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COLUNA | Felipe Neto e esquerdistas em geral não sabem o que é fascismo

Filipe Altamir

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Divulgação | Conexão Política

O influenciador e youtuber Felipe Neto resolveu utilizar de artifícios totalitários e mimados para gerar um grande espiral do silêncio e criar uma atmosfera de vigilância com demais outros influenciadores que nada mais fazem seus trabalhos e não se pronunciam sobre política. Por qual razão fundamental essa postura mimada ao inflamar seu exército de apoiadores patrulheiros progressistas e influenciadores aliados? Felipe Neto acha um absurdo descomunal as pessoas discordarem dele e, portanto, caso não profiram críticas severas a um governo sistematicamente boicotado, logo ele conclui em um non sequitur absurdo que eles endossam o “fascismo”.

Vamos nos atentar também para o que está fundamentalmente incorreto nessa linha de raciocínio, começando pelo que ele julga ser “fascismo”. Em primeiro lugar, deve-se colocar na cachola vazia de um esquerdista militante que o fascismo não se trata de um xingamento desprovido de substancialidade, mas de fato uma caracterização de identidade política proveniente de um regime político claro.

Eu sei que pode parecer absurdo, mas realmente existem pessoas que se denominam como fascistas e que apoiam regimes fascistas. Sem entrar no mérito da invalidade desse regime, é preciso entender que essa identidade política foi surrupiada pelos progressistas como uma forma de xingamento vazio e desprovido de substancialidade, que visa criminalizar a opinião pública de quem a hegemonia julga ser incorreta e que mereça ser censurada por táticas de patrulhamento, linchamento virtual e público e difamação copiosa.

A grande questão é que se mapearmos ideologicamente o pensamento esquerdista brasileiro, suas pautas econômicas e políticas, e compararmos com o que defende o fascismo, podemos observar uma grande compatibilidade estrutural e ideológica, precisamente na defesa de qual deve ser o papel fundamental do Estado e seus campos de atuação. Não é mistério para nenhum historiador, é claro, que o fascismo representa uma terceira via entre o capitalismo liberal e o socialismo planificador. Não precisa ter muitos neurônios para enxergar que o fascismo dialoga muito mais com as pautas progressistas do que com as ideias liberais e conservadoras.

O grande desconhecimento sobre o que é o fascismo contribui para que uma massa de desmiolados passem a proliferar esse xingamento que ajudam no grande maquinário de manipulação política e engenharia social comandada pela hegemonia cultural esquerdista, endossada pela grande mídia, academia e centros de disseminação cultural, principalmente nas escolas do ensino básico.

Alguns podem te xingar de “fascista” de maneira inocente, outros o fazem propositadamente, mas não é à toa que esse termo ganhou força e virou moda no vocabulário patrulheiro com o intuito de gerar vergonha em cima de opiniões que nada tem a ver com o fascismo — reforçando o velho “centralismo democrático”, em que apenas a esquerda moderada é permitida — nada mais além disso.

Nesse espectro totalitário em que se cala sistematicamente e socialmente visões dissonantes do espectro da esquerda, a direita, por mais moderada e comedida que seja, é levada ao escrutínio público sendo julgada como a máxima manifestação do “fascismo” como forma de espantalho, enquanto a ‘esquerda moderada’ é considerada como uma “direita burguesa” pela esquerda radical. Logo, o espectro político verdadeiro se reduz ao universo das ideologias socialmente aceitáveis da esquerda, criminalizando os conservadores e liberais do debate público, justo e democrático.

Diante de todo esse cenário sujo e mimado propagado e construído linguisticamente pela esquerda, verificamos que há inúmeras pautas políticas e econômicas do fascismo que coadunam perfeitamente com a esquerda, e não é à toa que o histórico ditador Getúlio Vargas é um ídolo incontestável de muitos esquerdistas. Eles encontram uma compatibilidade perfeita na noção de que o Estado deve ser dirigista, centralizador, intervencionista ao máximo e o condutor principal de toda a atividade econômica como um todo, desprezando quase que completamente a ordem espontânea do mercado e das relações humanas em cooperação social e voluntária.

Tudo se trata de um teatro cínico desprezível, em que a hegemonia esquerdista controla os meios de formação do imaginário popular e modula a seu bel prazer os significados das palavras conforme for mais conveniente. Não deixe que nenhum desmiolado te chame de fascista por você ser um conservador inspirado em Russell Kirk, Roger Scruton ou Olavo de Carvalho. Não permita ser chamado de fascista por defender a liberdade individual e o livre-mercado, pois o fascismo é substancialmente contra tudo isso, em essência e de acordo com todos os autores consagrados da ideologia fascista.

Se você se direcionar para qualquer neonazista ou fascista convicto e indaga-lo sobre sua concordância com figuras liberais ou conservadoras, você provavelmente será xingado aos montes, isso se não tiver sua integridade física ameaçada, literalmente.

Eles não sabem o que é fascismo, e alguns poucos até sabem, mas usam isso criminosamente contra você para te censurar, para te envergonhar indevidamente de suas opiniões e controlar todo o debate democrático. Não tenha medo dos seus impropérios e xingamentos, levante sua voz e tome seu espaço, pois isso é só o começo da quebra gradual de toda a hegemonia esquerdista construída paulatinamente durante 50 anos desde o regime militar.

E algo temos registrado: todos eles alardearam e contribuíram para a construção de uma atmosfera de pânico e terror durante as eleições alegando que Bolsonaro tinha inspirações e ímpetos hitleristas, e que provavelmente daria um golpe de Estado e executaria uma ditadura militar. Não foi o que aconteceu, mas eles persistem na narrativa mesmo que o caráter econômico do governo seja substancialmente contrário ao fascismo e que as atitudes pessoais do Bolsonaro em voltar atrás e sempre reconsiderar muitas de seus atos representa uma flexibilidade democrática que deixaria qualquer fascista borbulhando de raiva. Eles estão errados, e o tempo só tem mostrado isso.

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Escritor formado em Direito, conservador e analista político.

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