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ARTIGO | Ditadura digital

Adam Starski

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Estou escrevendo este artigo depois de receber a confirmação final do Twitter de que minha conta “@BasedPoland” com quase 160.000 seguidores (dos quais provavelmente 30.000-40.000 eram do Brasil) permanecerá permanentemente suspensa por alguém que trabalha para o Twitter.

A conta foi suspensa poucos dias depois que um artigo de sucesso na imprensa de esquerda foi publicado sobre mim, alegando que faço parte de “uma rede islamofóbica internacional” criada pelo ex-chefe estrategista da Casa Branca do presidente Trump, Steve Bannon, e administrada pelo jornalista da OANN, Jack Posobiec, e pelo membro do conselho do Projeto Veritas, Matthew Tyrmand, e pelo deputado polonês ao Parlamento Europeu, Dominik Tarczynski.

É verdade que conheço essas pessoas (com exceção de Steve Bannon), mas a ideia de que somos uma organização com um objetivo comum é ridícula. Aparentemente, os conservadores não têm permissão para criarem um rede de conexões sem acusações de ‘serem da Al-Qaeda’.

Não é preciso muito raciocínio para perceber que os jornalistas de extrema-esquerda conectados à Antifa, que fizeram a investigação sobre nossa “rede islamofóbica internacional”, também foram os que me denunciaram no Twitter. Não é de surpreender, já que os comunistas têm uma longa tradição na Polônia de serem informantes do serviço de segurança controlado pelos soviéticos e outras fontes de repressão.

Uma coisa é certa, nunca quebrei as regras do Twitter em nenhuma de minhas postagens, mesmo que muitas vezes tenha criticado a imigração em massa para a Europa, o marxismo cultural, o globalismo e o colapso dos valores tradicionais promovidos pelas “elites” de hoje.

No entanto, percebi que o risco de minha conta ser suspensa mais cedo ou mais tarde estava se tornando cada vez mais alto.

A primeira onda de censura

A probabilidade de ter sua conta de mídia social suspensa aumenta junto com dois fatores: quão conservadoras são as opiniões que você expressa e quanta força elas recebem de outros usuários de mídia social.

Não sou o primeiro a ser banido das redes sociais sem motivos válidos (Milo Yiannopolous, Gavin McInnes, Katie Hopkins, Tommy Robinson e muitos outros) e certamente não serei o último.

Recentemente, o mundo viu como os gigantes da Big Tech se uniram para primeiro minimizar o alcance do conteúdo conservador antes da eleição presidencial dos EUA, proibindo completamente algumas organizações de notícias legítimas de divulgar informações prejudiciais a Joe Biden (ref. ao artigo do The New York Post sobre o laptop de Hunter Biden) e no final, suspendeu permanentemente os principais canais de comunicação, com seus partidários, de um presidente dos Estados Unidos em exercício.

A censura online coordenada contra Donald Trump recebeu muita cobertura da mídia, mas a grande mídia ignorou completamente que os gigantes da Big Tech também apagaram as contas de milhões de conservadores nos dias após a proibição de Donald Trump.

Grandes contas conservadoras no Twitter com cerca de 1 milhão de seguidores perderam até 100.000 seguidores em apenas alguns dias.

Em resposta, centenas de milhares de pessoas migraram para a plataforma de mídia social de liberdade de expressão Parler. Eu mesmo consegui 15.000 seguidores, mas infelizmente tudo desapareceu quando a Amazon decidiu, da noite para o dia, tirar a Parler de seu serviço de hospedagem na web.

Inicialmente, a extrema-esquerda defendeu os gigantes da mídia social dizendo “eles são empresas privadas e podem banir quem eles quiserem, se você não gostar, comece sua própria plataforma”.Mas agora vemos que não é verdade, as empresas Big Tech irão cooperar com outras corporações multinacionais gigantes para tornar a vida o mais difícil possível para os conservadores tanto online quanto offline, o que deve ser descrito como a guerra híbrida ideológica.

Corporações multinacionais pressionando a Big Tech

A tendência das grandes empresas de tecnologia de censurar as visões conservadoras online se acelerou após a vitória de Donald Trump na eleição presidencial de 2016, quando as grandes empresas perceberam que sua vitória eleitoral foi, em grande parte, devido às habilidades de mídia social de Trump e seus apoiadores conservadores; conseguindo superar a operação difamatória realizada pela grande mídia.

A censura não é feita apenas por gigantes das redes sociais como Facebook e Twitter, mas também pode ser vista na Wikipédia e nos resultados de pesquisa do Google. O YouTube é provavelmente a pior plataforma para conservadores não convencionais de todas as disponíveis.

