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Cotas, um dia você precisará de uma

Francisco Teodorico

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Cotas, um dia você precisará de uma 15
Imagem: Divulgação | Reprodução

Introdução

Aristóteles dizia que os homens devem ser governados por leis objetivas, impessoais e claras. Afirmava que “onde as leis não têm força, pululam os demagogos, e o povo torna-se tirano”.

Nossos políticos, principalmente os de ideologia esquerdista, encontraram um nicho para exercerem seus discursos demagógicos populistas e ir em caminho contrário ao indicado por Aristóteles: o sistema de cotas. Elas surgiram com o objetivo de resolver um problema que não temos: leis discriminatórias, exceto, é claro as leis das de cotas, que são por sua essência, discriminatórias.

Os burocratas as usam como ferramentas de persuasão baseando-se naquilo que “imaginam” existir. E claro que não deixam de encontrar um público que aplauda e apoie esse tipo de medida… Você já reparou como as pessoas que defendem as cotas (quaisquer que sejam elas) são, em sua maioria, aquelas que não conseguem se destacar pelo talento e querem uma reserva de mercado para que possam ocupar essas vagas?

Claro que há também outros dois grupos: os que se aproveitam delas para aumentar sua popularidade e os que realmente acreditam nelas como uma solução. Mas a verdade é uma só: pessoas talentosas vencem por seus próprios méritos.

As cotas surgiram com a promessa de resolver a desigualdade e reparar injustiças do passado, mas o que elas vem conseguindo gradativamente nada mais é que potencializar o preconceito no país, tanto pela desconfiança que foi criada na população (quando um negro, por exemplo, comete um erro, que qualquer profissional qualificado poderia cometer logo se pensa que é profissional de cota) como também pela desclassificação de candidatos melhores preparados a ocupar a vaga na universidade, por exemplo, sendo que em alguns casos o beneficiado pela cota não consegue sequer finalizar o curso por motivos financeiros ou falta de fundamentos.

Agora imagine uma sociedade com engenheiros que constroem prédios que caem ou médicos que não consigam aplicar um tratamento adequado porque fizeram um curso superior sem os fundamentos necessários. Conceitos esquerdistas sempre direcionam a sociedade ao caos e temos inúmeros exemplos acontecendo atualmente.

Os defensores do sistema de cotas alegam que os cotistas podem se transformar em bons alunos. Uma simples análise, baseada na lógica derruba essa tese: se o aluno tem capacidade para se formar de forma decente, deveria ter também capacidade para entrar sem cotas, estudando mais, não?

E as injustiças? Imagine que num concurso há 100 vagas e 10% são direcionadas a cotistas. O cotista estaria com a vantagem de passar na frente de 90 candidatos! Ninguém em sã consciência pode defender que isso seja justo e muito menos que o aproveitamento da vaga é feito de forma que ela seja ocupada pelo melhor qualificado.

Esse sistema de cotas é uma ultrajante para com quem tem mérito, mesmo que por um período pequeno, pois pode-se estar matando um verdadeiro talento pela raiz. E de forma recorrente vemos alunos da UnB, por exemplo, ratificando essa opinião… [1]

Quando o nivelamento é feito por baixo, a tendência é que o curso caia de nível, afinal, qual professor não é, nos bastidores, pressionado pelo alto índice de reprovações? E sabe quem perde com isso ao longo do tempo? O país, pois deixa de ter uma produção científica suficiente que permita seu desenvolvimento; o próprio cidadão de baixa renda que não tem como pagar uma consulta a um médico altamente qualificado, por exemplo, restando a ele o profissional formado aos “trancos e barrancos” e cuja qualificação não permitiu que encontrasse um emprego que melhor o remunerasse.

E o erro já começa antes da universidade, com o sistema de progressão continuada, passando pelos famigerados Conselhos de Classe (no Fundamental e Médio) onde os professores são alvo de inúmeras pressões e acabam por ter que promover alunos inaptos. E assim vai se “fortalecendo” a Geração Floquinho de Neve que culpa a sociedade por todas as suas mazelas e não assume a responsabilidade por seus fracassos.

