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COLUNA: A Igreja do nada

Carlos Júnior

Publicado

em

Ana Nascimento | Agência EBC

A videoconferência entre o presidente Jair Bolsonaro e padres ligados a veículos de comunicação católicos foi alvo de severas críticas. Como já era esperado, a esquerda iria chiar e dar piti em nome do Estado laico, pois a simples reunião do presidente da República com religiosos seria uma afronta aos dogmas seculares consagrados na Constituição de 1988. Alguns liberais e conservadores odiosos a Bolsonaro foram na mesma direção e provaram que em matéria de vassalagem ao status quo progressista eles são insuperáveis.

Também esperada era a reação da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil). Para quem conhece a entidade e tem ciência do que se passa e passou no clero brasileiro desde o advento da Teologia da Libertação, a ligação da CNBB com a esquerda petista é um fato incontestável. Os srs. Leonardo Boff e Frei Betto são ligados ao PT até hoje – e foram também os grandes mentores da infiltração comunista na Igreja Católica no Brasil. Dom Hélder Câmara, que foi Arcebispo de Olinda, era conhecido como o “arcebispo vermelho”, justamente por sua simpatia ao comunismo travestida de luta democrática contra a ditadura militar.

Pois bem, a CNBB publicou uma nota disponível no portal Vatican News intitulada “A Igreja Católica não faz barganhas”, em resposta à uma reportagem do Estadão que tratou justamente disso. Diversos pontos da nota chamaram minha atenção, mas um deles ficou na minha mente: “não aprovamos iniciativas como essa, que dificultam a unidade necessária à Igreja, no cumprimento de sua missão evangelizadora […]”.

Sinto muito informar aos bispos brasileiros e demais fiéis católicos, mas a referida unidade da Igreja já foi ceifada há pelo menos sessenta anos. E se no Brasil ela é ainda mais inexistente do que em outros países, não é por outra coisa a não ser pelas atitudes da própria CNBB.

O evento responsável por rachar a Igreja ao meio foi o Concílio Vaticano II. Convocado pelo papa João XXIII, a reunião do clero era – na concepção do próprio papa – uma oportunidade da Igreja entender o seu papel na modernidade e adaptar-se a ela, ou seja, fazer precisamente o oposto daquilo que São Pio X estabeleceu como ensinamento. As inúmeras mudanças chanceladas pelo concílio foram propagadas pela ala modernista do clero, o que chamamos na política de progressistas; esses já existiam e cumpriram à risca o que Antonio Gramsci recomendava aos comunistas: ao invés de destruir a Igreja Católica ipsis litteris, infiltrar-se nela, esvaziando-a de seu conteúdo espiritual tradicional e transformando-a em instituição propagadora não dos ensinamentos de Nosso Senhor Jesus Cristo, mas das divindades comunistas. A ala conservadora não compreendeu nada da situação e sua resistência aos novos valores chancelados pelo concílio foi débil. Daí em diante a Igreja Católica foi dividida em tradicionalistas e modernistas, os primeiros não aceitando as mudanças e os segundos aprovando a coisa e querendo até mais do que já tinha sido mudado.

Se o modernismo teológico alcançou a Santa Sé e abalou para sempre as estruturas do clero romano, imaginem o que aconteceu então no Brasil. Por aqui a infiltração comunista veio disfarçada com o nome de “Teologia da Libertação”, nada mais que um arremedo de conciliação entre cristianismo e marxismo. Teologicamente morta e refutada desde 1984 pelo então cardeal Joseph Ratzinger – que demonstrou a total incompatibilidade entre o materialismo marxista e os ensinamentos tradicionais católicos –, a TL transfigurou-se em movimento político organizado com as comunidades eclesiásticas de base – origem do Partido dos Trabalhadores. Os já citados Leonardo Boff e Frei Betto encarnaram como ninguém esse processo e fizeram de um partido comunista com roupagem gramsciana a principal força política do país até mesmo entre os fiéis e clérigos da Igreja. Na eleição presidencial de 2018, por exemplo, o petista Fernando Haddad venceu o então candidato Jair Bolsonaro entre os católicos.

É aqui que chego no cerne da questão: o PT é um partido comunista, e como tal é totalmente incompatível com a doutrina católica. O papa Pio XII – em documento publicado em 1949 – deixou a situação clara como o sol de Teresina ao estabelecer a excomunhão automática aos católicos simpatizantes ou filiados a organizações e partidos comunistas. Ora, o sr. Lula fundou em 1990 o Foro de São Paulo, a organização supranacional que nasceu com o objetivo declarado de “recuperar na América Latinha tudo aquilo que foi perdido no Leste Europeu”, ou seja, implementar o comunismo em todo o continente. As atas da entidade não deixam a menor margem de dúvida quanto às suas finalidades.

O que fizeram os padres e bispos brasileiros contra o partido que personificou o maior inimigo da Igreja em seus dois mil anos de existência? Absolutamente nada. Com raríssimas exceções, contadas nos dedos, esse clero totalmente embriagado com a promessa vaga de justiça social não só esqueceu da doutrina católica ao nada fazer contra o PT como colaborou com o projeto criminoso de poder petista. Querem um exemplo? A Catedral da Sé em São Paulo foi tomada pela militância petista que colou cartazes pedindo “Lula Livre” – isso em plena Igreja. Dois jovens católicos não se conformaram com a atitude e protestaram, sendo hostilizados e finalmente expulsos do local. A nota do cardeal Dom Odilo Scherer foi de uma desconversa inacreditável. Com essas e outras a autoridade de bispos e cardeais vem sendo minada por culpa de suas próprias atitudes.

Com todo respeito, vir falar de unidade na Igreja e missão evangelizadora – quando ambas foram solenemente desprezadas pela CNBB fundada por ninguém mais ninguém menos que Dom Hélder Câmara – em uma ocasião como a reunião de um presidente conservador com padres é de um cinismo inigualável.

Gustavo Corção colocou em O Século do Nada sua aflição frente a uma nova Igreja erguida após o CVII. Tanto o concílio quanto a Teologia da Libertação prometeram um catolicismo integrado ao mundo moderno, aos pobres, aos novos tempos, e tudo o que conseguiram foram Igrejas vazias, confessionários abandonados e fiéis leigos buscando um novo lar espiritual no protestantismo. Em suma: tudo o que os comunistas e seus cúmplices no clero nos entregaram foi a Igreja do nada.

Referências:

  1. https://www.vaticannews.va/pt/igreja/news/2020-06/nota-de-esclarecimento-a-igreja-catolica- nao-faz-barganhas.html
  2. https://politica.estadao.com.br/noticias/geral,arcebispo-de-curitiba-contraria-cnbb-e-defende-padre-que-ofereceu-midia-positiva-a-bolsonaro,70003332069
  3. https://olavodecarvalho.org/o-inicio-da-confusao/
  4. https://www.youtube.com/watch?v=a9X_SRCvF5w
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Jornalista. Escreve sobre politica brasileira e americana, com análises não vistas na grande mídia.

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