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COLUNA: O militante de batina

Carlos Júnior

Publicado

em

Thiago Leon | Poder360

Dom Orlando Brandes gosta de fazer política. No ano passado, ele protagonizou aquele papelão ao afirmar em plena missa que a direita é “violenta e injusta”. Respeito pelos fiéis católicos que optam pela direita política? Rigorosamente zero. Ainda falou do “dragão do tradicionalismo”, pois é mesmo coisa do Diabo respeitar as tradições da Igreja abolidas pelo seu amado Concílio Vaticano II. O modernismo condenado por inúmeros Papas não oferece perigo nenhum, não é mesmo?

Enfim, vamos lá. Dom Orlando Brandes aproveitou a missa solene do dia de Nossa Senhora Aparecida como palanque político. Falou das queimadas, das fake news e de uma tal idolatria política. Todos os três temas citados são parte importante da pauta esquerdista aqui no Brasil. Ver o sermão como apolítico é coisa de insano – ou de quem no fundo concorda com o Bispo e tem vergonha de admitir o viés da coisa.

É no mínimo curiosa a preocupação de um clérigo com o ressurgimento da direita no Brasil. Direita é sinônimo de conservadorismo, defesa dos valores civilizacionais do Ocidente e do Cristianismo. Se em nosso país a Igreja Católica foi a instituição que o criou e o moldou os hábitos, valores e tradições do povo brasileiro, ela é parte importante da nossa trajetória, sendo então parte do conservadorismo tipicamente nacional – como destaca em sua obra o historiador João Camilo de Oliveira Torres.

A “direita” que Dom Orlando Brandes acredita ser a real é a direita pintada pela esquerda. Com a desculpa de censurar a internet, ela criou a narrativa das fake news, e obviamente colocou seus opositores como vilões e propagadores da coisa. É uma mentira que nem mesmo um Marcelo Freixo acredita, mas o militante de batina reverbera e ainda dá um verniz católico à narrativa. As mentiras da grande mídia – muito bem documentadas pelo jornalismo independente e por este colunista – não importam para o Bispo, pois ela é parte da militância esquerdista. Aí ela se torna imune a qualquer crítica.

A sua amada esquerda, Dom Orlando Brandes, quer acabar com a religião de qualquer forma. Os comunistas tentaram fazer isso de forma direta, pois para Marx a religião é o ópio do povo. Já os progressistas pregam tolerância com todas as religiões e enfiam o secularismo nesse bolo, mas todo mundo sabe quem de fato é varrido da vida pública.

Comunismo e suas variantes estão condenados pela Igreja desde a bula do Papa Pio XII que estabeleceu a excomunhão automática do fiel católico que pertencesse a qualquer partido ou organização comunista. Por isso, Pio XII foi alvo de uma das maiores campanhas de desinformação da história – a suposta ligação entre Vaticano e Adolf Hitler durante a Segunda Guerra Mundial. Alguma vez Dom Orlando Brandes o defendeu? Ou a narrativa das fake news só merece destaque quando a esquerda é supostamente vítima?

Dom Orlando Brandes é um cínico de marca maior. Sua militância esquerdista é explícita demais para ser negada. Pior: usa a Santa Igreja Católica para isso. Lugar mais impróprio não poderia haver.

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Jornalista. Escreve sobre politica brasileira e americana, com análises não vistas na grande mídia.

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