavo de Carvalho descreve muito bem esse fato com base em sua experiência intelectual sobre tantos nomes que conheceu e estudou ao longo da vida. Ele diz:

“Quem quer que estude as vidas de cada um deles [pensadores que influenciaram a militância intelectual esquerdista] descobrirá que Voltaire, Diderot, Jean-Jacques Rousseau, Sade, Karl Marx, Tolstoi, Bertolt Brecht, Lenin, Stalin, Fidel Castro, Che Guevara, Mao Tsé-tung, Bertrand Russel, Jean-Paul Sartre, Max Horkheimer, Theodor Adorno, Georg Lukács, Antonio Gramsci, Lillian Hellman, Michel Foucault, Louis Althusser, Norman Mailer, Noam Chomsky e tutti quanti foram indivíduos sádicos, obsessivamente mentirosos, aproveitadores cínicos, vaidosos até a demência, desprovidos de qualquer sentimento moral superior e de qualquer boa intenção por mais mínima que fosse, exceto, talvez, no sentido de usar as palavras mais nobres para nomear os atos mais torpes. Muitos cometeram assassinatos pessoalmente, sem jamais demonstrar remorso. Outros foram estupradores ou exploradores de mulheres, opressores vis de seus empregados, agressores de suas esposas e filhos. Outros, orgulhosamente pedófilos. Em suma, o panteão dos ídolos do esquerdismo universal era uma galeria de deformidades morais de fazer inveja à lista de vilões da literatura universal. De fato, não se encontrará entre os personagens de Shakespeare, Balzac, Dostoiévski e demais clássicos nenhum que se compare, em malícia e crueldade, a um Stalin, a um Hitler ou a um Mao Tsé-tung”.

Uma descrição dessas já nos deixa impressionados com a natureza moral de quem defende as ideologias revolucionárias. São pessoas fanáticas pelo poder, que fazem dele o seu deus. Nada importa mais, para esse tipo de gente, do que a capacidade de dominação das massas, do que ter o controle social em suas mãos. Faz sentido que a imoralidade reine dentro de uma postura tão perversa. Mas o filósofo não termina aí e continua sua descrição em uma comparação com a vida moral dos intelectuais conservadores:

Em contrapartida, os representantes das correntes opostas, conservadoras ou reacionárias, conforme fui descobrindo com ainda maior surpresa, eram quase invariavelmente seres humanos de alta qualidade moral, atestada não só na idoneidade do seu trabalho intelectual, onde nada se encontrará das fraudes monstruosas perpetradas por um Voltaire, um Diderot ou um Karl Marx, mas também nas circunstâncias do cotidiano e nos testes mais rigorosos da existência. Dificilmente se encontrará algum capítulo vergonhoso na biografia de Pascal, de Leibniz, de Bossuet, de Donoso Cortés, de Joseph de Maistre, de John Henry Newman, de Edmund Burke, de Vladimir Soloviev, de Nikolai Berdiaev, de Alexis de Tocqueville, de Edmund Husserl, de Ludwig von Mises, de Benjamin Disraeli, de Russel Kirk, de Xavier Zubiri, de Louis Lavelle, de Garrigou-Lagrange, de Joseph Maréchal, de Victor Frankl, de Marcel De Corte e de tantos outros. Ao contrário, essas vidas transbordavam de exemplos de grandeza, generosidade, coragem e humildade. E mesmo aqueles que reconhecidamente pecaram, como Dostoiévski, Winston Churchill, Charles de Gaule, Ronald Reagan ou Maurice Barrès, jamais ostentaram orgulho disso como um Rousseau ou um Brecht, nem muito menos trataram de encobrir suas vergonhas com uma engenhosa teia de mentiras autolisonjeiras como o fizeram Voltaire e Diderot. Para levar a comparação até suas últimas consequências, até os mais notórios ditadores reacionários, Franco, Salazar e Pinochet, com todos os crimes políticos que cometeram, mantiveram em suas vidas pessoais um padrão de moralidade incomparavelmente mais elevado que o dos tiranos revolucionários. Pelo menos não mandavam matar seus mais próximos amigos e companheiros de luta, como Stalin, Hitler e Fidel Castro, nem estupravam garotas menores de idade como o fazia Mao Tsé-tung”.

