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Celebração dos 111 anos de imigração japonesa no Brasil

Igor Guedes

Publicado

em

Wikimedia Commons

Nesta Terça-Feira, dia 18 de Junho, comemoramos os 111 anos da imigração japonesa no Brasil. A escolha do dia relembra a chegada do primeiro navio, Kasato Maru, com 165 famílias embarcadas em Kobe, Osaka com destino ao porto de Santos.

A epopéia de 52 dias em alto mar foi apenas um dos obstáculos vencidos pela virtuosa imigração japonesa que, muito antes de desembarcar em nossos portos, encontrava forte resistência de eugenistas brasileiros.

Em 1 de Maio de 1888, pelas mãos da redentora Princesa Isabel de Órleans e Bragança, a escravidão chegava ao fim no Brasil. Desde então, nosso país recebeu grandes levas de imigrantes europeus que substituíram, aos poucos, a mão de obra escrava. A maior parte era composta de italianos, mais de um milhão destes imigrantes desembarcaram nos portos brasileiros nas duas últimas décadas do século XIX. Entretanto, devido ao tratamento rude administrado por parte dos produtores de café do oeste paulista ao italiano, o fluxo reduziu-se drasticamente, sobretudo após a assinatura do decreto Prinetti em 1902.

Este cenário abriu, pelo menos economicamente, espaço para o imigrante nipônico que ainda precisava vencer a resistência do pensamento eugenista em vigor na época. Até 1890 a entrada de asiáticos e africanos era proibida por decreto assinado pelo presidente Deodoro da Fonseca e endossado por seu Ministro da Agricultura Francisco Glicério.

Ryu Mizuno capitaneou a imigração japonesa ao Brasil

Apesar da resistência de parte da opinião pública, o empreendedorismo e aptidão ao trabalho do japonês logrou sucesso na lavoura cafeeira e na produção hortigranjeira, sobretudo chá, morangos, seda e algodão no interior dos estados do Paraná e São Paulo.

O fluxo de japoneses foi incrementado com a proibição deste imigração nos EUA, Canadá e Austrália. O Brasil, apesar de limitar, não proibiu a entrada de japoneses, tornando-se ao longo das décadas de 1920 e 1930, a maior comunidade japonesa fora do Japão em todo mundo.

Família de imigrantes japoneses

Atualmente, a comunidade de nipo-descendentes no Brasil chega a quase 2 milhões de habitantes (1,09% da população). Sua presença transformou a agricultura com a introdução de novas técnicas como a hidroponia, além de espécies ainda desconhecidas no país como a mexerica poncã, o caqui, e a maçã fuji. A introdução dessas culturas foi um ponto de inflexão na agricultura do Brasil que passou de importador de maçãs argentinas para exportador dessa fruta. O mesmo aconteceu com o melão, que antes importávamos do Chile e da Espanha.

A tendência do japonês ao comportamento cooperativista também transformou a produção de carne de aves e ovos no interior de São Paulo. A cidade de Bastos (SP) tornou-se a maior produtora de ovos da América Latina através do empreendedorismo dos nikkeis.

Os avicultores Wagner e Eduardo Mizohata

É importante salientar que o bairro da Liberdade na cidade de São Paulo expressa características da rica cultura japonesa no ambiente urbano, através de seus pórticos vermelhos e dos restaurantes de comida típica. Vale a pena a visita ao Museu Histórico da Imigração Japonesa na rua São Joaquim, número 381, bairro da Liberdade, aberto de terça a domingo no período da tarde.

Outro passeio imperdível é o Pavilhão Japonês no Parque Ibirapuera.
Onde quer que o imigrante japonês tenha pisado, promoveu o incremento e expansão da economia local, além de enriquecer, sob muitos aspectos, a caleidoscópica e multifacetada cultura brasileira.

Deixo aqui meu agradecimento aos 111 anos da profícua e virtuosa imigração japonesa no Brasil, especialmente aos paraenses descendentes de Mitsuyo Maeda, pai do Jiu-Jitsu brasileiro e Lyoto Machida, um dos maiores campeões brasileiros do UFC.


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