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Como o Partido Comunista Chinês infiltrou espiões nos EUA

A China tem atualmente cerca de 370.000 alunos em faculdades e universidades americanas, cada um deles um potencial agente espião chinês.

Thaís Garcia

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Imagem: Reprodução

As revelações feitas pela matéria da Axios a respeito do importante congressista democrata da Califórnia, Eric Swalwel, revelam como a China infiltrou seus espiões nos Estados Unidos. A infiltração completa do Partido Comunista Chinês (PCC) na sociedade americana está levando Washington a fechar imediatamente todas as bases de operações da China nos Estados Unidos, incluindo os quatro consulados restantes no território.

Swalwell foi apontado de ter um caso com uma suposta espiã chinesa que tinha como alvo um grupo de políticos promissores, segundo informações da Axios. A cidadã chinesa chamada Fang Fang, conhecida como “Christine” e suposta agente do Ministério de Segurança do Estado chinês, não o contatou pela primeira vez enquanto ele fazia parte do Comitê de Inteligência da Câmara americana, mas quando ele era um vereador na cidade de Dublin, na Califórnia.

A espiã disfarçada continuou e avançou sua carreira quando ele foi eleito para a Câmara dos Representantes e designado para um comitê de grande interesse para a China.

Relatos indicam que a chinesa ajudou a arrecadar fundos para a campanha de Swalwell em 2014 e também ajudou a colocar “estagiários” em seu gabinete.

Fontes garantiram à Fox News que os chineses há anos colocam seus espiões para “dormir com membros do Congresso e funcionários menos conhecidos”. Fang também é apontada de ter mantido relações sexuais com dois prefeitos do Centro-Oeste, que segundo a Axios, foram dois “incidentes” detectados pelo FBI.

O dragão vermelho chinês estendeu seus tentáculos com centenas, talvez milhares de agentes nos EUA que identificam, treinam, apoiam, influenciam, fazem concessões e corrompem americanos na política e em outras áreas importantes para o expansionismo do Partido Comunista Chinês.

Foi assim que o governo comunista chinês inundou os Estados Unidos com seus espiões.

O republicano Darrell Issa, membro da Câmara dos Representantes dos EUA, disse à Fox News em 11 de dezembro que há “centenas de milhares de pessoas agindo como espiões coordenados pela China”.

A abordagem da China de entrevistar estudantes, turistas e homens e mulheres de negócios que retornam à China, permite a coleta de informações aparentemente sem importância, que podem ser utilizadas em conjunto à crescente inteligência artificial e outras capacidades tecnológicas.

Mas Fang não era uma simples coletora de informações. Aparentemente, a suposta amante de Swalwell foi para os Estados Unidos por volta de 2011 para “estudar” na universidade ‘California State University – East Bay (CSUEB)’, onde dirigiu um grupo político, ligado à organização de Assuntos Públicos Americanos das Ilhas do Pacífico Asiático.

Estudantes chineses e a espionagem

A China tem atualmente cerca de 370.000 alunos em faculdades e universidades americanas; o número de estudantes chineses triplicou em uma década.

E cada aluno é um agente em potencial porque todos têm a obrigação legal de cometer espionagem contra os Estados Unidos. Pois, os artigos 7 e 14 da Lei de Inteligência Nacional da China de 2017 exigem que todos os cidadãos chineses espionem, se solicitado. Da mesma forma, a lei diz que nenhum cidadão chinês pode resistir à exigência de espionar ou cometer qualquer outro ato no organograma do Partido Comunista Chinês.

Enfim, todos os chineses estão sujeitos a se tornarem agentes de coleta de informações.

O modus operandi do PCC é conhecido, sabendo-se que China está empregando sistematicamente seus cidadãos para reunir inteligência e usar instalações diplomáticas para lidar com isso. Fang, por exemplo, estava em contato com um diplomata suspeito de ser agente do Ministério da Segurança do Estado, baseado no consulado de São Francisco, na Califórnia.

Esse consulado até abrigou um fugitivo procurado pelo FBI. Tang Juan finalmente se rendeu às autoridades dos EUA em 24 de julho, após fugir para a segurança do complexo um mês antes. Ele é acusado de omitir ligações com os militares chineses enquanto trabalhava como pesquisador de biologia na Universidade da Califórnia, em Davis.

Infiltração nos EUA

Em julho, o Departamento de Estado americano ordenou o fechamento do consulado chinês em Houston. O Secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, chamou a instalação de “centro de espionagem e roubo de propriedade intelectual”.

Especula-se que o consulado foi usado para obter ilegalmente, entre outras coisas, tecnologia de extração de petróleo de empresas vizinhas do Texas.

O consulado chinês em Nova York também é um centro de espionagem. James Olson, um ex-chefe da contrainformação da CIA, estimou que a China, segundo o The New York Post, “tem mais de 100 oficiais de inteligência operando na cidade ao mesmo tempo”.

A cidade de Nova York, disse Olson, está “sob ataque como nunca antes”.

Pompeo disse ao jornal The New York Post que esses oficiais de inteligência estão operando a partir do consulado de Nova York e da missão chinesa nas Nações Unidas.

Os agentes da China estão preocupando as autoridades americanas. O diretor do FBI, Christopher Wray, disse em julho que “quase metade” dos casos de contraespionagem são contra a China.

Segundo Wray, o FBI abre um caso de contraespionagem relacionado à China “aproximadamente a cada 10 horas”.

Fim da espionagem

De acordo com o Instituto Gatestone, há uma maneira de lidar com esse grande problema de espionagem chinesa em solo americano: fechando as bases operacionais da China nos Estados Unidos. Isso significa fechar os quatro consulados restantes de Pequim em Chicago, Los Angeles, Nova York e São Francisco, além de reduzir substancialmente o pessoal da embaixada.

Na verdade, segundo o instituto, a embaixada chinesa só precisaria do embaixador, da família imediata e da equipe, não das centenas atualmente designadas para lá. E enquanto os funcionários da embaixada fossem reduzidos ao mínimo, o Departamento de Estado dos EUA deveria expulsar o atual embaixador, Cui Tiankai. Pois, Tiankai e alguém do consulado chinês em Nova York tentaram recrutar um cientista como espião no estado americano de Connecticut.

Conforme o Gatestone, Pequim poderia enviar outro embaixador, mas Washington deveria então alertar o governo comunista chinês de que seu embaixador seria expulso ao primeiro sinal de “comportamento inadequado”.

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