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Em meio ao caos e protestos, o anfitrião Emmanuel Macron recebe líderes mundiais no G7 na França

Thaís Garcia

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Imagem: AFP.

Recebidos pelo anfitrião e presidente francês Emmanuel Macron, líderes de grandes potências democráticas participam esta semana do recém-lançado G7. Eles se reúnem por trás de portas fechadas em tempos turbulentos na França, causados pelos manifestantes “coletes amarelos” e ativistas.

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Imagem: AFP.

Ambicioso como sempre, Macron perdeu muita credibilidade em seu próprio país por causa dos “coletes amarelos” e alguns escândalos que também foram repetidos por outros presidentes franceses. O povo francês está cansado das promessas não cumpridas de Macron, que sempre diz que “tudo ficará bem” e que o G7 estaria sobre controle.

A credibilidade de Macron realmente não está em alta. Para piorar sua reputação, esta semana ele fez declarações falsas no Twitter sobre o desmatamento da Amazônia, com o intuito de causar uma histeria internacional e desmerecer o Governo Bolsonaro. O presidente francês também ameaçou bloquear o acordo entre União Europeia e Mercosul após os incêndios na floresta amazônica.

No Twitter, a histeria fez com que a tag #PrayForAmazon (Ore pela Amazônia) subisse no ranking. Mas logo em seguida, foi desbancada pela tag #MacronLies (Macron mente).

Muitos da comunidade internacional se uniram aos brasileiros que defenderam o seu país com unhas e dentes nas redes sociais. O Ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, também foi duramente atacado por esquerdistas que pediam a sua saída do cargo. Mas a tag #SomosTodosRicardoSalles também subiu no ranking, mostrando que a maioria dos brasileiros o apoia e está satisfeita com seu desempenho no cargo de ministro do Meio Ambiente.

Protestos
Os protestos de ontem e hoje na França demonstram o quão potencialmente explosivo o encontro do G7 está sendo e nada está sob controle no país. A polícia está tendo dificuldade em conter os manifestantes na cidade francesa de Biarritz, onde os líderes estão reunidos.

A polícia usou bombas de gás lacrimogênio e jatos de água para conter as dezenas de manifestantes. Várias prisões foram efetuadas e 13 mil militares foram chamados para garantir a segurança.

Em outras cidades como a capital Paris, Montpellier, Hendaye, Ancenis e Bayonne, também ocorreram manifestações com confrontos violentos. Em Bayonne, houve até explosão de granada na rua para afastar manifestantes.

Assista ao vídeo da explosão em Bayonne publicado pela La Vérité.

Macron e Trump
Ontem (23), Macron recebeu o presidente dos EUA, Donald Trump. Os dois discutiram sobre o Google, a Apple e o vinho francês. Pouco antes da cúpula, Macron declarou falsamente o presidente brasileiro Bolsonaro como “mentiroso” e o acusou de “ser passivo, enquanto a Amazônia estava queimando”.

Após esse comentário insensato de Macron, Donald Trump, que é admirador e possui uma relação excelente com o presidente Bolsonaro, elogiou seu fã brasileiro no Twitter e ofereceu ajuda para combater os incêndios na Amazônia.

“Acabei de falar com o Presidente Do Brasil Jair Bolsonaro. Nossas perspectivas comerciais futuras são muito empolgantes e nosso relacionamento é forte, talvez mais forte do que nunca. Eu disse a ele que se os Estados Unidos puderem ajudar com os incêndios da Floresta Amazônica, estamos prontos para ajudar! ”, escreveu Trump.

Angela Merkel
A chanceler alemã Angela Merkel visivelmente se dá muito bem com o presidente francês Macron, mas ela não reprime suas ambições com a Europa. O fato de a economia alemã estar à beira da recessão, fez Merkel comprar a briga barulhenta de Macron com o Brasil, e por meio de seu porta-voz afirmou que não concluir o acordo UE-Mercosul “não é a resposta apropriada para o que está acontecendo no Brasil”.

EUA e Reino Unido
O confiante primeiro-ministro britânico Boris Johnson se assentou à mesa com os “grandes” pela primeira vez. Johnson está isolado nas negociações da UE, mas tem um grande apoiador, o presidente americano Donald Trump. Trump está na expectativa de realizar um futuro acordo comercial com os britânicos.

Em relação ao Brasil, a postura do Reino Unido acompanha o tom adotado pela Alemanha. Boris Johnson afirmou que prejudicar o acordo comercial não é o melhor caminho para resolver a questão.

“Há todo tipo de pessoa que usará qualquer desculpa para interferir no comércio e frustrar os acordos comerciais, e eu não quero ver isso”, disse Johnson.

Japão
Nesta cúpula, espera-se que Trump e o primeiro-ministro japonês conversem sobre a possibilidade do Japão comprar mais carne, grãos e laticínios dos Estados Unidos.

O primeiro-ministro japonês Abe deverá também levantar em sua conversa com Trump as relações com a Coreia do Norte, que continua lançando mísseis no Mar do Japão. Abe também deverá falar com Trump sobre a guerra comercial dos sul-coreanos com o Japão e da americana com a China; que de certa forma o preocupa.

Defesa
As irritações de Trump em relação à Merkel sempre foram evidentes. Trump sempre deixou claro que a Alemanha não gasta o suficiente em defesa e quer estar em boas relações com o Irã. Além disso, a Alemanha importa gás russo e não luta contra a empresa chinesa Huawei.

Trump então, apostou em novos bons relacionamentos, com a Polônia que, de acordo com diplomatas, são agora o segundo melhor amigo dos EUA na Europa – depois do britânico Boris Johnson.

Ponto de discórdia
Um grande ponto de discórdia entre Trump e os países do G7 é o retorno da Rússia ao G7, que então se tornará G8. No próximo ano, a cúpula do G7 será nos Estados Unidos e Donald Trump gostaria de realizar este feito. Mas isso não será fácil. A França, a Alemanha e o Reino Unido acreditam que o presidente russo, Vladimir Putin, deve primeiro mostrar boa vontade com a Ucrânia. Além disso, os britânicos ainda estão esperando por uma explicação russa sobre o ataque venenoso contra um espião russo e sua filha, no sul da Inglaterra.

Sob nenhuma circunstância a União Europeia concordará com o retorno da Rússia ao G7.

“Os planos de Trump para isso não são negociáveis”, disse o presidente da UE, Donald Tusk, antes da cúpula do G7 em Biarritz, na França.

O presidente da UE afirmou que defenderá com veemência que a Ucrânia seja convidada para a cúpula no próximo ano.

Outro ponto de discórdia e que se espera que seja discutido no G7 é sobre o relacionamento com o Irã. Trump e os europeus pensam de forma completamente diferente sobre o assunto. Os parceiros europeus da OTAN estão relutantes em enviar uma frota para o Estreito de Hormuz. Enquanto os americanos estão em rota de colisão com o Irã, a Europa continua acreditando em um diálogo.

Restauração política
Antes do início do G7, o presidente da Comissão Europeia, Donald Tusk, falou sobre os tópicos que gostaria de ver na agenda da cúpula. Ele indicou que esta pode ser a última chance de uma possível  restauração da comunidade política.

A comunidade internacional espera que as discussões levantadas nos próximos dias cooperem para amenizar as tensões existentes entre os países. Será um grande desafio.


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Correspondente Internacional na Europa. Cristã, casada, mãe e bacharel em Relações Internacionais.

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