E para completar, eis mais uma facilidade: as cotas universitárias (negros, gays, índios, pobres e sabe-se lá mais o que num futuro próximo) que fazem com que vagas sejam ocupadas por pessoas que, muitas vezes, não tem a mínima condição de estarem ali e pior, retirando a oportunidade de um aluno melhor qualificado apenas porque este não se enquadra em nenhuma característica de cotistas.

Alguns destes alunos beneficiados pelas cotas nem chegam a concluir o curso, quer seja por motivos intelectuais (chama-se ensino Superior exatamente por demandar conceitos que deveriam ser aprendidos no Fundamental e Médio), quer seja por falta de condições financeiras (experimente fazer um levantamento do custo de material de um curso de Odontologia, que é pessoal e intransferível). A médio/longo prazo, o país só tem a perder.

Raciais

Contra o discurso de reparação do passado, eu pergunto: por que não vemos judeus pedindo reparação pelo Holocausto? Ateus contra a Inquisição? Brasileiros pela colonização por Portugal?

A maioria de nós não é descendente de senhores de engenho, muitos somos de pobres imigrantes que sofreram muito nas lavouras brasileiras (como italianos e japoneses, que nunca exigiram qualquer espécie de cota!). Qual o crime que eu ou você cometemos para “pagar” essa suposta dívida histórica? Nem meu bisavô era senhor de escravos e muitos dos que são beneficiados por essas cotas não descendem de escravos.

Segundo nossas leis, quando um pai morre, o filho não assume suas dívidas, pois ele não tem responsabilidade pelos atos do pai. Ora, então porque teríamos que pagar a “suposta” dívida histórica? É de saltar os olhos o argumento de “dívida histórica”, pois os próprios negros vendiam (e ainda vendem, na África) outros negros como escravos!

E onde fica a responsabilidade individual do cidadão, já que a sociedade tem uma “dívida histórica” com ele? Temos como belo exemplo o caso do Japão que se ergueu, sem vitimismo, após serem atingidos por duas bombas atômicas, demonstrando que o esforço individual compensa, sem apelar para o vitimismo e cobrança de uma suposta dívida a ser paga pelo país que as jogou em seu território.

A escravidão foi abolida em 1888. Será que 130 anos não foram suficientes para que o esforço individual ajudasse a sair da pobreza? Conheço muitos negros que conseguiram, por mérito, por esforço, por aproveitarem a oportunidade que lhes foram apresentadas em muito menos tempo que isso, óbvio! Para melhorar isso o Estado poderia diminuir o seu tamanho, as regulamentações e deixar a sociedade respirar, pois desta forma muitos que hoje não conseguem sair da pobreza veriam ao menos uma luz no fim do túnel.

E o que dizer dos imigrantes italianos e japoneses que deixaram tudo em seus países de origem e começaram a trabalhar a partir do zero no país? Eles precisaram de cotas para deixar a pobreza?

Ninguém, no Brasil, é impedido de subir na carreira, entrar numa universidade (muito pelo contrário, existem as revoltantes cotas, estas sim, discriminatórias e inconsequentes!) se tiver mérito, tendo a chance de crescer como qualquer cidadão.

Um dos grandes culpados desse caos que vai se formando no país foi o Governo Lula, pois adotou um programa de “ações afirmativas” para “afro-brasileiros” (mais um exemplo de desconstrução semântica esquerdista, não deixe de ler, em meu blog pessoal o que escrevi sobre o assunto [2]), ou seja, para negros e pardos. Este programa destina até 20% das vagas para pessoas desse segmento!

Cotas produzem votos, essa é a verdade. Benefícios concentrados, custos dissipados. Os beneficiados sempre se lembrarão do que ganharam, os que pagaram o preço acabam esquecendo, pois o custo é diluído entre a população. A estratégia é eficiente.

Um exemplo do desastre desse sistema é o de Robert Mugabe, ditador do Zimbábue, que fez uma reforma agrária desrespeitando o direito de propriedade, como defende o MST, e vimos como despencou a produção agrícola do país [3], com mais uma clara demonstração de que essa linha de raciocínio é maléfica.