Essa comparação descritiva usada pelo professor Olavo é assustadoramente correta. Quem quer que tente negar a imoralidade que rege a vida intelectual de um esquerdista, terá duas opções ao se deparar com a verdade: aceitá-la e mudar de opinião política, ou negá-la, como uma criança birrenta, e sustentar a grande mentira narrativa que a Esquerda usa para se dizer boazinha. Se é verdade que uma árvore é reconhecida pelos seus frutos, como nos ensina o Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo, que diz que “Uma árvore boa não dá frutos maus, uma árvore má não dá bom fruto. Porquanto cada árvore se conhece pelo seu fruto. Não se colhem figos dos espinheiros, nem se apanham uvas dos abrolhos”, podemos facilmente descobrir que tipo de “árvore” é a Esquerda. Basta analisarmos os frutos caóticos, genocidas e absolutamente perversos que geraram e ainda geram o nazismo, o fascismo, o islamismo, o comunismo, o socialismo, o feminismo, o gayzismo, o abortismo, o petismo, o globalismo, o anarquismo, o progressismo, o utilitarismo e o liberalismo. TODOS ELES, pensamentos ideológicos revolucionários. É interessante lembrarmos das alianças entre essas próprias correntes ideológicas, que ocorrem com frequência, como a união entre a URSS comunista e a Alemanha nazista; a promoção do Estado Islâmico em marchas petistas; a defesa descarada do aborto como uma liberdade da mulher, pregada pelo feminismo; a convergência de ideais entre progressismo e globalismo, a visão utilitarista e progressista carregada pelo liberalismo e tantas outras associações. Em resumo, é tudo farinha do mesmo saco!

Já o pensamento conservador, também chamado conservadorismo, não é uma ideologia, pois não visa romper com nenhum modelo sociopolítico existente para alcançar um futuro ideal desconexo da tradição e das raízes históricas. Mas isso é tema para outro artigo. O que me resta explicar é por que enquadrei o liberalismo, que havia deixado de lado no início do texto, como uma ideologia revolucionária. É simples: o liberalismo visa romper com o modelo político atual, buscando um sistema que coloque as liberdades individuais acima de princípios e valores conservadores, como a moral (a defesa da liberação das drogas e do aborto são bons exemplos), e pretende tirar do estado o poder sobre o povo, pregando uma forma de radicalismo democrático, ao passo que o conservadorismo acredita que um estado sem autoridade traria o caos à sociedade. Alguns podem questionar que não seria um pensamento revolucionário por não pregar uma concentração de poder, o que talvez seja um argumento válido. Eu penso que é revolução, pois, ao trazermos para o contexto da Revolução Francesa, foram os liberais que causaram terror, mortes, guerra civil, caos social e instabilidade política, mesmo defendendo mais poder ao povo e menos poder ao estado. Mas não há dúvida que é um pensamento ideológico, de toda forma.

Que fique claro que me refiro, no parágrafo anterior, à ideologia do liberalismo político! O liberalismo econômico, como eu havia dito no início, tornou-se um pensamento distinto que se provou saudável e moralmente correto ao longo do tempo, sendo, por isso, aceito pelo pensamento conservador como a melhor conduta econômica que as nações podem tomar nos dias atuais. É assim que o conservadorismo age, sendo cético e prudente, analisando as melhores escolhas para cada situação, de forma a preservar a moral, a ética o direito humano sempre que se toma uma decisão.

Ainda há quem argumente que a moral é relativa e que o pensamento conservador não pode pautar qual é a “moral correta”. Esse raciocínio é totalmente deturpado e ignorante de qualquer estudo básico acerca do que é moral. Moral é um conceito absoluto e sobre-humano. Foi instituída por Deus, desde o decálogo, onde Deus nos apresenta a Lei Natural, de onde deriva toda a conduta moral do homem. Os povos judeu e cristão escolheram seguir essa conduta por ter a certeza de que era correta, respeitando a vontade Divina. A moral judaico-cristã não é o caminho correto simplesmente porque esses povos o escolheram, mas, na verdade, já era o caminho correto desde o princípio, e, por isso, foi escolhido pelo povo de Deus. Moral e Verdade são conceitos absolutos e transcendentes, que devem ser buscados por todo homem que deseje ter uma vida reta neste mundo. No contexto político, portanto, não nos resta dúvida que a principal divergência entre Direita e Esquerda é uma divergência de conduta moral, e não simplesmente de pensamento ideológico.


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Católico, conservador e patriota. Estudante de medicina e amante da Verdade. Membro do Movimento Brasil Conservador no Ceará. Deus Vult!

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