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Não se engane: Maia não segura o governo, e sim o apoio popular

Filipe Altamir

Publicado

em

Alan Santos | PR

No início do mês, o programa Roda Viva, da TV Cultura, recebeu o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), que surpreendeu alguns ao afirmar que não via elementos probatórios suficientes para gerar o impeachment do presidente Jair Bolsonaro.

Essa fala corrobora com a visão dos “liberais isentões” que idolatram Maia, afirmando que Bolsonaro só não sofreu impeachment graças ao presidente da Câmara que o segura no cargo.

Nada poderia estar mais longe da verdade do que uma análise tão ingênua e superficial como essa.

É óbvio e ululante que o processo de impeachment já teria acontecido há tempos com a devida chancela do Maia caso a popularidade do presidente fosse deteriorada e a rejeição atingisse máximo nível.

Não existe um processo de impeachment na história política brasileira que não tenha como precedente básico uma rejeição vigorosa por parte da população.

Embora tenha sua faceta técnica, todo impedimento possui também seu aspecto político, que por sua vez encontra credenciamento mediante o termômetro popular.

As últimas pesquisas comprovaram cabalmente o crescimento inesperado – pela grande mídia e pelos ideólogos cegos – do presidente, dificultando a vida da classe corrupta burocrática que comanda e orienta um boicote máximo ao governo federal mediante todos os poderes da república.

O governo federal, incorporando os principais anseios conservadores aclamados em 2018, sofre uma miríade de boicotes sistêmicos por parte do Congresso, STF e outras instituições pouco aclamadas da República. Uma série de propostas e Medidas Provisórias foram aviltadas e caducadas à despeito da vontade majoritária que expressou a chancela por essas mudanças mediante as urnas.

Encarar toda essa série de boicote como uma justa resposta à suposta postura destemperada do chefe do Executivo não passa de um mecanismo retórico para abafar os crimes mais hediondos daqueles que contrariam a espinha dorsal e bússola norteadora de qualquer democracia saudável: o respeito pela vontade majoritária expressa nas eleições.

Nas últimas pesquisas realizadas, Bolsonaro disparou em qualificação popular dos 25% aos 38%, mesmo com todas as investidas midiáticas diárias em falsificação, difamação barata e distorção. Isso revela uma tendência favorável à independência popular: o povo brasileiro está mais cético e desde 2014 assumiu uma identidade política mais clara. Isso está presente tanto naqueles que são contra quanto os que são a favor. Em 2010, vigorando as eleições presidenciais entre Dilma e José Serra, era claro observar que a oposição ao PT naquela época não se caracterizava como uma mentalidade claramente conservadora ou liberal, mas apenas como um prelúdio de uma revolta puramente antipetista, completamente desprovida de ímpetos ideológicos. Naquela época não se falava tanto do Foro de SP, embora o professor e filósofo Olavo de Carvalho tenha coletado um dossiê completo sobre a articulação comunista continental e entregado nas mãos do José Serra por um terceiro. O embate contra o projeto de poder petista girava em torno apenas do argumento moral contra a corrupção, e o mensalão era o principal exemplo citado como um estopim da revolta antipetista da época.

Em 2014 o cenário começou a evoluir para uma identidade mais madura da direita brasileira. O Foro de SP passa a ser citado com maior frequência e reconhecido até por alguns setores da grande mídia. O resultado foi quase uma derrota da Dilma, mas foi em 2016 após inúmeras manifestações pelo impeachment e com uma queda vertiginosa da popularidade da ex-guerrilheira que a possibilidade do impedimento ganhou força expressiva, arregimentando uma massa de brasileiros revoltados não só com o projeto cleptocrata do petismo, mas contra o crescimento das ideologias coletivistas que ameaçavam o país e a América do Sul.

Hoje é possível você identificar cada vez mais brasileiros que vestem a camisa do conservadorismo, do liberalismo e que se reconhecem como direitistas. O crescimento expressivo do movimento conservador incomodou o establishment e os reflexos da solidez desse crescimento podem ser vistas em ações desesperadas e arbitrárias da própria suprema corte mediante o inquérito ilegal e inconstitucional. As ações são completamente déspotas, mas também revelam a condição psicológica dos perseguidores: um total desespero.

A direita precisa melhorar muito e ganhar corpo cultural e intelectual, mas é inegável que essa base que passou a vestir o manto e assumir uma identidade política é a mesma que sustenta o governo Bolsonaro.

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Escritor formado em Direito, conservador e analista político.

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