E claro que não podiam faltar as “falhas do sistema”… Você sabia que já tivemos casos absurdos como o recente de duas irmãs gêmeas em que uma foi aceita por cota e a outra não, sendo que ambas estudaram na mesma escola? [4]

No Brasil, basta você se declarar negro para se candidatar a uma vaga como cotista. E também não demorou para surgirem casos como o de brancos que se declararam negros para entrarem em Medicina na UFMG [5]. Isso já era esperado, que só não viu quem não tinha interesse. E o caos não vai parar por aí, só tende a piorar…

Thomas Sowell, professor e escritor americano, Ph.D. em Economia pela renomada Universidade de Chicago, já relatara em um de seus livros que as pessoas estão dizendo que pertencem a diferentes grupos étnicos, para se qualificarem para o tratamento preferencial. No Sri Lanka e Nigéria o resultado foi uma guerra civil…

O regime de cotas também vai de encontro ao famoso discurso de Martin Luther King, feito em… 1963! [6] Que como todos sabemos, era negro. Recuso-me a usar o termo “afro-brasileiro” porque não vejo teor pejorativo algum em dizer “negro”, pois não considero meus amigos negros inferiores e admiro muitos como o Prof. Paulo Cruz, Pelé, etc. Cito “negro” assim como cito “branco” quando é necessário referir-me à cor da pessoa. Simples assim.

E por que não seguir o conselho de Frederick Douglass, um dos grandes líderes do movimento abolicionista dentro dos EUA, que disse: “Tudo que eu peço é para darem uma chance ao negro para que ele se sustente pelas próprias pernas! Deixem-nos em paz!”? Como ele há muitos negros cansados de serem usados como ferramentas de demagogia. Mas só os talentosos, que existem em pessoas de todas as “raças”.

Uma das fakenews que é repetida de forma incansável é de que a adoção destas medidas fez com que os negros americanos se tornassem mais prósperos. Ora, elas começaram a ser implantadas em 1970, mas desde 1940 o crescimento da economia americana vinha melhorando a vida dessa parte da população, inclusive com a diferença de tempo (anos) de estudo entre brancos e negros.

Após a guerra, quase 90% dos negros estavam abaixo da linha da pobreza, em 1970 eram apenas 30%. O que as “ações afirmativas” conseguiram foi apenas os rotularem como privilegiados… Os asiáticos-americanos, descendentes de mexicanos que também cresceram economicamente nessa época não tiveram ajuda dessas “ações afirmativas”, você sabia?

Note que os defensores das cotas fogem desesperadamente da comparação com outras minorias, como o exemplo citado. Os asiáticos-americanos viveram em situação precária no início, mas conseguiram crescer sua renda de forma ainda mais expressiva que os negros, sem nenhuma cota! Suas notas mantêm-se acima da dos americanos brancos, na média. Será que os americanos deveriam ter cotas para proteção contra os asiático-americanos? Nenhum defensor de cotas gosta de falar deste caso. Não é difícil de entender o motivo.

Nos EUA a pobreza se concentra nas minorias raciais, no Brasil, ela não é característica da cor, mas do país. E como na Educação, o Estado também já comprovou ser incompetente, aqui é mais um exemplo onde ele poderia ser diminuído, passando para a iniciativa privada a responsabilidade desta área, ficando a seu cargo distribuir vouchers para a população que hoje é (mal) atendida pela rede pública, que por sua vez não prepara o aluno para o Ensino Superior de forma adequada (caso contrário não seriam “necessárias” as cotas, não é?).

Enfim, em seu estudo empírico, Sowell, que também é negro, já mostrou o quão desastrosas são essas ações.

Há diversos exemplos no mundo de que as cotas “provisórias” acabaram se tornando permanentes e ampliadas, como está começando a acontecer no Brasil. Hoje vemos essa ampliação acontecendo para atender gays, pobres, mulheres, índios, deficientes físicos, quem sabe em breve para carecas anões albinos ou e sabe-se lá mais o que em médio/longo prazo. [3]

É de conhecimento público, principalmente no meio científico social, a estratégia do Pardo de Schrödinger. Pardos são a maior parcela da população brasileira, mas para o Movimento Negro, ou você é negro oprimido ou branco opressor.

