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COLUNA: Quando os intelectuais serão responsabilizados por suas cagadas?

Filipe Altamir

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Reprodução/YouTube

Como bem provado brilhantemente pelo economista e sociólogo Thomas Sowell, a famigerada classe de “especialistas” e intelectuais – e aqui usamos o termo ocupacional para qualquer pessoa que trabalhe com ideias sociais e políticas – são as únicas que não só são completamente blindadas das consequências de suas ideias estúpidas, como também são premiados após vexames históricos de suas análises e catástrofes sociais provenientes de suas análises e opiniões.

A questão é bem simples: uma empresa de engenharia é objetivamente responsável por algum eventual dano originado numa construção de uma ponte em que algum preceito técnico tenha sido negligenciado por descuido ou imperícia, ao mesmo tempo que um restaurante e seus cozinheiros são responsabilizados por uma péssima comida. Diversas profissões na economia de mercado recebem punições econômicas, cíveis e até criminais por eventuais ações desastrosas por dolo ou culpa. A mesma coisa não acontece com a classe de intelectuais.

O vexame de Sartre eu defender cegamente a URSS mesmo após tomar conta dos desastres humanitários e do genocídio que vigorou no regime comunista não foi o suficiente para jogar a credibilidade desse autor na lata do lixo. Não só ignoraram as péssimas consequências de suas defesas estúpidas a um regime totalitário, como seu prestígio ficou ainda maior. Por trás de todo regime ditatorial existia sempre uma classe de intelectuais imbuídos de uma bolha de sabedoria transcendental e sacerdotal credenciando e legitimando a ideologia que lastreava os crimes mais bárbaros contra a humanidade.

O nosso exemplo tupiniquim é o queridinho da mídia, Átila, virologista que fez divulgação de um previsão catastrófica de 1 milhão de mortos por coronavírus, mesmo com todas as ações de prevenção e medidas de isolamento sendo executadas, culminando numa atmosfera generalizada de pânico e terrorismo psicológico, pavimentando a via para ações políticas desproporcionais e arbitrárias contra as liberdades individuais e contra cidadãos pacíficos. Ele foi responsabilizado pelos danos sociais gerados por sua previsão equivocada? Não, muito pelo contrário. Seu prestígio aumentou ainda mais, uma hashtag no Twitter em agradecimento foi feita e ele ainda é encarado como uma espécie de porta voz inequívoca do conhecimento científico.

A pretensão de conhecimento da classe dos intelectuais do mainstream foi denunciada também pelo economista e filósofo Friderich Hayek, que denunciou efusivamente o fenômeno da economia planificada e planejada que vigorou nos regimes socialistas e comunistas do século passado onde a pretensão do conhecimento tomava conta e a classe de especialistas e intelectuais se julgavam capazes de decidir elementos econômicos e cálculos de preços de maneira centralizada, guiando e controlando milhares de anseios subjetivos e informações dispersas numa economia dinâmica dentro da lógica de mercado. Só na URSS, os “técnicos” e “especialistas” tinham que lidar com mais de 24 milhões de informações precificadas para se calcular e tentar “guiar” o sistema de preços dos bens e serviços. Não preciso nem dizer que essa inútil tentativa de controlar a sociedade verticalmente fracassou.

A realidade é que a classe intelectual raramente está capacitada para guiar ou determinar o rumo de numa nação com uma composição expansiva de milhares de anseios subjetivos de milhares de indivíduos. A ordem espontânea, assim configurada por Hayek, é uma conjunção de milhares de ações voluntárias, espontâneas e coordenadas de indivíduos livres trabalhando conforme suas realidades práticas envolvendo saberes, conhecimentos e técnicas que fogem completamente da alçada da iluminada classe de técnicos e intelectuais que se dizem a favor da ciência.

Por séculos a história sempre se repete: comunismo, socialismo e nazismo. Todos esses regimes bárbaros tiveram aval de classes de intelectuais em defesas efusivas dessas ideias que se materializaram em catástrofes anti-humanitárias e bárbaras violações de direitos humanos. Raramente se vê um número considerável de intelectuais da época que foram punidos, boicotados ou responsabilizados de alguma forma por defenderem tantas atrocidades. Ideias têm consequências.

Escritor formado em Direito, conservador e analista político.

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