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Assim não, Senador…

Flávio Bolsonaro se posiciona contra a CPI da Lava Toga em rede social.

Anderson Feitosa

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Reprodução / Internet

Na tarde desta terça-feira, 16, o Senador da República e filho do Presidente do Brasil, Flávio Bolsonaro, fez um comentário via Twitter posicionando-se contra a tramitação da CPI da Lava Toga neste momento, junto com outras pautas delicadas que já estão em discussão no Congresso.

Entre os motivos que usou para defender sua opinião, o Senador citou o fato de que uma guerra entre os poderes Legislativo e Judiciário atrapalharia a aprovação da Nova Previdência, que é prioridade para o País, e disse: “a experiência mostra que a tramitação conjunta de duas matérias polêmicas polarizaria posições e dificultaria a tramitação da ambas”.

Além disso, Flávio colocou o fato de ser filho do Presidente como argumento para não assinar a favor da CPI, dizendo: “pelo fato de eu ser filho do Chefe de outro Poder, minha assinatura na CPI para investigar o Judiciário poderia ser interpretada como uma sinalização informal da vontade da Presidência da República”.

A visão do Senador me pareceu absolutamente equivocada. Por mais importante que seja a reforma previdenciária, em uma visão conservadora da política, como o Governo atual afirma defender, uma pauta de cunho moral jamais será menos relevante que uma pauta econômica. Não há justificativa para ignorarmos os abusos de autoridade e os crimes cometidos pelo STF de forma sucessiva e excessiva, simplesmente pelo medo de não aprovarmos a reforma por isso.

Na verdade, o fato de uma investigação sobre a suprema corte do País atrapalhar a tramitação de uma outra pauta no Congresso já é um erro grande e demonstra toda a falha do nosso sistema político atual. Afinal, os poderes deveriam ter total independência. Em uma monarquia parlamentarista, por exemplo, que é um sistema muito mais estável e saudável, o governo estaria cuidando das reformas necessárias enquanto o chefe do Estado seria encarregado de acompanhar e fiscalizar os trabalhos do poder judiciário, controlando seus excessos e abusos.

Essa visão pragmática de que a aprovação da Nova Previdência deve ocorrer a qualquer custo, ainda que isso nos impeça de controlar a turminha autoritária do STF, que se mostrou diversas vezes inimiga da nação em aspectos fundamentais, é uma visão deturpada de muitos políticos e cidadãos de hoje em dia. Esse pragmatismo é defendido especialmente pelos liberais do Brasil atualmente. Na prática, é tudo que o MBL quer, por exemplo.

Esse ativismo pragmático é prejudicial ao Brasil. Não, Senador, a reforma da previdência não é mais importante que a CPI da Lava Toga. Os efeitos de uma limpeza geral no STF, por meio de sérias investigações, serão muito mais benéficos à nação a longo prazo do que a reforma previdenciária. Não podemos colocar as pautas econômicas acima das pautas morais e ignorar a decadência criminosa da alta cúpula do Poder Judiciário.

O pensamento conservador, que, até onde sei, é carregado pela família Bolsonaro, nos ensina que devemos agir da forma correta, conforma à moral, à ética e o direito, independentemente de quais sejam os resultados dos nossos atos. Ou o senhor seria capaz de ferir algum desses princípios apenas para obter uma vitória política? Prefiro acreditar que não!

Sabemos que os fins não justificam os meios. Sabemos do equívoco maquiavélico. Ignorar uma suprema corte corrupta, autoritária, ditadora e inimiga, apenas pela aprovação de uma pauta econômica, é um ato absurdamente imoral.

Ademais, sobre o comentário acerca da posição de filho do Presidente atrapalhar a sua colocação sobre a CPI, por causa de um possível erro de interpretação, eu não achei nem palavras para expressar minha opinião. Faça-me o favor, caríssimo Senador: sejamos maduros! O senhor é um dos mais importantes senadores do País. Sua posição como filho de Jair Bolsonaro deveria fortalecer seu posicionamento conservador dentro da mais alta casa legislativa do Brasil, e não o contrário. Essa isenção não possui justificativa.

Assim não, Senador!


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Católico, conservador e patriota. Estudante de medicina e amante da Verdade. Membro do Movimento Brasil Conservador no Ceará. Deus Vult!

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