Dependendo do levantamento estatístico, os pardos são considerados brancos ou negros, como você pode ver na figura a seguir:

Cotas, um dia você precisará de uma 16

E este é só um pequeno exemplo de como devemos olhar com cuidado para os números apresentados pelos defensores das cotas. Caso queira se aprofundar um pouco mais no assunto, sugiro a leitura do livro “Como mentir com estatística”, de Darrel Huff [7]

Há não muito tempo atrás uma pessoa começou a me questionar sobre minha opinião contrária às cotas universitárias quando então eu lhe fiz uma pergunta, que ficou sem resposta:

Qual o papel da universidade? Qual sua função?

Quem responde que é dar oportunidade de Educação aos menos favorecidos errou. Esse não é o papel da faculdade, mas sim o de formar intelectualmente profissionais para produzirem riquezas (comensuráveis e incomensuráveis) para a sociedade em que vive.

A oportunidade aos mais pobres, que o interlocutor defendia, deve ser dada por outras instituições para que ele, após comprovar que tem qualificação para enfrentar um curso superior (passando pelo processo seletivo como todo mundo) possa ser auxiliado por elas.

Mas esses privilégios citados têm um custo. Quem paga por eles?

Vejamos: o direito à moradia de uma pessoa, por exemplo, não pode ser ligado à obrigatoriedade de outra construir a sua casa. Isso é uma espécie de escravidão velada. Oras, mas não é exatamente isso que o sistema de cotas se propõe a resolver? Não se está então entrando num ciclo vicioso, gerando outro grupo de segregados que no futuro poderá cobrar a “dívida histórica” que está se formando agora?

No Brasil não temos apenas os negros como minorias privilegiadas, temos também os índios, com suas reservas que todos sabemos, com suas cotas de território, que exploram os recursos naturais que poderiam estar gerando riqueza para o país.

Sempre convivemos bem uns com os outros com pontuais casos de preconceito (que ainda existem, infelizmente), mas o que o sistema de cotas vem fazendo é potencializar esse problema. Ao contrário dos EUA, nunca tivemos nada parecido com uma Ku Klux Kan ou até mesmo o sistema de castas usado na Índia. Não temos um Apartheid (África do Sul) que segrega negros em lugares públicos com áreas exclusivas para brancos. Não temos defesa da raça branca, como Hitler fez com os arianos (salvo pequenos movimentos que são insignificantes e devem ser combatidos). Ao contrário, temos o hábito de admirar as pessoas independente de sua cor.

Quando se pergunta quem foi o melhor jogador de futebol da história em quem pensamos (com orgulho)? Em um branco? O autor de uma das mais belas canções que já ouvimos, “Carinhoso” era de que cor? Não temos celebridades negras? Qual era a cor de Machado de Assis? Sim, ele era filho de um mulato com uma portuguesa!

E não faltam exemplos de negros que venceram pelo próprio mérito. Há inúmeros de sucesso que não dependeram de cotas (alguns eu não admiro, mas não deixam de ser exemplos positivos):

  • Joaquim Barbosa
  • Pelé
  • Michael Jackson
  • Aleijadinho
  • Mãe Menininha do Gantois
  • Juliano Moreira (negro e pobre, um dos pioneiros da psiquiatria brasileira, pesquise)
  • Lima Barreto (filho de escravos, formou-se jornalista, sem cotas!)
  • Ernesto Carneiro Ribeiro (pioneiro ao produzir uma gramática baseada na língua portuguesa)
  • Luiz Gonzaga Pinto da Gama (vendido como escravo pelo pai, que pelo talento, apesar de não ser formado, obteve autorização do Judiciário para advogar em primeira instância, olha o mérito aqui novamente)
  • Pixinguinha
  • Clementina de Jesus
  • Machado de Assis
  • Mestre Bimba
  • Cartola
  • Manuel Raimundo Querino (fundador do Liceu de Artes e Ofícios da Bahia e da Escola de Belas Artes, entre outros méritos)
  • Jamelão
  • João do Pulo
  • Barack Obama
  • Ben Carson
  • etc.

