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COLUNA | Vilipêndio ou Democracia

Ludimilla Oliveira

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em

Imagem: Reprodução

É tempo que se pode tudo em todos, é tempo de asfixiar mesmo com oxigênio, de constranger e de determinar nenhum segundo de paz! Delimitar usos e espaços, usar palavras de ordem e isso não é autoritarismo, e sim democracia. Porque quem não congrega da egrégora criacionista, dissimulada, então a ela não pertence. É a democracia clamando em alta voz: fora!

Ah, mas somos iguais perante a lei, constitucionalmente até que procede, todavia naturalmente não. As diferenças dependem do campo magnético da igualdade, isto é, se você é uma mulher e não faz parte da consonância estereotipada, terá um apoio.

Se você é somente uma mulher, mãe de família, que tem personalidade sem ser segregacionista, você não é uma mulher. Você é uma pessoa que pode ser execrada, porque a luta é para os que lutam democraticamente.

O cenário de holocausto silencioso vai ficando ainda mais intenso, quando os arquétipos criados seguem suas métricas sem rimas, porém cabem na musicalidade da consternação e do sofrimento enigmático, porque não importa se é humano, o que importa é a democracia.

As palavras mortíferas encenadas com gestos deprimentes nos palcos das contradições recebem aplausos, ganham adeptos, tem legitimidade e é a democracia da liberdade consagrada aos rituais opressores para o que defendem os oprimidos. É a democracia inteligível do modo de pensar, agir e lutar e assim, camufladamente, vilipendiar.

Ah, esse protagonismo é mesmo assustador, porque exalta com sororidade, defende os opressores, combate a igualdade e tem endereço certo. Eu ainda vejo dias melhores, sons e gritos de alegria, pois “eu sou aquela mulher a quem o tempo muito ensinou”. Ensinou a amar a vida e não desistir da luta, recomeçar na derrota, renunciar a palavras e pensamentos negativos. Acreditar nos valores humanos e ser otimista. ”Cora Coralina nos inspira nesse trecho e nos faz dizer ainda mais: eu acredito na libertação da democracia.

“Eu sou aquela mulher
a quem o tempo muito ensinou.
Ensinou a amar a vida
e não desistir da luta,
recomeçar na derrota,
renunciar a palavras
e pensamentos negativos.
Acreditar nos valores humanos
e ser otimista.”

É nas palavras de  Cora Coralina e sem devaneios, mas amparada na certeza que se você está no caminho certo, nele alcançará o seu lugar!

A Universidade é mesmo o caminho da esperança, o espaço da maior conquista, da maior riqueza, da maior solicitude, o conhecimento traz o diferencial. “Educar a mente sem educar o coração não é educação”, de acordo com  Aristóteles e o percurso da transformação tem um desafio, nós somos humanos!

E como humanos, às intempéries da vida podem fazer naufragar os planos, os projetos. Mas, não a esperança, a atitude proativa e defensável, é preciso respirar e seguir. Afinal, uma pandemia pode até ter parado o mundo, mas jamais irá fazer retroceder a ciência, com  sua aljava de soluções, para fazer e acontecer a tão esperada cura. Pois, “o racional e o intuitivo são modos complementares de funcionamento da mente humana“, conforme o físico Fritjof Capra.

Em pleno semiárido, a ESAM – UFERSA (Universidade Federal Rural do Semi-Árido), em Mossoró-RN , tem no esteio de sua história, a terra de Santa Luzia, pioneira, forte, determinada, é aqui que a luz da ciência começa a espargir no prisma de seus desafios o flerte com ensino, pesquisa e extensão.

“Bondosa se mostrou a Natureza
Em cumular de dons a Mossoró
Das várzeas e do sol vem a riqueza;
O Sal, precioso sal, que o mar produz
Nas matas da Caatinga ao estio acessa;
A nívea vela do Algodão reluz.“
(Hino de Mossoró)

Na interface desse semiárido, temos terras distintas e convergentes e do sertão central ecoamos.

“Agricultores, operários e doutores
Batalharam com coragem e amor
Nós que queremos neste dia exaltar
Todos eles que lutaram com fervor.”
(Hino de Angicos)

E , nesse esplendor seguirmos direto para Caraúbas:

“Caraúbas cidade fagueira
De belezas e encantos aflux
Do sertão és a plaga altaneira
Inundada de luz.”
(Hino de Caráubas)

Há nesse percurso,

vilipêndio institucionalizado

 


Ludimilla Oliveira. Mossoroense, é Professora da UFERSA, atua na área interdisciplinar, Doutora em Arquitetura e Urbanismo, pesquisadora, escritora, é sócio- correspondente da União Brasileira de Escritores UBE-RJ, pertence aos quadros da Associação de Escritores de Mossoró – ASCRIM, da Associação Litero-Artística de Mulheres Potiguares – ALAMP, é sócia efetiva, cadeira 148 do Instituto Histórico e Geográfico do RN, é imortal cadeira 37 da Academia de Ciências Jurídicas e Sociais de Mossoró – ACJUS, é imortal cadeira 23 da Academia Mossoroense de Letras – AMOL.