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COLUNA | A cultura do lacre fiscaliza, censura e destrói a liberdade de expressão

Filipe Altamir

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Felipe Neto, um dos principais pontuadores da “lacrolândia” da internet, sofreu ataques pesados da própria turma esquizofrênica da nova esquerda com seu tradicional patrulhamento linguístico para filtrar palavras, termos e expressões adequadas. Dessa vez, o influenciador progressista recebeu de volta todo o rigor do patrulhamento esquerdista após utilizá-lo para tentar policiar youtubers que não criticaram o governo e até o próprio Neymar.

Após fazer uma piada consigo mesmo sobre ter engordado durante a quarentena, a patrulha imediatamente tratou de silenciar o influenciador alegando que fazer piada com ganho de peso é uma manifestação cruel e virulenta de “gordofobia” – como se a obesidade, a alimentação desregrada e a falta de exercícios fosse algo louvável digno de contemplação máxima, ignorando todos os protocolos de saúde do mundo inteiro que alertam diariamente para os perigos do péssimo hábito alimentar e o tratamento da obesidade como uma doença.

A esquerda vai de contramão às orientações dos profissionais de saúde e subvertem toda a concepção objetiva ocidental dos padrões de beleza, mesmo que isso culmine em uma propaganda irresponsável da obesidade. Não existe certo e errado, lema máximo do relativismo moral e ético e bandeira de destaque levantada pela esquerda pós-moderna. Também nesse seguimento, não existe o belo e o feio; tudo é relativo. Tudo pode ser bonito, basta você acreditar que sim. E caso não concorde, será configurado como um monstruoso sociopata insensível ao subjetivismo esquizofrênico moral da esquerda.

Bom, se não existe parâmetros morais objetivos, verdades imutáveis e nem concepções objetivas do que é belo, então qual o sentido de haver debate público, processo dialético de confronto de ideias e discussões? Se tudo é belo, então o que seria considerado esteticamente feio? Com uma ausência do referente do que seria feio ou desordenado, perde-se o senso natural de escala de valores e hierarquia na sociedade. Algumas coisas são melhores que as outras, algumas pessoas são mais belas que as outras e há atitudes louváveis e reprováveis. Se não temos como escalonar aquilo que é bom ou ruim, belo ou feio, logo nada faz sentido e qualquer avaliação da realidade perde sua validade objetiva.

Com uma militância incansável pelo subjetivismo máximo e relativismo desenfreado, a esquerda militante contribui para a perda total do horizonte de consciência e percepção naturais da humanidade. Séculos de técnica, precisão e ordenação transcendente nos traços da arquitetura, na construção de quadros e na elaboração de pinturas magníficas perdem seus significados objetivos quando não se é possível estabelecer parâmetros do que é belo ou não. Ao militar que qualquer tipo de corpo, adorno, acessório e corte de cabelo não pode ser julgado como belo ou feio, então absolutamente nada faz sentido e a vida perde seu senso natural de significado transcendental.

Uma privada torna-se artefato artístico máximo, pois não é belo, mas é lacrador. Enquanto que um quadro minuciosamente elaborado com a mais alta técnica, precisão, estética e senso moral transcendental transmuta-se numa arma ardilosa do senso burguês estético objetivo repressor que deve imediatamente ser suprimido do imaginário popular ocidental. Toda essa noção de subversão dos valores e fatos objetivos contribui para que isso tenha repercussão no senso padrão estético na humanidade e seus traços corporais. É por esse motivo que vemos inúmeros exemplos de pessoas belas que tornaram-se figuras horrendas fisicamente e moralmente após a lavagem cerebral nas universidades federais, fator esse que já chegou a virar meme na internet sob o título de “antes e depois da federal”.

Essa descaracterização natural do que é intrinsecamente belo e humano parte justamente dessa noção básica do relativismo moral e estético. A crença de que existem padrões naturais manifestados conforme a evolução humana é encarado como uma normativa arbitrária burguesa, patriarcal e que deve ser abolida em nome da “libertação” da humanidade. O filósofo e esteticista Roger Scruton tratou com maestria e alertou para a consequente decadência moral e espiritual de uma sociedade que negligencia a importância do belo na humanidade, nas artes e arquitetura. Aquilo que enxergamos nas pessoas e nossa noção sobre as artes revela o nosso estado espiritual da época. O esvaziamento do sentido, o niilismo cultural latente, a liquidez dos relacionamentos e a fraqueza moral dos nossos povos projeta-se também nas manifestações artísticas através das pinturas, arquiteturas, obras literárias e na música.

Toda essa minha reflexão sobre a decadência moral, cultural, estética e artística partiu de um exemplo prático de relativismo moral e as consequências da cultura do lacre que parte desses pressupostos socioconstrutivistas. Felipe Neto é insignificante substancialmente, desprovido de cultura literária e inteligência, mas é um desmiolado que possui holofotes, uma patrulha de gados obedientes e um alcance enorme de idiotas lobotomizados numa guerra pela destruição de tudo aquilo que é belo e foi construído à custo pela civilização ocidental. Ele tem alcance grande demais para ser ignorado, e todo essa conduta patrulhadora da esquerda com seu relativismo generalizado deve ser denunciado e reflete diretamente a decadência ocidental espiritual e moral, em todos os seus aspectos e facetas. Uma sociedade cuja referência é um youtuber desmiolado de cabelo colorido condena boa parte de sua juventude à perdição intelectual, relativismo moral e simboliza uma decadência efusiva no espírito da época.

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Escritor formado em Direito, conservador e analista político.

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