Se os negros, por serem classificados como uma minoria “discriminada” merecem o sistema de cotas, por que aposentados não deveriam também ter direito às cotas? E os baixinhos? E os doentes? E os nordestinos? Por que beneficiar um grupo e outro não? Não somos todos iguais perante a lei, segundo a Constituição? Segregar a população pela cor da pele é racismo e pelo que me consta, é crime inafiançável. Ao que me vem a sensação de estar vivendo na fazenda imaginária de George Orwell, do livro “A Revolução dos Bichos”.

Essa estratégia de segmentar a sociedade e favorecer alguns grupos é velha conhecida e chama-se Gramscismo (será tema de outro artigo). E não se iluda, pois o objetivo político está muito longe de “justiça social”, pode ter certeza…

É preciso dar um basta ao vitimismo incentivado por ideologias demagógicas, populistas e genocidas! Um pouco de estudo da história mundial faria com que soubessem que esta é uma das estratégias de instalação de ditaduras socialistas/comunistas! Fiquemos atentos.

E as consequências já são destrutivas: você já parou para pensar que quando um negro caminha pelo campus da universidade, hoje, levanta a suspeita de que algum branco foi injustamente barrado por conta das cotas, mesmo que ele tenha mérito para estar lá? Será que você contrataria um engenheiro negro? Se consultaria com um médico desta cor se estivesse com uma doença grave?

E se os argumentos aqui apresentados ainda não foram suficientes, se eu for acusado de não ter o direito de falar por ser branco (argumento que discordo), sugiro que acompanhem o Prof. Paulo Cruz, que é uma referência no assunto abordado. Recomendo a leitura de seus artigos no jornal A Gazeta do Povo [8], pois trata do tema de forma sensata, não negando a existência do problema nem tratando-o com viés vitimista.

É o tiro saindo pela culatra…

Mulheres

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidiu, em 22 de Maio de 2018, direcionar no mínimo 30% do fundo eleitoral para candidaturas de mulheres, assim como o tempo do horário eleitoral. O placar foi unânime, atendendo o parecer da Procuradoria-Geral da República (PGR), favorável à medida. [9]

Por que ao invés de cotas para mulheres o TSE não criou as candidaturas independentes de partidos? Seria mais eficiente, não seria demagógico e não colaboraria com essa afronta, esse absurdo que vem contaminando de forma gradativa diversos setores da sociedade.

Por acaso as mulheres precisaram de sistema de cotas para conquistarem seu espaço na sociedade? Por que essa geração “mimimi” não arregaça as mangas como suas mães ou avós e conquista o espaço com talento e trabalho como elas fizeram? Não existem leis que impeçam a mulher de crescer, mas elas têm que competir para conquistar seu espaço, assim como os homens.

Na política, avalio meus candidatos ou candidatas de acordo com sua linha de pensamento, suas propostas. Pouco importa sua cor, sexo (sim, não é gênero, pois pela classificação científica o nosso é um só: Homo), etc. Votar em alguém porque é mulher, porque é pobre, porque é negro, ou qualquer outro critério segmentário só fortalece a luta por privilégios e é justamente o que precisamos diminuir!

Não se pode privilegiar ninguém sob o risco de se excluir pessoas com maior competência. Já pensou se criarem cotas de cotas, por exemplo, para mulheres negras que sejam gordas e mães solteiras? Não é muito difícil que venha a acontecer em breve… As mulheres devem ser eleitas pelas suas ideias, pela sua competência e não pelo “simples fato” de serem mulheres.

E como se isso não bastasse, eis que na última segunda-feira, dia 06, somos surpreendidos com mais uma ideia “genial” de nossos burocratas: cotas para mulheres vítimas de violência doméstica [10]! Sim, isso não é brincadeira, não é fakenews, por mais que pareça ser.

Como toda ideia deste tipo, parte de uma boa intenção, mas comete os mesmos erros. O objetivo (nobre) desse projeto de lei municipal (São Paulo) visa inserir mulheres que sofreram violência doméstica no mercado de trabalho para que possam ter independência financeira. Segundo ele, que está ainda em estudo, empresas que prestam serviços à prefeitura terão que implantar as referidas cotas para continuar com a parceria.