Em ondas consecutivas, o YouTube tornou praticamente impossível monetizar conteúdo conservador em sua plataforma. Em sua defesa, deve-se dizer que as corporações multinacionais (desde Coca-cola, McDonalds, Nike e Apple) pressionaram o YouTube para censurar os conservadores sob a ameaça de que, se o YouTube não fizer isso, eles retirarão dinheiro da publicidade que, de outra forma, gastariam em sua plataforma.

As corporações dizem que não querem que suas marcas sejam associadas ao ‘discurso de ódio’, mas todos sabemos que é apenas um termo que descreve os tópicos sobre os quais os liberais e socialistas pensam que os conservadores não devem ter permissão para expressar sua opinião.

Para as forças globalistas, um dos principais objetivos dessa pressão é fazer com que os conservadores se autocensurem. Qual grande estrela do YouTube não arriscaria sua subsistência declarando sua opinião honesta sobre o aborto, o lobby LGBTQ internacional, a imigração em massa para o Ocidente, a ameaça que o islamismo político representa contra a civilização ocidental ou muitos tópicos semelhantes?

Quem terá a coragem de dizer que o movimento Black Lives Matter é uma fachada para uma organização marxista que quer uma revolução total? Qual estrela do esporte terá coragem de aceitar suas convicções e se recusar a se ajoelhar durante o hino nacional se toda a sua equipe o fizer?

Assédio direcionado a conservadores offline

Os perigos associados à censura online estão começando a se espalhar na vida normal depois de inicialmente estar apenas na esfera digital.

Um termo como “cultura do cancelamento” não existia 5 anos atrás, mas hoje descreve o fenômeno de uma pessoa que afirma uma opinião conservadora que pode não ser compartilhada pela maioria, mas foi considerada inofensiva 20 anos atrás (como a opinião de que criança pequena não deve ser tornada infértil para a vida ao ser colocada no caminho de uma operação de ‘mudança de sexo’ em idade pré-púbere), mas pode hoje levar uma pessoa a perder o emprego e se tornar um pária social na “alta sociedade”.

Pessoas com opiniões conservadoras, como a documentarista canadense e ex-repórter da The Rebel Media, Lauren Southern, são privadas do Patreon [web site de financiamento coletivo que oferece ferramentas para criadores de conteúdo gerenciarem serviços de assinatura e receberem recursos diretamente de seus fãs e patronos para seus projetos]. O Pay-pal se recusa a atender empresas de perfil conservador. A Airbnb não permite que as pessoas aluguem um apartamento se não apoiarem o Black Lives Matter. Até os bancos se recusam a abrir contas ou acaba por encerrá-las, como fizeram com a ativista conservadora e ex-dançarina burlesca, Martina Markota.

Onde estaremos daqui a 10 anos se ninguém interromper esse desenvolvimento rapidamente? Será que as pessoas com visões conservadoras terão permissão para possuir um telefone de seu teleoperador ou terão acesso para navegar na internet e enviar e-mails online para outros conservadores?

As perguntas são muitas e, até agora, os conservadores não foram capazes de combater com eficiência essa tendência cada vez mais ampla de censura política.

Contramedidas

Uma estratégia conservadora contra a censura deve ser desenvolvida. Deve-se basear na conscientização de que este é um tema importante e que o “cenário 1984” não está longe. De acordo com a estratégia militar, os conservadores devem perceber que não possuem as ferramentas e o poder que a Big Tech possui e, portanto, devem atuar como um exército de guerra. Não será possível derrotar o inimigo com uma grande ofensiva. Em vez disso, os conservadores devem se concentrar em tornar a censura o mais caro possível para a Big Tech por meio de muitos atos de sabotagem, de acordo com o método de execução chinês de “Lingchi”, que significa “Morte por 1.000 cortes”.

Aqui estão alguns princípios orientadores que podem ser usados.

1. Torne isso difícil – Depois de passar anos construindo seus perfis online, muitos conservadores desanimam com a censura e desistem por conta própria. Isso é exatamente o que a Big Tech quer, não se entregue a eles de graça. Se a sua presença online precisa acabar, isso deve acontecer por meio da censura. O público em geral ainda sente instintivamente que a censura é errada, então não desista da luta muito cedo.

2. Ilumine o conflito – Proteste contra a censura indo a lugares onde você sabe que o inimigo não permitirá que você esteja e converse sobre as coisas que você sabe que eles vão querer censurar. Proteste em voz alta sobre ser censurado por poderes corruptos. As pessoas serão atraídas para vir e assistir ao confronto. Essa foi toda a estratégia usada pelo provocador conservador grego-britânico, Milo Yiannopolous, durante sua “viagem para discursos universitários” antes da eleição presidencial dos Estados Unidos de 2016, que terminou com a famosa Batalha por Berkeley, em 2017.

