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Corporações X Brasil

Frederico Martins

Publicado

em

“O Brasil é a República das corporações”. [Cristovam Buarque]

Pode assustar um artigo meu sendo iniciado com uma citação de um político considerado de esquerda, mas vamos nos ater ao espírito que a mensagem passa, principalmente em um momento de tramitação da Reforma da Previdência.

Não é segredo para ninguém que sou defensor ferrenho da aprovação da Reforma, não só para que o Brasil retome os investimentos em infra-estrutura, saúde, educação, segurança, moradia, distribuição de renda, até porque, quando analisamos o orçamento publico, metade dele hoje é para pagamento de previdência social.

E porque é tão difícil fazer com que a sociedade aceite a necessidade da reforma?

A resposta está na citação que origina o presente artigo. As corporações!

E não, não vou transformar servidor publico em vilão. Vilão é quem ordena mal o orçamento, e disso o Brasil entende.

Em primeiro lugar, o Brasil nunca foi afeito a disciplina fiscal e a maior prova disso é que a primeira Lei de Responsabilidade Fiscal é do ano de 2000, que veio justamente para colocar um freio no expansionismo fiscal criado pelo aumento de despesa corrente (salário de quem está na ativa, previdência dos inativos).

A LRF (Lei de Responsabilidade Fiscal), não foi suficiente para conter o ânimo voraz de governos populistas que insistem em políticas de crescimento das despesas. Qual a solução encontrada? Forte elevação da carga tributária.

O problema é qual a solução que será encontrada daqui pra frente, uma vez que praticamente metade do que o trabalhador ganha ele devolve para o governo em forma de impostos. Falar em elevação da carga tributária hoje em dia é falar em confisco dos ganhos do trabalhador. Agora, mais do que nunca, é preciso frear a maior parte do gasto público, que é a Previdência social.

E o que se viu no debate da Previdência na Câmara dos Deputados, foi um show de egoísmo, um show de corporativismo e um show de mentiras por parte de quem defende interesses das corporações, interesses dos privilegiados.

Defender a Previdência sem idade mínima, sem inclusão de TODOS no teto do INSS, é defender a quebra do Brasil. É defender o não investimento em saúde, educação, infra-estrutura para que em detrimento desses temas, o Brasil arrecade e pague a Previdência.

A Previdência já consome quase 3% de tudo o que o Brasil arrecada. Para se ter uma ideia, a educação consome 6% do PIB. Se o gasto com a previdência não parar de crescer, vai faltar dinheiro!

Corporações de políticos, corporações de servidores, corporações de sindicatos, etc. Não dá mais! O Brasil não suporta mais a Previdência como ela se encontra e não aceitar isso é ir de encontro a maioria da população que se aposenta com um salário mínimo.

Ir de encontro com a maioria não faz bem ao estado democrático de direito.

As corporações não podem vencer o Brasil. As corporações não podem quebrar o Brasil. As corporações não podem transformar o Brasil em uma nova Grécia, uma nova Argentina.

Mais Paulo Guedes. Menos PT e PSOL.

Frederico Martins é estrategista em formação de campanhas políticas e de gestão de mandatos. Formado em direito, tendo atuado por grandes escritórios de advocacia, atualmente exerce a função de assessor parlamentar na Alerj.

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1 Comentário

1 Comentário

  1. Avatar

    marlonalvesmatos333333

    27.04.2019 at 10:29

    EXCELENTE ANÁLISE MANO! FALOU TUDO!

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