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Análise

COLUNA: Beneficiários do antiamericanismo

Carlos Júnior

Publicado

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Foto: Alexandre Gondim / JC Imagem / Agência Estado

Um dos mandamentos divinos da esquerda e do beautiful people de qualquer nação de Terceiro Mundo é compartilhar do ódio irracional aos Estados Unidos da América. Perceba o quanto os noticiários dos veículos de comunicação brasileiros – notoriamente esquerdistas – adoram colocar os EUA, o Partido Republicano, o FBI e a CIA em uma trama ultrassecreta destinada a comandar o mundo a partir de Washington e terá ciência do que falo. O maldito imperialismo americano – não tão maldito assim quando um democrata ocupa a Casa Branca – é sempre a cenoura de burro para a justificativa das maiores inverdades possíveis.

A imensa maioria dos ditos letrados brasileiros ainda acredita, por exemplo, que a cassação de João Goulart em 1964 foi obra de um conluio dos militares ultradireitistas com o governo americano, pois o coitado do Jango foi tachado injustamente de comunista só porque desejava as tais reformas de base – que a classe média reacionária não queria. Qualquer imbecil semianalfabeto que tenha alguma vontade de conhecer a realidade pode atestar que o governo americano nada interviu no processo, e que ao contrário do que dizem, Jango era um aliado da extrema esquerda e do PCB, desejoso de decretar o estado de sítio para dar o poder de bandeja aos comunistas por orientação do Komintern. Os documentos presentes no livro 1964: o elo perdido atestam isso.

Por que a esquerda brasileira – e mundial – tem nos EUA um poderoso inimigo e bode expiatório para a ocasião que bem desejar? Qual o interesse por trás da promoção do antiamericanismo no mundo?

Em primeiro lugar, o ódio aos EUA não surgiu espontaneamente. As principais narrativas contra o governo americano, suas instituições e seus valores foram produtos de narrativas de desinformação da KGB, o serviço secreto soviético. A desinformação foi a grande arma da União Soviética na luta contra os EUA e Ocidente: Stálin previu – erroneamente, é verdade – que o bloco comunista venceria a Guerra Fria sem disparar um tiro. O conceito de desinformação é muito simples: vender uma mentira com uma ponta de verdade a fim de confundir o adversário e induzi-lo a tomar uma decisão errada. Os objetivos da URSS na disputa com os EUA eram principalmente jogá-lo contra o resto do mundo e fazer a balança da Guerra Fria pender favoravelmente aos soviéticos. Isso é atestado no livro Meias verdades, velhas mentiras, de Anatoliy Golitsyn – desertor do bloco comunista e depois denunciante de seus métodos de ação.

Várias operações de desinformação para pintar os EUA como o grande vilão da história foram realizadas. Por exemplo, a Operação Áries, que pintou os americanos como criminosos assassinos em referência à Guerra do Vietnã. As ‘’mortes horríveis’’ provocadas pelo governo americano ficaram para a história, ao passo que 1 milhão de mortos pelo regime comunista no Vietnã do Norte ficaram para sempre debaixo do tapete. Isso sem contar das outras operações na América Latina com o objetivo de culpar os EUA por golpes militares de toda sorte – exemplo já explicado no caso brasileiro – e apagar os rastros da atividade comunista e de oficiais dos serviços de inteligência do bloco soviético em solo latino-americano.

Em segundo lugar, os EUA como nação representam tudo o que a esquerda odeia. A Constituição americana é a mais antiga do mundo, a única vigente com influência notável do Cristianismo em sua formação – procurem pelo livro So Help Me God, do tão caluniado Roy Moore, e atestem isso. O capitalismo americano nos moldes do livre mercado fez do país a maior potência econômica do mundo. Os Founding Fathers pensaram numa nação cristã, próspera e livre. Essa combinação é exatamente aquilo que a esquerda – tanto americana quanto a de outros países – não quer. A promoção do secularismo antirreligioso e do estatismo como modelo econômico são pautas extremamente caras ao esquerdismo chique, ao beautiful people e às elites políticas que sonham com um governo mundial e com uma civilização planejada pela ONU e demais organismos supranacionais.

Com isso, fica fácil saber quem tem a ganhar com o antiamericanismo. Os globalistas querem a instauração de um governo mundial e contam com a destruição das soberanias nacionais para alcançar tal objetivo, sendo a soberania americana o principal obstáculo – tanto em termos legais quanto nas pautas culturais. A esquerda americana é a auxiliar do metacapitalismo globalista nos EUA e busca reverberar o ódio ao próprio país para chegar ao poder tanto por suas conexões com os outros dois esquemas globais de poder visivelmente antiamericanos – o russo-chinês e o islâmico – quanto pela vontade de destruir os valores culturais americanos. A esquerda latino-americano busca lançar no governo americano a culpa pelo surgimentos das múltiplas ditaduras militares na América Latina, uma culpa que no entanto é sua, pois as suas conexões com o bloco soviético e as guerrilhas armadas de inspiração comunista levou o povo a pedir uma providência das Forças Armadas de seus respectivos países.

No nosso caso, percebam como o chanceler Ernesto Araújo é trucidado na grande mídia por colocar o Itamaraty em maior alinhamento aos EUA. Os ditos comentaristas políticos consideram isso uma afronta a nossa soberania, mas ficaram calados quando os governos petistas fizeram do nosso governo um serviçal do Foro de São Paulo e da estratégia comunista latino-americana. Aliar-se a uma nação que trouxe prosperidade econômica para tantas outras – China, Coreia do Sul, Japão e tantas outras – e reconstruiu a Europa com o Plano Marshall é algo inaceitável; usar do nosso governo e das nossas instituições para colocar em prática um plano totalitário comunista não é nada demais. Os ‘’especialistas’’ que circulam no jornalismo brasileiro têm a especialidade em não saber nada.

Ter nos EUA uma referência positiva afronta muita gente. Os beneficiários do antiamericanismo querem que você continue acreditando nas mesmas lorotas de sempre.

Referências:

  1. https://www.youtube.com/watch?v=yTenWQHRPIg&t=330s
  2. https://www.youtube.com/watch?v=ynTDf72aM7k&t=142s
  3. https://olavodecarvalho.org/debate-com-duguin-i/
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Jornalista. Escreve sobre politica brasileira e americana, com análises não vistas na grande mídia.

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