Aborto: mais um crime glamourizado

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Imagem: Divulgação

Muito tem se falado sobre o aborto e se ele é algo que deve ser aceito ou não. Neste texto exporei os principais argumentos dos defensores do aborto e colocarei as condições naturais que provam que tudo o que dizem é fruto de aberrações que querem acabar com a vida humana na sua etapa mais fundamental, a de geração.

Um indivíduo de uma determinada espécie é reconhecido pela quantidade de cromossomos que carrega em suas células e pelo tipo e formatação desses cromossomos. Até o fim da vida, somos um indivíduo biológico pela sempre igual carga genética que carregamos, que determinará todas nossas características físicas, resistência à doenças, condições autoimunes e etc. Conseguimos a formatação genética que nos define a partir do momento da fecundação, ou seja, somos o mesmo indivíduo do momento da fecundação até o momento de nossa morte. A gestação é apenas uma fase de nossa vida, a fase em que estamos sendo gerados e, sem a qual, todo o resto se torna impossível. Não é por sermos apenas uma célula que isso mude, afinal, sem essas células primordiais que fomos um dia, não teríamos um corpo, uma mente, uma consciência e uma alma. Não há como se falar em respeito individual sem que haja respeito pelo período de geração destes próprios indivíduos.

Temos a famosa colocação de que o aborto não mata uma pessoa por causa da inexistência de neurônios ou de um sistema nervoso. Esse argumento é a mais completa aberração, pois desconsidera o potencial de geração de um sistema nervoso, ou seja, caso não se interrompa o funcionamento normal da geração do embrião, ele possuirá um sistema nervoso. É dizer que nenhum de nós merece existir por não termos tido um sistema nervoso em uma fase específica da vida, durante a geração. Para que possamos hoje pensar, falar e existir, o sistema nervoso precisou ser, obviamente, gerado. Como separar a existência de um sistema nervoso na vida adulta do período em que ele começou a ser desenvolvido? Não tem como. Matar o embrião é matar o potencial de geração do futuro sistema nervoso, tornando o argumento vazio e insustentável.

Ainda sobre os neurônios, temos uma célula que é mais importante do que ele: as que formam o blastocisto. Esse tipo de célula, comumente chamada de “célula-tronco”, é a célula primordial que dará origem a todos os tipos celulares presentes em nosso corpo. Desde o momento da fecundação temos nossos neurônios existentes de forma indiferenciada. Então, antes mesmos de termos um protótipo de sistema nervoso, temos células que são mais importantes que os próprios neurônios, que são a essência da geração de nossos corpos, as células tronco. Matar uma dessas é matar neurônios, leucócitos, hemácias, hepatócitos, células ósseas e etc. ainda em sua forma indiferenciada. Todas nossas células são importantes para que possamos existir, inclusive as primeiras que se formam logo após a fecundação, já que sem elas todo o resto de nossa existência se torna impossível.

A alegação de que o embrião é apenas um “amontoado de células”, tirando sua humanidade, é algo de uma baixeza asquerosa. Por este argumento, torna-se possível o assassinato de qualquer pessoa já existente, já que somos um “amontoado de células” por toda a vida. Quem diz que o indivíduo em desenvolvimento uterino é apenas um amontoado de células também é apenas um amontoado de células. Jogam novamente no sistema nervoso a característica de “indivíduo” mas se esquecem de que se possuem um sistema nervoso, foi pelo respeito ao seu tempo de desenvolvimento corpóreo. Além disso, não há como tirar a espécie de um embrião, por conseguimos determiná-la geneticamente. Se colocarmos diversos embriões enfileirados, por análise genética conseguimos determinar se aquelas células criarão um cachorro, uma vaca, uma lesma ou um ser humano. Os embriões das espécies são sim corpos daquelas espécies. Portanto, um embrião humano é sim um ser humano em um estágio específico da vida.

Os mesmos que gritam sobre direitos de homossexuais, mulheres, negros e etc. são os que querem negar o primeiro e principal direito para que inclusive essas pessoas possam existir: o respeito à formação corpórea e o respeito ao direito de nascer. Não podemos negar esse direito às novas pessoas pela simples irresponsabilidade de quem gera o novo corpo. A partir do momento em que temos um corpo em desenvolvimento, com uma genética específica, caracterizando um indivíduo novo, não podemos, por simples arbitrariedade, decidir se aquela pessoa deve ou não continuar seu desenvolvimento corpóreo até o nascimento. Isso configura a mesma condição de um assassino que acha que sua vítima de roubo não deve viver, ou seja, configura um assassinato. E, nesse aspecto, não importa se somos um indivíduo de dez células ou de trilhões de células, nossa individualidade e nossa existência foram tolhidas por uma mera vontade de outro ser humano.

