ARTIGO: Um perigo chamado PDT

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Imagem: Alan Marques/Folhapress

O ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva teve sua condenação confirmada e aumentada pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região devido a acusação de corrupção ativa no caso do Apartamento Triplex situado no Edifício Solaris, na cidade paulista do Guarujá. O petista aproxima-se da prisão e o principal partido de esquerda do Brasil, o Partido dos Trabalhadores (PT) vive uma verdadeira crise interna em ter apenas Lula como liderança de abrangência nacional e não ter nenhuma alternativa para lançar nas eleições presidenciais. A crise partidária é alimentada sobretudo pela imagem arranhada da legenda petista devido aos crimes de corrupção desbaratados pela Operação Lava-Jato e a má gestão do governo de Dilma Rousseff, que culminou com seu impeachment.

Percebendo a crise petista, aparecem alternativas na esquerda: do socialismo verde de Marina Silva e sua Rede Sustentabilidade ao pós-modernismo do PSOL. Todavia, o partido no campo da esquerda que vem ganhando cada vez mais adeptos e vem se preparando de maneira significativa para as eleições deste ano é o Partido Democrático Trabalhista (PDT). A legenda trabalhista foi fundada pelo ex-governador do Rio Grande do Sul e do Rio de Janeiro Leonel Brizola como uma dissidência do PTB no ano de 1980, com a alegação de que as novas lideranças da legenda Varguista teriam traído o ideal trabalhista. O partido é membro do Foro de São Paulo, é o único partido brasileiro filiado na Internacional Comunista e recentemente fechou acordo de cooperação com o Partido Comunista Chinês (PCCh).

O PDT fez parte da base aliada dos governos petistas desde o segundo governo Lula, ocupando diversos cargos sobretudo o Ministério do Trabalho. A pasta foi ocupada pelos pedetistas Carlos Lupi, Manoel Dias e Brizola Neto entre o segundo governo de Luís Inácio e o primeiro governo de Dilma Rousseff. Durante o impeachment de Dilma Rousseff, foi um dos partidos que se mantiveram do lado da petista na votação. É uma legenda que se manteve até os últimos instantes do lado do PT.

Porém, o PDT já planejava se tornar uma legenda forte dentro do campo socialista e queria se desgarrar de ser apenas um aliado do PT. Em 2015, anunciou a filiação do ex-governador do Ceará e ex-ministro Ciro Gomes e a partir deste momento passou a costurar alianças com a intenção de aproveitar o vácuo de liderança que começava a ser deixado pelo PT. Gomes, como um velho político de carreira que acostumou-se ao jogo do poder tomou a frente da articulação política da legenda trabalhista e passou a se vender na mídia como um “salvador da pátria” para parcela considerável da esquerda.

O resultado não tardou a aparecer: O PDT elegeu três prefeitos em capitais (São Luís\MA, Natal\RN e Fortaleza\CE) e dentre os partidos de esquerda, foi o que obteve
maior crescimento. Hoje, o PDT tem 335 prefeitos espalhados pelo Brasil, contra 254 do Partido dos Trabalhadores. A articulação trabalhista continua firme rumo a eleição de 2018: Alessandro Molon e Aliel Machado, deputados federais pela REDE que estão na tropa de choque da esquerda na Câmara dos Deputados devem se filiar ao PDT na abertura da janela partidária em março, além de ex-lideranças do PT, como o prefeito de Niterói-RJ Rodrigo Neves, a senadora por Roraima Ângela Portella e o ex-prefeito de Osasco-SP Jorge Lapas que já se filiaram ao partido.

Com a crise petista tomando cada vez mais contornos dramáticos, o PDT tem uma chance de se tornar a maior legenda de esquerda do Brasil. O perigo dos trabalhistas crescerem seu tamanho passa pelo retorno de ideias que legaram o país a um caminho cruel, seja com os governos petistas, seja com os governos Varguistas, de quem o PDT se considera herdeiro. Como dizia Thomas Jefferson, “O preço da liberdade é a eterna vigilância”. E devemos estar a postos vigiando todos aqueles que podem cercear o maior dos bens, que é a liberdade.


– Por: Jefferson Viana
Graduando em História pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro, pesquisador da área de História Cultural Brasileira e Assessor Parlamentar na Câmara Municipal de Niterói.

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