Não é preciso ser muito “esperto” para prevermos que a Justiça será infestada de processos com essa acusação, pois não há a necessidade de provar a violência, além da palavra da mulher. Se em casos muito mais graves como o de acusação de estupro isso já ocorre [11][12], quem em sã consciência não acredita que ocorrerá o mesmo em relação às supostas agressões? Basta discordar de uma mulher numa discussão para que ela pegue um telefone e chame uma viatura de polícia (eu já testemunhei isso!). A polícia, por sua vez, certamente dará crédito ao vitimismo que vem se enraizando cada vez mais na sociedade, até mesmo para não sofrer as consequências de sua lucidez. Desta forma veremos, com certeza, inocentes serem punidos de forma injusta, pois ousaram discordar do sexo oposto.

Obviamente que não estou negando que casos de violência doméstica existam, mas tentar resolvê-los através de uma solução esdrúxula como essa, pode incentivar o comportamento desonesto além de punir pessoas que não cometeram crime algum, exceto o de terem nascido com o sexo masculino.

Chegará o tempo em que um homem não entrará ou ficará sozinho com uma mulher dentro de um elevador pois como poderia ele se defender de uma acusação de assédio ou tentativa de estupro, já que a palavra feminina basta? E antes que você pense no exame de corpo de delito, saiba que ele não é mais obrigatório! Ser mulher não dá legitimidade moral a ninguém. Eu gostaria muito de acreditar que a causa disso é apenas a falta de visão das consequências.

É mais uma tragédia anunciada.

Ex-Presidiários

No dia 24 de Julho de 2018, a Presidente em exercício, Carmen Lúcia assinou um decreto que institui a “Política Nacional de Trabalho no Sistema Prisional, que obriga empresas contratadas pela administração pública a empregar presos e ex-presidiários como parte da mão de obra.” [13]

>A intenção é boa, mas de boas intenções, como diz a sabedoria popular, “o inferno está cheio”.

Pelo decreto, empresas que quiserem prestar serviços ao Governo (vide mais detalhes no artigo de Mauad [13]) terá de reservar uma cota de 3% a 6%, incluindo detentos do regime fechado e pasme ainda mais, pois, entre outros segmentos, está incluído o de empresas de segurança! É ou não é piada pronta?

Num país em crise de emprego, surge o questionamento: vale a pena ser honesto? Na visão de nossos burocratas, não. Afinal, alguém que não o foi tem por direito ocupar a vaga que poderia estar sendo ocupada por um pai de família honesto.

Além disso há o problema com a burocracia exigida e o aumento da vigilância, encarecendo o custo do serviço.

Em alguns momentos eu tenho a sensação de que Barcelona é aqui, pois o surrealismo ultrapassa a imaginação de qualquer um.

Concursos Públicos

Qual a justificativa para cotas em concursos públicos? Não consigo encontrar uma plausível!

Não há leis que proíbam qualquer “minoria” de disputarem, de igual para igual o espaço como todas as pessoas comuns, então por que em concursos públicos devem ser reservadas vagas para cotas raciais (20%) [14]? Para deficientes físicos (20%) [15]? Para drogados nos órgão públicos do Governo do Distrito Federal (1%) [16]? E para índios em concursos públicos no Mato Grosso do Sul (3%) [17]?

Em Março de 2013 eu dizia que pelo rumo que tomamos, as reservas de cotas iriam tomar tanto espaço que não o haveria mais para quem tenha apenas competência… Estamos cada vez mais perto disso.

Homossexuais

E não para por aí: como se já não bastassem as cotas esdrúxulas que aqui foram relatadas ficamos espantados ao nível que nós chegamos ao lermos a notícia de que a Universidade da Bahia criou cotas para travestis, transgêneros (seja lá o que isso significar, talvez um homem-guaxinim ou uma mulher-aranha, não sei…) e ciganos!

