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Caso Bebianno não é crise do Governo, é compromisso com o eleitor

Alain Ibrahim

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Não existe um único eleitor de Jair Bolsonaro que tenha tomado a decisão de conceder seu voto ao então candidato à presidência da república considerando qualquer tipo de benefício na figura do senhor Gustavo Bebianno. O ex-presidente do PSL representou sim, durante a campanha eleitoral de 2018, apoio significativo, mas limitando-se à esfera da estruturação partidária, sem gozar de qualquer tipo de prestígio e reconhecimento com o eleitor comum, e isso só não é evidente para aqueles que desejam utilizar o caso do momento como pano de fundo para uma crise plantada.

Não há muito o que dissertar sobre quaisquer qualidades de Bebianno à frente da Secretaria-Geral da Presidência, o período do ministro até sua exoneração, publicada hoje no Diário Oficial da União, foi muito curto para avaliarmos com profundidade quais vantagens seus serviços trariam ao governo em médio e longo prazo. Sobretudo, em que pese sua liderança dentro do partido que elegeu o presidente, Bebianno nunca figurou entre os principais nomes que formatavam a tropa de elite ministerial, nem antes e muito menos depois das eleições. Entretanto, o desgaste que culminou em sua demissão nos deixa a certeza de que velhas práticas do corporativismo político formam um lugar comum no portfólio de Bebianno.

Diante da eclosão de denúncias envolvendo o PSL e repasse de R$ 400 mil do fundo partidário para suposta candidata laranja durante as eleições, Bebianno não hesitou em imediatamente tentar buscar a proteção presidencial para blindar-se de ter que conceder prontamente os devidos esclarecimentos públicos sobre a polêmica. Além disso, levar até o presidente queixumes e alaridos durante uma recuperação médica delicada, demonstra no mínimo uma falta de sensibilidade mesquinha, para não dizer outra coisa.

Tendo isso posto, não é de se surpreender que Gustavo Bebianno tenha fabulado três ligações para Bolsonaro, e pior, tenha afirmado ter conversado com o presidente, explicitamente, sobre a suposta denúncia envolvendo o PSL e seu fundo partidário. Um ministro que não consegue ter o mínimo discernimento para lidar com uma notícia plantada por uma mídia categoricamente mal intencionada não teria estrutura para administrar os ataques deliberados que ainda virão ao longo do mandato. Apenas por isso, sua exoneração já é plenamente justificável, mas existe outro agravante que valida ainda mais essa decisão, e aí, trata-se de um compromisso com o eleitor.

O presidente Jair Bolsonaro foi taxativo e incondicional durante a campanha eleitoral de 2018 ao afirmar que teria tolerância zero com integrantes da equipe de governo que por ventura sofressem acusações de corrupção de qualquer natureza. Grave seria se o presidente optasse por seguir o caminho oposto ao de fato adotado, concedendo à Bebianno uma proteção institucional consolidada no prestígio presidencial. Estamos tão pessimamente acostumados neste país, após 8 anos de social democracia fabianista de FHC e 14 anos de socialismo petista de Lula e Dilma, estes sempre protegendo seus condiscípulos e capatázios não importando o nível chocante de gravidade das denúncias de corrupção, que nos escandalizamos quando um presidente da república cumpre o que promete e despacha um ministro mediante situação que possa prejudicar os projetos e reformas do governo, ou seja, quando coloca os interesses do povo que o elegeu à frente dos interesses do partido.

Não resta qualquer dúvida de que Bolsonaro errou ao nomear o ex-presidente do PSL para ministro de qualquer coisa, mas antes um erro corrigido agora do que um desastre no futuro.

O presidente nos deve desculpas por ter viabilizado Gustavo Bebianno.

Alain Ibrahim, 18 de Fevereiro de 2019.

Analista de mercado e política, escritor e ensaísta de filosofia.

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11 Comentários

11 Comments

  1. Patricia Albuquerque

    21.02.2019 at 07:36

    Excelente texto. Bebianno era o cavalo de troia da esquerda infiltrado na Presidência da República.

