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Análise das eleições em Israel

Thaís Garcia

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Análise das eleições em Israel 21
Imagem: REUTERS/Ammar Awad

Após os resultados não oficiais das eleições em Israel, nenhuma coalizão clara se formou. As segundas eleições parlamentares do país correm o risco de uma formação esquerdista, formada por uma coalizão do partido vencedor, o Blue and White, de três partidos seculares de esquerda e do centro – do espectro político no Estado judeu.

Depois que todas as votações, com exceção dos soldados da IDF, foram contadas manualmente, o partido de Benny Gantz, Moshe Ya’alon e Yair Lapid acabou tendo 1 assento a mais do que o Likud, do atual primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu. Bibi, o primeiro-ministro mais antigo da história de Israel e seu partido Likud, conquistou 31 assentos, uma perda de 4 cadeiras, em comparação com as eleições de abril deste ano.

O Blue and White se tornou o maior partido, com 32 assentos, com uma perda de 3 cadeiras em relação a abril de 2019. Isso não significa que as negociações estejam concluídas e que Israel em breve obterá um novo governo que encerrará o reinado de 10 anos de Netanyahu.

Benny Gantz?
No momento, o que está QUASE certo é que Gantz será mandatado para formar um novo governo.

Porém, o voto de mais de 8% dos soldados da IDF ainda pode dar um assento extra ao Likud e o mesmo vale para o partido de direita Yamina.

Bloco da esquerda
O bloco de esquerda, ao qual o Blue and White pertence, inclui a União Democrática, que conquistou apenas 5 assentos, e o Partido dos Trabalhadores, que participou das eleições juntamente com o partido Gesher. Esta Aliança do Partido dos Trabalhadores-Gesher conquistou apenas 6 assentos, uma baixa histórica para o partido que governou Israel por décadas, desde que o Estado foi fundado.

No total, o bloco de centro-esquerda detém apenas 43 dos 120 assentos do Knesset e não pode nem formar um governo majoritário com a ajuda da Lista Árabe Conjunta, que conquistou 13 assentos.

Bloco da direita
Por outro lado, o bloco de direita, liderado pelo Likud, não ultrapassou 55 assentos até agora, sem contar o partido Yisrael Beiteinu, de Avigdor Liberman.

Os parceiros da coalizão natural do Likud são o partido ortodoxo sefardita Shas (com 9 assentos), o Judaísmo da Torá Unida (o partido ortodoxo Ashkenazi, com 8 assentos) e o Yamina (religioso nacional, com 7 assentos).

Yisrael Beiteinu se tornou o maior vencedor das eleições, com 9 cadeiras, um ganho de 4 cadeiras em relação a abril de 2019. Eles faziam parte do governo que Netanyahu formou em 2015 e até recentemente, era visto como um parceiro natural da coalizão, apesar das diferenças políticas com os três partidos religiosos.

O partido de Avigdor Liberman saiu do governo em novembro de 2018. Oficialmente, por causa de um desacordo sobre uma lei que deveria ter imposto o imposto a estudantes ultraortodoxos de Yeshiva. No entanto, questões de relacionamento pessoal entre Netanyahu e Liberman tiveram um papel importante em segundo plano.

Governo da Unidade Nacional
Liberman agora quer um governo unitário nacional de partidos seculares que deve consistir em Likud, Blue and White e Yisrael Beiteinu. O problema é que o líder do Blue and White, Benny Gantz, e outros políticos proeminentes do novo partido descartaram a formação de um governo com o Likud, desde que Netanyahu é o líder do Likud.

O atual primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, é extremamente impopular entre os membros do Blue and White.

Membros proeminentes do Likud já indicaram que não há intenção de retirar Netanyahu como líder do partido e com isso, a formação de um governo de unidade nacional parece ser um assunto extremamente complicado.

A possibilidade do Blue and White formar um governo com a Lista Árabe Unificada também não parece realista, porque Gantz deixou a entender que não seria uma boa solução para Israel. Gantz disse que um partido árabe antissionista não pode fazer parte de nenhum governo. No entanto, ele já conversou com o árabe Ayman Odeh, líder do Hadash, partido político judeu-árabe de orientação socialista, que pode ter conseguido 12 assentos, sobre ingressar no próximo governo.

O Likud compartilha dessa visão e nunca formará uma coalizão com os partidos árabes que são considerados hostis ao Estado judeu.

Não haverá novas eleições
Quase todos os partidos deixaram claro que não querem eleições novamente, pois é muito provável que elas não resolvam os atuais problemas de construção de coalizões.

Chave decisória
Yisrael Beiteinu possui claramente a chave para uma nova coalizão. Pode ser que o partido entre em uma coalizão de centro-esquerda, porque Liberman é essencialmente um pragmatista. Com isso, Gantz, Ya’alon e Lapid ainda não teriam um governo majoritário e a chance de Yamina entrar em uma coalizão é praticamente nula.

Formação incerta

O que é QUASE certo no momento é que Gantz será mandatado para formar um novo governo. Ele terá que consultar seus apoiadores sobre o que fazer com Netanyahu, cuja posição no Likud parece inatacável.

No entanto, o problema com Netanyahu poderá “ser resolvido”, caso o atual primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, que está sendo acusado de “corrupção”, for condenado. Nesse caso, membros proeminentes do Likud provavelmente estarão mais abertos à ideia de nomear um novo líder do partido.

Outra possibilidade é que o Partido dos Trabalhadores, sob certas condições, se torne membro do governo Netanyahu, porque Orly Levy, líder do partido Gesher e que assinou um pacto de cooperação com o Partido dos Trabalhadores, adere a posições de direita na política internacional.

Segurança nacional
O que está claro é que o Blue and White têm algumas posições essencialmente semelhantes ao Likud, em relação à segurança nacional, e essa ainda é a questão mais importante na política israelense.

Gantz apoia a continuação da política em relação ao Irã e não exclui a introdução da soberania israelense sobre o vale do Jordão. No entanto, o Blue and White é contra a soberania israelense sobre as vilas e cidades judaicas na Judéia e Samaria, a chamada Cisjordânia.

Esperança
A esperança de uma coalizão mais voltada para a direita ainda não morreu. Israel é famosa pelos milagres que experimentaram durante toda a história do seu povo. Uma reviravolta poderia acontecer novamente? Acho que dependerá da fé e das orações dos filhos de Deus.

A última esperança seria a contagem dos votos de mais de 8% dos soldados da IDF, em favor da direita, que poderia dar mais um assento ao Likud e o mesmo vale para o partido de direita Yamina. Além disso, o partido de direita, Yisrael Beiteinu, também possui um importante papel para uma nova coalizão. O líder do partido, Liberman, precisaria deixar suas diferenças com Netanyahu de lado, e se unir em prol do Estado de Israel.

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Correspondente Internacional na Europa. Cristã, casada, mãe e bacharel em Relações Internacionais.

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