Redes Sociais

Artigo

COLUNA: Secularismo na política brasileira

Carlos Júnior

Publicado

em

Foto: Reprodução

O dito mundo moderno é marcado pela ruptura com as tradições ocidentais, a rejeição obstinada das religiões tradicionais e o surgimento das ideologias de massa. As consequências das transformações no campo moral estão aí para todo mundo ver: genocídios, guerras e perseguições religiosas. Todas elas foram resultantes da ação revolucionária, que vislumbrava um futuro idealizado e livrava os seus idealizadores dos parâmetros morais da velha sociedade reacionária.

Por que um desejo tão destrutivo – e em certa medida assassino até – faz bater mais forte o coração das classes falantes, dos jornalistas, dos políticos e de todo o establishment? Como um país tão religioso e conservador é controlado por uma elite sem parâmetros morais e enquadrado em uma Constituição que estabeleceu o Estado Laico?

Há fatores históricos e políticos nesta equação. Ambos se entrelaçam por diversas vezes, em uma mistura confusa e desnorteante para quem busca uma explicação no assunto.

O Brasil quase nunca teve um governo empenhado em preservar os valores tradicionais religiosos. Na Monarquia, os dois imperadores eram maçons, com Dom Pedro I adepto do liberalismo francês e Dom Pedro II mais à inglesa. Ambos os liberalismos eram anticatólicos e anticlericais. Pedro II até se envolveu na questão religiosa, quando dois bispos foram presos por cumprirem a bula do Papa Leão XIII que proibia o casamento entre católicos e maçons – ainda que sem validade legal, pois o preceito constitucional do Beneplácito estabelecia a invalidade de uma bula papal não chancelada pelo imperador, o que gerou toda a confusão. A República estabeleceu a separação entre Igreja e Estado, com o secularismo como regra na relação entre os dois.

Getúlio Vargas foi um ditador de inspiração fascista, com ênfase no positivismo gerador da própria República brasileira. Então temos todos os outros presidentes até a Nova República a concentrar as atenções políticas em meras disputas eleitorais. Foi o terreno propício para a ascensão do esquerdismo na política e na cultura brasileira. Lideranças políticas e intelectuais conservadores e liberais como Carlos Lacerda, Magalhães Pinto, Gustavo Corção e João Camilo de Oliveira Torres foram varridas para a lata de lixo da história.

Em momento algum tivemos um governo direitista com ênfase nas nossas raízes cristãs – majoritariamente católicas. A UDN foi um excelente partido, uma pena que nunca logrou êxito. Essa ausência explica o porquê da fanfarronice dos donos do poder, explicada no que o sociólogo Oliveira Vianna chamou de ‘’marginalismo das elites’’.

O fator político envolve o globalismo e já é mais perceptível na Nova República e na Constituição de 1988. As três facções globais conflitantes são inimigas das tradições religiosas: o metacapitalismo promove o progressismo daninho através do poderio econômico, o esquema russo-chinês reverbera o ateísmo marxismo pelo porrete e o bloco islâmico luta pela subversão do Cristianismo em detrimento às seitas esotéricas islâmicas. Esses três blocos são os verdadeiros agentes históricos, pois atendem a todos os requisitos para tal definição. Eles protagonizam a guerra cultural nos campos anteriormente citados.

Os metacapitalistas controlam a maioria dos governos ocidentais e sonham com a implementação de um governo mundial, precedido pela diluição das soberanias nacionais a organismos supranacionais como a ONU, Unesco, OMC, OMS e tutti quanti. Para isso, é necessário destruir as identidades nacionais e as religiões tradicionais – principalmente o Cristianismo e o Judaísmo. Daí que pautas como abortismo, feminismo, casamento gay e liberação das drogas são propagadas nas nações ocidentais e subsidiadas com dinheiro das fundações ligadas aos globalistas.

Se o Brasil tem historicamente uma propensão intelectual a aceitar as novidades culturais europeias – principalmente francesas – e desde o golpe republicano largou a sua história e sua identidade nacional para trás, não é muito difícil imaginar o que aconteceu com as pautas globalistas. Controlado politicamente por elites adeptas de valores completamente diferentes dos que são caros ao povo, nosso país foi presa fácil aos ambiciosos globalistas.

Vejam, por exemplo, a questão do aborto: a maioria esmagadora da população brasileira é contra, até mesmo o parlamento encara o tema com antipatia, mas os iluminados do STF estão a um passo de permitirem a prática na canetada e atender aos desejos do lobby abortista. Outras pautas como casamento gay e liberação das drogas também encontram a mesma resistência e são discutidas nos mesmos moldes, ignorando solenemente a opinião pública e o sentimento religioso do nosso povo.

O secularismo e o Estado Laico são anseios da nova classe de intelectuais, juízes, políticos, jornalistas e demais mentes iluminadas. A separação entre Igreja e Estado, aparentemente inofensiva, cria uma nova moral, diferente da religiosa. É a moral secular, onde tudo é permitido – exceto contestá-la. Pautas que o povo não sabe de onde vêm viram o novo código a ser seguido, o novo imperativo categórico. O Brasil é a terra dos sonhos para os seus idealizadores e homens práticos que destinam a suas carreiras na mutação dos valores cristãos e conservadores.

Referências:

  1. https://www.youtube.com/watch?v=J8hnQcNyoXU&t=2640s
  2. https://www.jornaldocomercio.com/_conteudo/opiniao/2019/08/700867-amazonia-o-fogo-os-globalistas-e-as-ongs.html
Ajude-nos a mantermos um jornalismo LIVRE, sem amarras e sem dinheiro público. APOIAR »

Jornalista. Escreve sobre politica brasileira e americana, com análises não vistas na grande mídia.

Parceiros

alan correa criação de sites