Redes Sociais

Artigo

75 anos da invasão do Anexo Secreto que levou Anne Frank a ser deportada para Bergen-Belsen

Thaís Garcia

Publicado

em

75 anos da invasão do Anexo Secreto que levou Anne Frank a ser deportada para Bergen-Belsen 19
Imagem: Arquivo/Fundação Anne Frank

Em 4 de agosto de 1944, há exatamente 75 anos, o nazista da SS, Karl Silberbauer, invadiu o Anexo Secreto de uma casa que fica localizada no canal de Prinsengracht 263, em Amsterdã na Holanda, onde a garota Anne Frank e outros sete judeus estavam escondidos. Isso levou à deportação e à morte de todos, exceto seu pai, Otto Frank. A jovem judia se tornou o símbolo das vítimas do Holocausto.

Em julho de 1942, a família Frank – pai Otto, mãe Edith, irmã Margot e Anne – se escondeu, depois que a irmã mais velha de Anne foi convocada para deportação.

Eles se refugiaram no Anexo Secreto, um esconderijo desta casa que estava conectada ao prédio onde funcionava a fábrica de Otto Frank. Em seguida, seu colega Hermann van Pels, a esposa Auguste e seu filho Peter se juntaram à família Frank. E mais tarde naquele ano, o refugiado alemão Fritz Pfeffer também se juntou ao grupo.

75 anos da invasão do Anexo Secreto que levou Anne Frank a ser deportada para Bergen-Belsen 20

Os oito: Família Frank, Fritz Pfeffer e a Família van Pels. Foto: Fundação Anne Frank.

Funcionários da fábrica e amigos de Otto Frank, incluindo Victor Kugler, Johan e Bep Voskuijl, Johannes Kleiman e Miep e Jan Gies, foram os responsáveis por manter o grupo seguro e suprir suas necessidades. No local, em horário comercial todos tinham que ficar imóveis para que ninguém descobrisse o esconderijo. Não era permitido andar, ir ao banheiro e nem comer.

75 anos da invasão do Anexo Secreto que levou Anne Frank a ser deportada para Bergen-Belsen 21

Miep Gies (esquerda), Otto Frank (meio) e Bep Voskuijl. Fileira atrás: Johannes Kleiman (esquerda) e Victor Kugler. Foto: Fundação Anne Frank.

Sob o medo de serem descobertos, os oito judeus passaram dois anos presos no apertado Anexo Secreto. Anne descreveu várias brigas do grupo em seu diário. Todos os momentos desse período foram descritos pela jovem judia neste diário – que posteriormente foi publicado como “O Diário de Anne Frank” e traduzido em diversos idiomas. Hoje o seu diário é best-seller mundial.

Esses oito judeus sobreviveram à primeira seleção para as câmaras de gás. Porém, todos morrem, com exceção de Otto Frank, nas semanas e meses seguintes. Sabe-se que Margot (19) e Anne Frank (15) morreram de tifo em um campo de concentração em Bergen-Belsen, em fevereiro de 1945, apenas alguns meses antes da libertação.

Bergen-Belsen era um campo de concentração durante a Segunda Guerra Mundial na Alemanha. Foi o maior campo de concentração no país, onde mais de 120 mil pessoas estiveram prisioneiras e mais de 70 mil foram mortas.

Até hoje não se sabe o certo quem foi responsável por entregar o grupo às autoridades nazistas. Um agente aposentado do FBI, Vince Pankoke, está à frente de uma investigação em andamento e conta com a assessoria de uma grande equipe de especialistas. Ainda não se sabe quando os resultados desta investigação serão apresentados.

A lista de suspeitos é longa e todos têm um motivo. A questão de quem traiu o grupo talvez nunca possa ser respondida.

Vizinhos
Anne era uma adolescente na época e em seu diário descreve que sofria por estar enjaulada e que à noite olhava pela janela as janelas iluminadas dos vizinhos dos fundos. Isso levantou uma hipótese de que alguém a viu e possivelmente possa ter dedurado aos nazistas.

No entanto, uma pesquisa recente da Fundação Casa de Anne Frank afirma que na época havia regras severas de escuridão na cidade e que era improvável que os vizinhos ainda tivessem suas luzes acesas durante a noite. Portanto, é possível que Anne tenha usado algumas liberdades literárias em seu diário. Isso não exclui que alguém a tenha visto sentada na janela.

“O pensamento de um vizinho desconhecido é válido por si só. No entanto, não há argumentos para uma suspeita específica”, resume a fundação.