O nível de mediocridade de nossos burocratas é inacreditável. É preciso não ter os pés na realidade para propor uma loucura dessa, aprovar então… não encontro palavras para descrever.

Educação é um Direito

O Ensino Superior não é um “direito”, ele é “meritocrático”, a função dele não é diminuir desigualdade social. Ela é necessária para o desenvolvimento de qualquer sociedade (o que deve ser combatida é a “miséria”, mas isso é tema para outro artigo). O objetivo do curso superior é preparar especialistas em profissões que demandam pré-requisitos necessários para sua boa formação. São profissões como: Medicina, Engenharia, Tecnologia, Economia, etc. Já imaginou ser atendido por um médico que não saiba o significado de profilaxia? Um engenheiro que não saiba fazer cálculo de volumes? Um profissional de TI que não saiba o que é uma comunicação assíncrona? Afinal de que vale um diploma desacompanhado do conhecimento que ele atesta?

Depois da universidade

“O mercado seleciona” é uma falácia, que eu já acreditei. Basta fazer um paralelo com a popularização da opinião nas redes sociais para notar que por esse raciocínio, nelas teríamos a predominância da cultura e não democratização da estupidez e opiniões sem fundamento.

Outro exemplo de fácil análise é o que vemos acontecer hoje com o jornalismo (que já deveria ter deixado de ser chamado assim há algum tempo). Nossas mídias talvez estejam impregnadas de esquerdistas porque o diploma dá direitos iguais a todos que o possuem…

E no Direito, então? Esse caso é ainda mais perigoso, pois abre portas para os “pombos-correios” de condenados.

Ou seja, a questão é mais profunda do que parece…

Consequências

Projetos que fortaleçam o Ensino Fundamental e Médio (ou até mesmo uma mudança radical em nosso Sistema de Ensino, tema do volume 2 de uma série de livros que estou escrevendo), assim como Financiamento Estudantil é que devem ser incentivados. Cotas, quaisquer que sejam elas, devem ser extintas no Brasil.

A médio/longo prazo elas trazem um grande prejuízo ao país. Seu resultado é um só: desastre. O preconceito aumenta, retira a responsabilidade individual do envolvido, é imoral (escraviza um grupo em “prol da justiça social”).

Sou radicalmente contra elas, as únicas cotas às quais sou favorável são as cotas por mérito.

Estamos entrando num caminho sem volta, por isso é preciso enDireitar o Brasil, pois já passamos, e muito, dos limites do aceitável. Está chegando o tempo em que você só conseguirá entrar numa universidade, obter um emprego, etc. se fizer parte de alguma minoria privilegiada por cotas.

Oremos para que, no futuro, não precisemos de uma para comprar comida.

Outros artigos do autor


[1] Vídeo: nova performance de alunos pelados na UnB gera polêmica
[2] Desconstrução Semântica Esquerdista
[3] Cotas raciais, a segregação do país como legado do PT
[4] Cotas diferenciam gêmeas no vestibular da UnB
[5] Brancos usam cota para negros e entram no curso de medicina da UFMG
[6] Discurso completo de Martin Luther King – I have a dream (Legendado em português)
[7] Livro “Como mentir com Estatística”
[8] Gazeta do Povo – Paulo Cruz
[9] TSE fixa cota de 30% do fundo eleitoral para candidaturas femininas
[10] Prefeitura de SP estuda criar cota para vítima de violência doméstica
[11] Preso há 4 dias por estupro, homem é solto após menina confessar ter mentido à polícia no AM
[12] Inquérito aponta que estudante mentiu sobre suposto estupro em universidade de Curitiba
[13] Querem dar chance aos presos, usem incentivos não imposições
[14] Entenda como funciona a “cota racial” para concursos públicos no Brasil
[15] Todo deficiente tem direito a cota em concursos?
[16] A partir de agora, dependentes químicos têm direito a 1% das vagas do GDF
[17] Aprovado Projeto que reserva 3% cotas para índios em Concursos Público no Mato Grosso do Sul

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Pai, casado, católico, matemático, analista de sistemas, pós-graduado em Gestão de TI (USP), enxadrista, karatedoka, especialista em Gestão do Tempo.

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