3. Não coloque todos os ovos na mesma cesta – Crie contas em várias plataformas de mídia social. Além das plataformas tradicionais, certifique-se de usar plataformas que dificilmente irão censurá-lo. Em 2021, isso significa que Gab e Telegram devem estar no topo da sua lista. Neste caso, você estará trabalhando em uma câmara de eco, então o objetivo não é convencer pessoas apolíticas ou pessoas de esquerda a se tornarem conservadoras, mas sim uma forma de manter linhas de comunicação com seu próprio grupo.

4. Apito de cachorro e lendo nas entrelinhas – Muitos escritores conservadores na Europa Central e Oriental tiveram que trabalhar em condições difíceis durante o comunismo. Era impossível publicar seu trabalho se você assumisse uma postura claramente anticomunista. Em vez disso, os escritores zombavam do sistema comunista nas entrelinhas, muitas vezes com a ajuda de conceitos simbólicos e alusões ocultas. Se você tem uma conta de mídia social em uma plataforma que censura muito, considere o uso de métodos de escrita que tornem possível transmitir seu ponto de vista enquanto observa que você não escreveu nada controverso.

5. Não se esqueça do mundo real – A internet é uma ferramenta importante, mas não se esqueça de agir na vida real também. Os contatos que você fez online com pessoas de pensamento semelhante, obtenha seus endereços de e-mail e números de telefone se você se tornou amigo. Se você mora na mesma cidade, encontre-se para tomar uma cerveja ou um café. Comece uma organização [think tank], encontre mais pessoas com opiniões semelhantes e envolva-se em alguma causa ativista. Além da internet, há também a imprensa escrita, a TV e diversas formas de cultura popular que podem ser utilizadas, desde séries de TV, mundo dos games até música. Certifique-se de que a mensagem do seu grupo alcance o maior número de pessoas possível. Durante o comunismo na Europa Central e Oriental, os dissidentes costumavam praticar o “Samizdat”, uma forma de imprensa e literatura clandestina. Frequentemente, era impresso em folhetos e deixado em bibliotecas ou no ônibus para que outras pessoas lessem.

6. Poder do Estado e coordenação internacional – Corporações multinacionais, incluindo a Big Tech, dependem do lucro e, para obter lucro, precisam de mercados. Após a proibição de Donald Trump pelo Twitter, muitos países estão começando a pensar sobre como é importante para sua soberania que seus líderes políticos tenham seus próprios canais de acesso ao público online. A Índia, Austrália, Turquia, Brasil, Polônia e Hungria são apenas alguns dos Estados que agora pensam sobre quais medidas tomar contra a Big Tech. Depois que os conservadores chegam ao poder em um Estado, eles devem usar o poder legislativo estatal para fazer as empresas de Big Tech se submeterem à sua vontade. Chega de censura política e manipulação de algoritmos se as empresas quiserem manter o acesso aos nossos grandes mercados. Para tornar nossa posição ainda mais forte, os Estados que são contra a censura online devem coordenar suas demandas e formar uma frente unida contra a Big Tech.

É bom que a questão da censura digital esteja se tornando um assunto novamente no Brasil. A campanha pela Internet será um componente crucial da campanha presidencial em 2022.

O Terça Livre foi recentemente banido do YouTube. Com a saída de Rodrigo Maia à frente do Congresso, uma nova comissão deve ser iniciada para apurar a comissão da CPMI. O ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, informou estar estudando as legislações anti-Big Tech sendo elaboradas em todo o mundo após a suspensão permanente de Donald Trump pelo Twitter.

A internet se tornou a nova “praça pública” para o debate político. Pessoas que amam a liberdade nunca aceitariam que a liberdade de expressão fosse silenciada em nossas ruas ou qualquer tentativa de proibir a liberdade de reunião.
O mesmo deve ser aplicado online. Particularmente agora com a pandemia de covid-19, quando muitos comícios públicos, debates políticos e outras atividades de campanha foram transferidos para o ‘online’ em países ao redor do mundo.

Se as grandes empresas de tecnologia se recusarem a obedecer, haverá apenas uma solução para os Estados tomarem. Declarar a comunicação online um problema de segurança nacional, nacionalizá-la e torná-la de utilidade pública.
Ninguém aceitaria que produtores de TV ou telefone tivessem o poder de desligar a televisão de alguém por assistirem a um conteúdo conservador ou desligar o telefone quando disserem coisas ao telefone que não estão de acordo com o ‘politicamente correto’.

Não há razões para que a comunicação nas redes sociais seja diferente.

Como fui banido do Twitter, siga-me no Gab (@RealBasedPoland), Instagram (@BasedPoland) e Telegram (https://t.me/BasedPoland).