Trabalhador do armazém
Outro mencionado como um possível traidor foi Willem van Maaren, um trabalhador do armazém no canal de Prinsengracht 263. Como um recém-chegado em 1943, ele era considerado um risco e também não tinha uma boa reputação, porque estava associado a estelionatos.

Embora Van Maaren não fosse necessariamente bem-visto, as investigações nunca mostraram que ele tivesse envolvimento na traição contra o grupo do Anexo Secreto e ele também nunca demonstrou simpatias nazistas.

Em 1964, a investigação sobre Van Maaren foi oficialmente arquivada. O Departamento Nacional de Investigação Criminal concluiu que a investigação não levou a resultado algum. E alguns pontos podem o excluir como traidor: apesar dele não ter uma boa vida financeira, foi comprovado que ele não recebeu subornos, além de ter colaborado para esconder partes do diário de Anne Frank.

Telefonema de uma mulher
As investigações da Casa de Anne Frank e do Instituto Holandês de Documentos de Guerra (NIOD) se concentraram na história de que uma mulher ligou para as autoridades nazistas – o Sicherheitsdienst (SD) – dizendo que havia judeus no Anexo Secreto.

Esta história foi informada por Cor Suijk, ex-membro do conselho da Casa de Anne Frank e um confidente de Otto. Posteriormente, também foi confirmada pela viúva de Otto.

Mas tanto a fundação quanto a NIOD concluem que, por enquanto, não passa de um rumor. De acordo com a fundação, a única pessoa que poderia ter dado uma resposta definitiva sobre isso seria Julius Dettmann, o homem que atendeu o telefonema. Dettmann faleceu em 1945 e nunca foi questionado sobre o assunto.

Suspeitas

Pesquisadores, jornalistas, historiadores e escritores que analisaram a possível traição de uma mulher mencionaram como suspeitas: Ans van Dijk, Lena Hartog-van Leaves e Nelly Voskuijl.

Esta última, Nelly Voskuijl, era irmã de um dos ajudantes do grupo e possuía conexões com os alemães.

Segundo a fundação, o traidor seria alguém que sabia que o amigo de Otto, Johannes Kleiman, ajudava a esconder judeus. No entanto, não há nada concreto para indicar que esta mulher do telefonema tenha agido com base nesse conhecimento.

Duas semanas antes da descoberta do esconderijo secreto pelos nazistas, Lena Hartog-van Leaves havia tomado conhecimento de que judeus estavam escondidos no Anexo. Seu marido trabalhava na Prinsengracht 263. Mas, se ele estava presente no prédio, ela possivelmente não correria o risco de ele também ser preso.

Por essas análises não se pode definitivamente rotular essas mulheres como traidoras.

Resposta
Depois de anos de pesquisa e investigações de possíveis nomes de suspeitos, ainda não há uma resposta clara para a questão de quem traiu Anne Frank.

O que se sabe é que em 4 de agosto de 1944 as autoridades nazistas invadiram a Prinsengracht 263, em Amsterdã e descobriram o Anexo Secreto que era o esconderijo que ficava atrás de uma estante de livros móvel.

75 anos da invasão do Anexo Secreto que levou Anne Frank a ser deportada para Bergen-Belsen 22

Estante de livros móvel e passagem secreta para o Anexo. Foto: Fundação Anne Frank.

Não se sabe se o grupo foi realmente traído por um telefonema de uma mulher ou se os nazistas estavam simplesmente à procura de trabalhadores ilegais.

Há algumas evidências que apoiam esta última teoria, como fato de que chamadas telefônicas foram feitas no local para que fosse pedido um veículo maior para o transporte dos judeus escondidos. Se o nazista da SS, Karl Silberbauer, soubesse que havia um grande grupo de judeus ali, provavelmente a SS teriam imediatamente ido ao local com um meio de transporte adequado.

Seu pai, Otto Frank sempre acreditou que foi uma traição. Espera-se que o agente aposentado do FBI, Vince Pankoke, encontre uma resposta para essa pergunta que já perpetua por 75 anos.

Fonte: Fundação Casa de Anne Frank


O Conexão Política é um portal de notícias independente. Ajude-nos a continuarmos com um jornalismo livre, sem amarras e sem dinheiro público » APOIAR

Ajude-nos a mantermos um jornalismo LIVRE, sem amarras e sem dinheiro público. APOIAR »

Correspondente Internacional na Europa. Cristã, casada, mãe e bacharel em Relações Internacionais. Lutando pelos verdadeiros direitos humanos e pela Igreja Perseguida.

Parceiros

Publicidade

alan correa criação de sites