  2. ELIAS FILHO

    20.02.2019 at 20:20

    Belo artigo. Mas Jair Bolsonaro não nos deve desculpas por ter nomeado Bebiano, uma vez que nenhum de nós o criticou quando esse foi escolhido para ser um dos ministros; pelo contrário, elogiamos cada nomeação. Não tem como sondar o coração das pessoas e suas intenções vis.
    Bolsonaro o nomeou achando que ele faria um bom trabalho, porém o tempo (relâmpago) nos mostrou que esse Beduíno é um mau caráter, e Bolsonaro fez o que havia prometido em campanha, que era de não tolerar erros desse tipo e ter firmado um compromisso com a verdade – “E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará” João 8:32 – que é um de seus lemas.

  3. Thiago Costa Cardoso

    20.02.2019 at 17:04

    Essa do corrupto dizer que deve desculpa foi ridícula! Não só é uma mentira, como foi por causa da popularidade do Bolsonaro que maioria dos 52 deputados federais e 4 senadores se elegeram, assim como, foi por causa da popularidade do Bonoro que o PSL saiu de um partideco liberal, para ser o segundo maior partido do congresso. Aliás a maioria dos deputados do PSL tem no máximo 100mil votos e outros só entraram por causa da cláusula partidária que puxa deputados pra dentro. Como é caso da Joice e do Eduardo Bolsonaro, só esse dois colocaram 8 deputados cada para dentro e a expressiva votação do Bonoro no primeiro turno deu ao PSL o direito de puxar entre 12 a 15 deputados com votos pífios! Alá deputado BBB que na primeira cambanha entrou puxado com 24k de votos na primeira, depois com o apoio da Globo subiu pra 50k e nessa última depois da cusparada no Bonoro doi puxado com 25k. Por isso, minha maior frustração com o gov do Bonoro é falta de choque de ordem dentro do Partido e mostrar pra essa cambada de caipira, perfeitamente colocado pelo Olavo, que o mandato deles na verdade foi conseguido graças a popularidade do Bonoro. Bonoro tá na ora de passa r o corretivo nesses caipiras e mandar o Mourão calar a boca! Pois é só olhar, a Joice e a Janaina Paschoal, deputada de SP, compraram direitinho a narrativa do falso antagonista e foice de São Paulo. Ps: Felipe Moura Brasil, cansou de sofrer bullying dos coleguinhas e resolveu virar a casaca, tanto é prova que o mesmo acabou de ganhar um cargo de chefia do tuttinha comunista de iphone, dono da Jovem Pan.

  4. Alexandre

    20.02.2019 at 15:46

    Correto. Bolsonaro está agindo de acordo com o compromisso assumido.

  5. Fernando Jesus

    19.02.2019 at 13:48

    Excelente artigo! Cirúrgico. Jornalismo de fato, não militância disfarçada de jornalismo que não engana mais

  6. Alice

    19.02.2019 at 07:36

    Não somos nós que estamos acostumados com a corrupção, é a esquerda

  7. Maria Helloisa

    19.02.2019 at 05:12

    Positivo ! Exelente visão dos fatos. Correto e pontual em seu resumido comentários. Parabens Alain Ibraim.

  8. Isabel Machado

    18.02.2019 at 23:24

    Eu tb gostei muito do artigo e já ia dar um 10, quando li a última frase. Não acho que o presidente tenha que nos pedir desculpas de nada. Como o colunista mesmo escreveu, “antes um erro corrigido agora do que um desastre no futuro.” Errar é humano, ainda mais com tudo isso acontecendo ao mesmo tempo, saúde, governo, trapaças, mídia… Não sei como o presidente consegue dormir ! 🙁

    • Michelle Luz

      19.02.2019 at 23:55

      Acho que foi ironia, pois o Gustavo Bebianno disse que “viabilizou a candidatura” do Bolsonaro.

  9. Lilian Sanches

    18.02.2019 at 23:20

    Artigo impecável. Assino embaixo.

  10. Soldier Dias

    18.02.2019 at 22:20

    Eu ia comentar o artigo, mas, mudei de idéia, vou tirar o chapéu para este jovem colunista, este sim é um jornalista, isto sim é um jornalismo Trw News!

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