Enfatizo novamente que se eu e todos nós podemos desfrutar de uma existência, é porque tivemos o período de geração de nossos corpos respeitados. Nós tivemos o direito de sermos gerados e tivemos o direito de nascer, enquanto seres humanos que somos. Você exterminar um feto é colocar vontades individuais sobre a vida das novas pessoas, é dar o direito à escolha de quem deve viver ou morrer, e isso é algo gravíssimo. Os novos seres humanos em geração devem ser respeitados e protegidos, para que possam desfrutar da existência assim como nós desfrutamos. Negar isso é egoísta, criminoso e fruto de ideologias que odeiam o ser humano e tem como objetivo o seu extermínio, seja em qualquer etapa da existência individual.

O aborto não é uma questão de saúde pública, pois a mulher que escolhe abortar está se sujeitando a isso. Não há como obrigar a sociedade inteira a ser responsável pelas atitudes individuais de quem a compõe. Não é como um vírus que se espalha à revelia da vontade dos indivíduos, é uma questão de se sujeitar a um procedimento invasivo e perigoso e que, por escolha, a pessoa se coloca em risco. Se mulheres morrem ao fazer aborto (e os dados propagados por abortistas são completamente falsos nesse sentido), morrem por escolha própria. Se respeitassem seus filhos em formação, isso não aconteceria. Portanto, não é nem de longe um caso de saúde pública, é um caso de escolhas individuais e suas consequências. Não podemos retirar a proteção legal para a garantia da geração e do nascimento por meia dúzia se recusar a seguir o que é correto.

Temos também a alegação de que o corpo é da mulher e a ela cabe a decisão de interromper uma gravidez ou não. Esse argumento é completamente falso pela própria definição de indivíduo que citei acima, a da formatação genética. O corpo que se desenvolve dentro do útero da mulher é um completamente distinto daquele que o gera, pois possui formatação genética completamente distinta, inclusive podendo ter sexo diferente, tipo sanguíneo diferente, cor dos olhos diferente e etc. Alegar que o corpo em desenvolvimento dentro do útero de uma mulher pertence a ela é um contrassenso grave, pois implicaria que somos a mesma pessoa que nossa mãe por toda a vida, negando a própria definição do que é algo “individual”. Não somos o mesmo corpo de nossas mães, somos corpos completamente diferentes, seja antes ou depois de passar pelo canal vaginal na hora do parto.

Os nove meses que se passam entre a fecundação e o nascimento são apenas mais um período de nossa vida, assim como é a infância, a adolescência, a vida adulta e a velhice. Não há como simplesmente ignorar a primeira fase da vida de um indivíduo e tratar como se ela fosse algo completamente separado e distinto. Se nossa infância, adolescência, vida adulta e velhice são possíveis, isso é completamente ligado ao fato de um dia termos tido apenas uma célula, quando se juntaram os gametas que formaram nosso corpo primordial e todo seu desenvolvimento e diferenciação. Negar a continuidade de formação corpórea a partir da fecundação é negar a própria vida a um indivíduo, é tolher a chance de que as próximas etapas naturais da vida venham até a velhice ou até uma morte natural.

Outra alegação comum é a de que o corpo em desenvolvimento no útero não vive sem o corpo da mulher (e isso é um fato). Porém, há de se observar que a dependência por um indivíduo adulto não cessa no momento do nascimento. Se pegarmos um recém nascido ou até uma criança maior, com dois anos de idade, e simplesmente a abandonarmos para que viva por si só no mundo, provavelmente morrerá em pouco tempo. A dependência não significa que não há vida e muito menos que não se trate de um indivíduo. Os cuidados de um adulto, para nutrição e evolução, são necessários desde o momento da fecundação até bem depois do momento em que nascemos. Por este argumento, pode-se liberar qualquer mãe a matar crianças de dois ou três anos com a alegação de que são completamente dependentes para que existam. Ou seja, um “argumento” completamente absurdo e com completa falta de conexão com a realidade.

Além disso tudo, qualquer atitude que seja considerada crime assim o é por ter um lastro moral para tal definição. Não existe lei capaz de dizer se algo é crime ou não, a referência é sempre moral. O discurso abortista dá a entender que um crime, só por estar acontecendo, deve ser legalizado. Esse tipo de posicionamento é o mais completo absurdo, uma vez que todo crime acontece e, justamente por esse motivo, deve ser combatido e não incentivado. A quantidade de vezes que um crime se repete na sociedade não é, e nunca pode ser, argumento pela legalização de tais atos.

O aborto não é uma questão de saúde pública ou de escolha da mulher. É simplesmente um crime e, como tal, deve ser tratado. Não temos o direito de escolher quem vive e quem morre, não importando a fase da vida em que estejamos, seja a de geração do corpo, seja a juventude ou seja a velhice. Abrir a porta para que interromper uma gravidez seja legal e aceitável moralmente é abrir a porta para a divinização da vontade humana. É delegar um direito natural à simples arbitrariedade de escolha de um ser humano sobre outro, assim como aconteceu na escravidão, no nazismo, no comunismo e em todas as formas de ideologias que não acreditam na vida humana como algo transcendental, mas como um mero acaso que pode ser descartável, bastando querer. O respeito à vida humana, em todas as suas formas, é a base para qualquer sociedade que queira ser desenvolvida moralmente.

Texto de Smith Hays 

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