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ARTIGO: Como você consegue?

Antonio Nunes Barbosa Filho

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Sou a 3a geração de professores da família. Somados os anos dedicados à docência destas gerações, creio que ultrapassamos, com sobra, a uma centena deles. Apenas no ensino universitário já estou por completar 3 décadas, ao que acresço mais alguns anos em outras atividades docentes. O amor ao ofício de ensinar e os compromissos decorrentes são uma constante entre nós. Importantes lições foram aprendidas com a minha avó, com o meu pai e mesmo com a esposa, que também se dedicou por anos à docência e que, também neste sentido, se alinha aos valores que trago em meu íntimo.

O reiterado contato com jovens ansiosos por conquistar conhecimentos é sempre renovador,  revigorante. De um lado, por seus questionamentos, até mesmo daqueles já iniciados na vida profissional, alguns dos quais já formados, que me levam a buscar por boas fontes, a estudar e a refletir acerca do conteúdo acessado, das dúvidas suscitadas, bem como sobre a forma adequada de disponibilizar este conteúdo ou as respostas a que alcanço, para que possa ser apreendido por meus interlocutores, de modo simples, didático, sem contudo perder em qualidade ou profundidade no tocante às questões em análise. E este mecanismo me obriga a buscar a compreensão do conhecimento em sua essência, em seus fundamentos, a relacioná-lo com outros conteúdos, o que, invariavelmente, acaba sendo semente fértil para futuros capítulos dos livros técnicos que escrevo, em minha área de atuação.

De outro, por ser capaz de fornece-lhes, com todas as minhas limitações, caminhos para uma mínima evolução em sua dimensão humana. Ao tempo em que, em meu íntimo, sorrio com algumas das ingênuas colocações que me são apresentadas, preocupo-me imensamente ao refletir acerca da origem destas e das dificuldades encontradas por estes jovens em modificar a situação existente.

Neste sentido, uma das frases recorrentes é: – Como você consegue? Passo a explicar…

Quando desafiados a escrever o trabalho de conclusão de curso (TCC) ou a dedicar esforços a outro projeto pessoal que lhes demande força de vontade, perseverança e determinação, não raro, observo sobrancelhas se contraírem como se fosse impossível cumprir o propósito daquela missão que, sobretudo, interessa aos próprios. Pedem prazos maiores, a compreensão para suas dificuldades etc. Enfim, surgem desculpas e justificativas de todas as ordens. Então, aproveito para perguntar-lhes se desejariam trocar aquela tarefa, o seu cotidiano pela minha rotina. Alguns se atrevem a desejar, talvez pelo ímpeto de se sentirem desafiados, outros por já terem ideia do que está por vir…

Então, falo-lhes de minhas muitas rotinas e deveres, enquanto professor universitário, dentro e fora da instituição à qual estou vinculado, como filho a contribuir com o cuidado com os pais que residem em outra cidade (para a qual me desloco com regularidade semanal), como esposo e pai de família, dos projetos de livros técnicos e de literatura infantil em curso (ou em planejamento) e na vida social mais ampla, na condição de (ex-)síndico de meu prédio residencial (com 50 unidades), função exercida sem qualquer remuneração e também junto à comunidade etc. Os olhos parecem saltar-lhes das órbitas! E aí, escuto a famosa frase: – Como o senhor consegue?

Ora, digo-lhes, porque é preciso! Não sou nenhum super-homem, mas desde cedo aprendi a concentrar os esforços e as minhas melhores energias em cumprir as tarefas que me foram incumbidas, por decisão própria ou por necessidade imposta pela condição presente naquele momento de vida. Em olhar para os objetivos, me alegrar com a metas cumpridas e a não me queixar com as dificuldades a superar. E digo-lhes isso do fundo do coração, sem nenhuma intenção de causar-lhes constrangimento algum, mas, tão-somente, para mostrar-lhes uma outra forma de posicionar-se diante da vida.

Ao longo desses anos, tenho notado a mudança da disposição para o enfrentamento da realidade da vida para um embate contra indivíduos. Parece que há o equivocado entendimento de que outrem é sempre o responsável pelas dificuldades de suas trajetórias pessoais. Ora, “vencer” ou pretensamente derrotar este oponente imaginário não os levará, de forma alguma, a avançar em seus propósitos. Muito pelo contrário, apenas consumirá energia e tempo preciosos que deveriam ser dedicados aos objetivos reais na vida de cada um. Entretanto, parece que já há algum tempo, gerações foram entorpecidas com o discurso de que o outro é o seu obstáculo e que, portanto, deve ser superado, quando não eliminado.

Ora, ora… digo aos jovens, como já ouvi dos meus ascendentes: a concorrência não faz a perda, o que faz a perda é a incompetência. Então, em todos os campos da vida, a batalha de cada é contra si mesmo. Esta é a primeira parte da fórmula para o sucesso!

Antes de refletirem acerca do que lhes apresento, alguns tentam retrucar dizendo que “O senhor consegue fazer tudo certo porque isso, aquilo e mais aquilo outro…”. Ao que complemento dizendo que o que faço em meu cotidiano nada mais é do que o que tem que ser feito, de modo simples, direto, sem adereços, como a vida tem que ser… enfrentando cada obstáculo com determinação, paciência e fé! E esta é a segunda parte da fórmula para o sucesso!

Fico feliz em, mesmo depois de muitos anos, ainda receber o contato de ex-alunos, hoje colegas, que me relatam da importância de minhas palavras para que alcançassem sucesso em sua caminhada profissional, familiar e pessoal. Quem sabe se, ao me aposentar, não me torno coach ou influenciador digital… talvez assim amplie o alcance de minhas palavras.

E podem acreditar, caros leitores, creio que não existe outro caminho além do que lhes apresentei nestas breves linhas. Pensem nisto e façam um 2021 melhor para vocês e os seus.

Cordial abraço, desde Recife, nesta tarde calorenta de quase fim de dezembro (e do ano).

 

 

Engenheiro por formação, professor universitário por vocação e escritor por paixão, Nunes é autor de livros técnicos e infantis. Premiado como contista pela Academia Pernambucana de Letras.

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